Enquanto espero por um cliente …..senão não estaria a escrever sobre Arte a meio da manhã…..Será ?

Será que a Arte é assim tão secundária que achamos inoportuna para nos interromper uma manhã de trabalho?

Tristemente acha-se isso, porque a arte não nos dá de comer, mas talvez até nos alimente, mas de outra forma.

A Arte em todas as vertentes espelha um povo. As suas preocupações, os seus anseios e a sua sensibilidade perante o mundo que o rodeia. Se o povo for bruto e bárbaro então a arte espelha isso mesmo. Não têm como disfarçar. Se o povo for delicado e sensível, a sua arte é plena de elementos consentâneos com  a personalidade  dessas gentes.

No entanto, a arte a partir dos anos 60 do Séc. XX, também assumiu novos caminhos com a chamada “arte conceptual” de forma a abri-la para as massas, despertar mentes, ter intervenção política e sair dos museus aonde pode ser somente admirada como “obra de arte “.

Pode-se considerar que a Arte e suas expressões podem mesmo conduzir uma oposição a um regime político? Pessoalmente não acredito muito nessa linha de pensamento, pois a arte para se fazer crer e chegar ao seu público teve sempre de mãos dadas com o poder e seu regime socioeconómico. Artistas que se viram confrontados com linhas artísticas repressivas de poder tiveram que emigrar. Mesmo os artistas de arte conceptual acabam por não passar a mensagem que querem transmitir; às vezes muito pouco percetível.

Antigamente eram o clero e o poder da Igreja que encomendavam obras de arte  a Michelangelo, mais tarde eram os burgueses holandeses que fizeram vingar os pintores holandeses como Van Heik e Vermeer. Depois, vieram outros como Hegel que pôs em causa o conceito de arte.

No fundo, os artistas sempre se venderam ao poder político. Não valerá a pena fazer de conta que isso não acontece, como forma de se promoverem a si mesmos, mas ainda bem que é assim. Porque a Arte precisa de sair das quatro paredes do seu criador, e isso tem custos. Caso contrário definha, torna-se inócua e chega somente a uma elite.

Contudo, é uma atividade colateral, de promoção social e económica para muita burguesia vigente. E até se tornou um investimento e um negócio, embora a longo prazo.

Segundo uma estratégia política existem inúmeros casos de líderes que se serviram da Arte para propaganda ou amordaçarem certas correntes políticas ou vozes dissonantes de arte, a fim de contraporem outras formas artísticas, normalmente clássicas, em prol dos seus desígnios políticos. No passado surgiram casos contundentes como Estaline, Hitler, Mao Tse Tung, e tantos outros no passado. Os regimes comunistas foram, aliás, mais longe na repressão dos seus artistas do que foram os regimes fascistas. A História diz-nos isso mesmo.; todos eles condenáveis.

Por cá, sempre se salienta Joana Vasconcelos, talvez o melhor expoente artístico do regime em que vivemos. (!) Mas felizmente tivemos Mário Cesariny, Almada Negreiros, Vieira da Silva, Paula Rego, Júlio Pomar, entre muitos; isto só nas artes plásticas.

Não! Não será bem assim. Na atualidade, temos sim a disseminação de correntes artísticas e formas de arte que, por vezes, se fundem entre si. Teatro com dança, cinema com pintura, arte urbana, etc., etc.. Os cânones de arte dentro de uma moldura dourada extinguiram-se há muito e é necessário promover a fusão entre artes. Claro que existem sempre os “artistas do regime”. Portanto é consensual dizer que  Arte é consequente da aculturação de um povo, de forma continuada.

Se mantivermos um povo inculto, então ele não terá qualquer espírito artístico e criativo para se  desenvolver e surgirão expressões artísticas  débeis sem relevo na  sociedade. O povo continuará servil e ignorante pensando, por exemplo, que o Mac Donaldsserá a melhor comida do mundo, ou a ”Casa dos Segredos “ até é bem decorada. Será o “avacalhamento” da cultura.

Infelizmente promover arte junto  de um povo  tem sido um esquecimento ( em forma de distração )  de muitos governantes na actualidade. Prefere-se antes o “evento” . algo passageiro e mais populista. De efeito imediato!

Mas Arte como Cultura, não se traduzem em “hapennings”fotogénicos, nem por outro lado, será desperdício de verbas  orçamentais como muitos  pretendem fazer crer.  É um investimento contínuo e a longo prazo, em que os resultados parecem invisíveis. É educacional obrigatório nas Escolas e não opcional. É como saber escrever bem Português, ou tão importante quanto a Matemática.

As iniciativas de arte também não podem ser dependentes do Estado na maioria da sua atividade, pois aí forma-se o clientelismo político e a dependência crescente de muitos artistas à mercê de gostos passageiros de responsáveis ministeriais, ou mesmo autárquicos. A arte para se enriquecer e promover o desenvolvimento do seu povo precisa de ser o mais autónoma possível, a fim de ser multifacetada, produtiva e pluralista.

 “Arte” e ”Criatividade”são também gémeas entre si e esta última é talvez das coisas  importantes para  o  ser humano; CRIATIVIDADE.

Esta implica uma postura que cada um de nós pode ter no dia a dia e realizar-se nas mais diferentes atividades. Impedir a criatividade no ser humano será como cortar-lhe as asas a fim de o impedir de voar. Isso acontece frequentemente em cada um de nós e em todas as profissões. E pode-se ser criativo e diria mesmo “artista”, fora do nosso campo profissional e em tantas outras atividades que queiramos abraçar. A felicidade que traz ao ser humano esse entendimento é surpreendente.

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