A natação da Associação Desportiva Sanjoanense começou a dar os primeiros passos para o regresso à normalidade. Depois de uma paragem de cerca de três meses, a modalidade regressou, no passado dia 15, à piscina coberta do Complexo Desportivo Paulo Pinto para retomar os treinos, ainda que de forma condicionada. Para Ana Rodrigues, nome máximo da natação alvinegra, trata-se de um regresso há muito aguardado depois da paragem mais longa da carreira da nadadora olímpica. “Se calhar, desde os meus seis anos que não estava sem nadar durante tanto tempo”, refere a jovem, que depois de ver a suspensão de toda a atividade desportiva admite que houve uma semana para se ajustar à situação e “começar a perceber que tinha que fazer algo” para não estar parada em casa. “Enquanto nadadores, precisamos daquela sensibilidade de estar na água e sentir a água, mas mais do que isso, precisamos manter a forma física”, conta, admitindo que a suspensão de três meses “foi muito pior do que uma pré-época”. De forma a manter alguma regularidade física e ao mesmo tempo procurar colmatar as necessidades desportivas, Ana Rodrigues sublinha que durante o período de confinamento implementou “várias estratégias para treinar diversas partes do corpo”. “Tentamos colmatar algumas coisas fisicamente que não conseguíamos quando treinávamos na água”, avança a nadadora, que ao fim de três meses confessa que “já estava a ficar ressacada com a falta do cheiro a cloro”.

O regresso acontece, no entanto, com algumas condicionantes e limitações. Dentro da piscina apenas são permitidos seis nadadores, um por pista, enquanto os restantes realizam o aquecimento fora de água em espaços previamente definidos que respeitam o distanciamento obrigatório. “Estou com mais vontade de começar do que receio”, confessa Ana Rodrigues, sublinhando que a autarquia sanjoanense “está a cumprir as medidas de segurança à risca”.

A nadadora, que até à suspensão de toda a atividade e provas desportivas trabalhava para marcar presença nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, competição que devido ao surto do novo coronavírus acabou por ser adiada para 2021, mantém-se focada nessa meta. “Continua a ser um objetivo até arrumar as botas”, garante a nadadora, que vê o adiamento desta competição como algo “positivo”. “Há muitos atletas que estavam a ponderar desistir no final deste ciclo olímpico e já estavam a forçar essa fase e, agora, é muito complicado. No meu caso, que estou a terminar o mestrado, que está a correr bem, não me choca ter mais um ano de preparação para afinar as coisas”, explica Ana Rodrigues, que vê o adiamento da competição como uma “medida justa”. “Os atletas iam estar em desigualdade e ia ser uma competição sem brilho”, acrescenta, sublinhando que, neste momento, face à ausência de competições, os objetivos são todos “a longo prazo”.

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