Agência de Jornais Ferreira, na Rua Visconde, nunca parou de trabalhar

Com o país em estado de emergência e a maioria das pessoas confinada em casa, Fernando Ferreira e a esposa, Fernanda, nunca deixaram de trabalhar. Todos os dias, continuaram a levantar-se às 5h00 e a abrir a Agência de Jornais Ferreira, na Rua Visconde, por volta das 6h15, como de costume. Com a mesma simpatia de sempre. E sem “medo [da Covid-19]”, como fez questão de dizer Fernanda Ferreira à nossa reportagem.

José Ferreira

Em tempos de pandemia, este casal nascido e residente em S. João da Madeira manteve-se firme e empenhado em servir o melhor possível os clientes. Aliás, é o que tem feito desde que tomou as rédeas deste negócio de família há mais de duas décadas.

Antes de serem vendedores de jornais e revistas, estes dois sanjoanenses de gema eram administrativos em empresas que acabaram por fechar portas. Agora são os proprietários da Agência de Jornais Ferreira, dando seguimento a uma tradição familiar com mais de 50 anos, que “vem já dos meus avós e que teve continuidade com o meu pai, Jaime Ferreira”, recordou Fernando Ferreira.

Ao labor, lembrou ainda que “o meu avô, ‘Zé dos Jornais’, foi o primeiro vendedor de jornais em S. João da Madeira” (ver caixa).

Tabaco e serviço de Payshop foram os mais procurados durante o estado de emergência

Para além de jornais e revistas, a Agência de Jornais Ferreiravende outros artigos como, por exemplo, “raspadinhas” e tabaco. Aliás, “tabaco foi o que mais saiu durante o período de confinamento”, assim como “alguns jornais e revistas que os clientes compravam para estarem entretidos em casa”, contou Fernanda Ferreira ao nosso jornal, dando nota, igualmente, dos muitos pagamentos Payshop que efetuaram durante os últimos meses.

“As pessoas [sobretudo idosas, que não estão habituadas às tecnologias] procuravam-nos e valorizavam-nos muito, porque não sabiam como pagar as contas. Como estava tudo fechado, prestámos muito serviço a esse nível”, afirmou a responsável por este ponto de venda de publicações com serviço de Payshop. “Senti-me útil, muito feliz e não tive medo. Senti-me muito bem, porque estava a prestar um serviço a pessoas que precisavam”, acrescentou Fernanda Ferreira, que agradece “a Deus por me ter deixado trabalhar em tempo de pandemia e todos os meus clientes que me deram a oportunidade de os servir e aos que me solicitaram ao domicílio. Fizeram-me e fazem-me sentir ativa”.

Fernando e Fernanda Ferreira fazem parte dos “soldados do papel” que prestaram um serviço essencial a todos os portugueses, mantendo-os informados sobre o que se passava em Portugal e no resto do mundo.

Entregas domiciliárias foram uma mais-valia

Fernando Ferreira já fazia entregas domiciliárias de jornais, tanto a estabelecimentos comerciais como a particulares, antes de surgir toda esta crise pandémica. E não há dúvida que estas, embora em menor número, vieram a se revelar uma mais-valia, contrabalançando as quebras registadas ao balcão. Imagine-se que “só a venda de desportivos baixou na ordem dos 80%”.

Agora, a retoma da atividade começa a fazer-se sentir, mas de forma gradual. “Estamos a recuperar aos poucos”, referiu Fernando Ferreira, segundo o qual não faz sentido que cafés, pastelarias, entre outros estabelecimentos comerciais, tenham deixado de ter jornais à disposição dos seus clientes.

Não só durante o estado de emergência, como também agora, com o país e o concelho em situação de calamidade e já em desconfinamento, o casal fez e faz por serem cumpridas “as regras que o decreto-lei exige”, inclusive as de proteção individual, no interior do seu quiosque. “Estamos sempre muito atentos”, assegurou Fernando Ferreira, referindo ainda que “procurei no estabelecimento dar algumas condições junto do balcão”, precisamente, no sentido de respeitar a lei.

 

Negócio de família com mais de 50 anos

Jaime Ferreira

Fernando e Fernanda Ferreira, de 68 e 64 anos respetivamente, vendem jornais e revistas como se de uma missão se tratasse. Tanto que a Agência de Jornais Ferreira só fecha ao domingo à tarde e mesmo assim, “no início, o Fernando ainda chegava a levar papéis para casa. Agora não, porque também temos de ter algum tempo para nós e para a nossa família”, contou Fernanda Ferreira ao labor.

Fernando Ferreira já ajudava o pai, Jaime Ferreira, conhecido como “Jaime dos Jornais” (na foto). “O Fernando sempre ajudou o meu sogro. Ia para o trabalho e depois ainda o vinha ajudar. E ao fim de semana ajudava sempre”, afirmou ainda Fernanda Ferreira, vindo depois o marido rematar a ideia: “Este trabalho das sobras que ainda hoje faço já o fazia quando estava do outro lado da ‘trincheira’”.

A Agência de Jornais Ferreira é, pois, um negócio de família com mais de 50 anos que nasceu – imagine-se – “no antigo Café Império, que ficava no centro da cidade de S. João da Madeira, onde agora é o Parque América”. Entretanto, “passou para o antigo posto da polícia” e só depois para a Rua Visconde, perto do supermercado Pingo Doce, a sua localização atual.

A título de curiosidade, refira-se que o avô de Fernando Ferreira, ‘José dos Jornais’, foi o primeiro vendedor de jornais em S. João da Madeira” (na foto).

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