Apesar da última época não ter chegado ao fim, que balanço faz da temporada até ao momento em que a prova foi interrompida?

Não deixou de ser frustrante, mas considero que foi uma época positiva. Se calhar fomos os únicos que ganhamos em casa do primeiro classificado, resultado de um plantel com muita qualidade, pelo que acho que estávamos no bom caminho para alcançar o objetivo.

E qual era o objetivo que a ADRAV tinha definido para a época que terminou?

O nosso objetivo passa sempre por chegar, no mínimo, às finais do Campeonato INATEL e depois ver no que dá.

Depois de uma temporada em que a ADRAV estava a realizar uma boa prestação, fica alguma desilusão por verem o trabalho ficar pelo caminho?

O que sempre nos predispomos realizar e que está na base do clube, que é praticar desporto, foi cumprido. Tendo em conta uma situação tão grave e dramática como a que estamos a viver acho que não podemos, sequer, equacionar outra situação porque há coisas mais importantes na vida e a saúde das pessoas deve estar sempre em primeiro lugar. É claro que ficamos tristes pela época não ter chegado ao fim, mas não vemos isso como um problema. Agora vamos preparar a próxima época para tentarmos alcançar aquilo a que nos propusemos nesta.

“O mais importante é o bem-estar dos nossos atletas”

Se o objetivo primordial assenta na prática desportiva, não há um momento que destaque como de maior dificuldade.

Os momentos de maior dificuldade com que nos deparamos na ADRAV são sempre aqueles que interferem diretamente com a saúde dos nossos jogadores. Essa é a nossa maior dificuldade e a nossa grande preocupação ao longo da temporada.

Com a época terminada, a ADRAV já trabalha na preparação da próxima?

No próximo dia 26 de junho a ADRAV vai a eleições e esse processo está a travar um bocado a preparação da nova temporada porque não sabemos o que vai acontecer em termos diretivos. Pode aparecer alguém que apresente uma lista com outras ideias e soluções que acabe eleita. Mas neste momento já paira no ar essa responsabilidade e penso que a prioridade deve passar por manter os ativos do clube, que são os jogadores.

Independentemente de quem assumir os destinos do clube no próximo mandato, qual deveria ser o objetivo para a próxima época?

Aquilo que nos une é manter a dignidade que o clube tem tido ao longos destes 34 anos de vida e acho que o caminho deve continuar por aí. É fundamental não dever nada a ninguém e continuar a fomentar a prática desportiva, no nosso caso em particular o futebol. É claro que há sempre a ambição de vencer, mas não vemos isso na atual prova como algo fundamental. Acho que o mais importante é o bem-estar dos nossos atletas, dar-lhes as condições necessárias e manter a dignidade que a coletividade merece.

Já que fala que é fundamental não dever nada a ninguém, como se encontra a ADRAV em termos financeiros?

Encontra-se bem. Tentamos planear sempre a época de forma a que no final, se não sobrar muito, pelo menos o saldo seja suficiente para permitir o começo da próxima temporada com alguma tranquilidade, nomeadamente para a inscrição dos jogadores.

“Acho que foi importante permanecer onde estávamos, mas firmes e sem qualquer sobressalto”

A ADRAV compete atualmente no Campeonato do INATEL, mas já passou pelos distritais. Acha que o clube deveria regressar a essa competição?

Nunca escondemos o nosso desejo de voltar aos distritais, mas para isso é preciso dar passos firmes e a situação que hoje se vive veio confirmar que estivemos bem em não ter dado esse passo, pois, se calhar, agora não iríamos conseguir responder. Atualmente, devido à conjuntura que se vive no nosso país, acho que foi importante permanecer onde estávamos, mas firmes e sem qualquer sobressalto. Mas não escondo, no entanto, o desejo de ver a ADRAV regressar aos distritais.

Quando é que gostaria de ver a ADRAV dar esse passo?

Quando houver mais estabilidade e uma maior probabilidade de conseguir receitas que permitam ao clube dar esse passo. Até lá acho que não é uma boa aposta.

O clube tinha capacidade para se bater com as equipas que lá andam?

Em termos de qualidade, mesmo estando no INATEL, tenho a certeza que se estivéssemos num campeonato distrital faríamos uma boa prova. Temos bom jogadores, com qualidade, inclusive alguns que já jogaram a nível nacional. Neste momento a questão é única e exclusivamente financeira.

Antes de assumir a direção da ADRAV, há cinco anos atrás, esteve dois como treinador. O que o fez dar o salto?

Na altura as pessoas que estavam à frente do clube em determinados momentos exigiam demasiado para aquilo que era o trabalho e o exemplo dado. Ainda não era presidente e grande parte das verbas era eu que as arranjava e foi também por isso que fui quase que empurrado pelos meus colegas para me candidatar à presidência da ADRAV, porque a cerca de uma semana para fecharem as inscrições dos jogadores não havia dinheiro para o fazer, situação que tive que resolver num curto espaço de tempo quando assumi o cargo.

“A ADRAV é uma coletividade muito bem gerida e controlada”

Está há cinco anos à frente da ADRAV como presidente. Tem sido fácil manter o clube em atividade quando estamos num concelho tão pequeno em que a oferta desportiva é enorme?

Atualmente, tudo o que conjugue desporto e angariação de verbas não é fácil, mas com muito empenho, dedicação e humildade temos conseguido manter sempre os mesmos patrocinadores, que hoje, fruto da relação criada ao longo dos anos, são muito mais do que isso. São nossos parceiros. isso faz com que tudo seja mais fácil.

E que balanço faz destes cinco anos à frente dos destinos da ADRAV?

O balanço é, sem dúvida, positivo. É um balanço seguro, de uma direção que preza por não dar um passo maior do que a perna. Acho que posso dizer que a ADRAV é uma coletividade muito bem gerida e controlada.

E tem sido fácil gerir a coletividade ao longo destes cinco anos?

É como em todas as casas. De vez em quando surgem algumas divergências, mas acabamos por encontrar sempre as melhores soluções.

No próximo dia 26 realizam-se eleições para os novos órgãos sociais da ADRAV. Vai recandidatar-se?

Pela minha paixão e o que me move pela ADRAV, tendo em conta todo o trabalho que tenho vindo a realizar, nunca me poderei desligar deste projeto, mas também tenho uma família que está no desporto. Custa-me ir ver os filhos dos outros jogar e não poder fazer o mesmo pelas minhas filhas, que estão sozinhas no desporto delas. Queria ter também o prazer de as ver jogar e poder partilhar isso com elas. Mas se isso não for possível jamais deixarei cair a ADRAV. Se aparecer alguém que queira contribuir para este projeto – não precisa de vir fazer milagres – e manter a dignidade que o clube tem tido aos longo destes 34 anos de vida eu, de bom grado, apoiarei a candidatura.

Prestes a fechar um ciclo, que diferenças vê na ADRAV de hoje comparativamente à que assumiu há cinco anos atrás?

Cada pessoa incute um cunho pessoal naquilo que faz. No tempo do sr. Silvério toda a responsabilidade do clube recaía apenas no presidente, a quem temos de agradecer por tudo o que deu em prol do clube. Quando assumi a direção tentou-se diversificar um bocado. Quisemos criar uma direção que vivesse mais o clube e que não dependesse apenas de uma pessoa. Tentamos manter o carisma da ADRAV e que continuasse a ser respeitada por todos.

Por falar em diversidade, uma das suas metas passava pela criação de uma equipa feminina de futebol. Os anos passaram, mas esse projeto nunca foi avante.

Na altura iniciamos conversações com o então Vereador do Desporto da Câmara Municipal e senti vontade e apoio para que o projeto fosse implementado, mas havia um entrave. O único espaço disponível era o Centro de Formação Desportiva, que estava completamente lotado. Entretanto o executivo camarário mudou e a ideia ficou pelo caminho.

“Acho que demos tudo o que tínhamos”

A entrada do novo executivo impediu que o projeto avançasse?

Não posso dizer isso porque não abordei o novo executivo, que, se calhar, não iria colocar nenhum entrave ao avançar do projeto. Foi um timing que eu próprio perdi, se calhar pelo agravamento que se tem vindo a verificar no que diz respeito à angariação de receitas.

Se sair deixa o clube com sentido de ver cumprido?

Sem dúvida. Eu e a minha direção demos o melhor de nós ao longo destes anos. Prova disso é que andamos de cabeça erguida sem dever nada a ninguém. Acho que demos tudo o que tínhamos.

Há alguma coisa que deixe por fazer que gostaria de ter realizado ao longos destes cinco anos?

Há o eterno problema da sede. Já foram vários os executivos camarários e ainda hoje, uma coletividade com 34 anos, não tem uma sede própria, uma morada certa. A correspondência continua a ir para casa de anteriores presidentes e isso é algo que nos deixa um amargo de boca, porque na cidade há coletividades com muito menos anos e têm uma sede.

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