Cemitério dos livros não esquecidos

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Todas as mortes chocam e incomodam. São vidas perdidas, irreparáveis, que matam outras vidas que continuam a ter de viver. Há uma sombra permanente que nunca mais deixa o sol ou a lua terem o mesmo brilho. Qualquer perda de uma vida deixa alguém a sofrer, mesmo a daqueles que estão sozinhos no mundo, mesmo a dos maus que cá andam apenas a fazer estragos. Pelo menos em mim há sempre um grau de compaixão que me assiste, talvez por tanto amar a vida e odiar a morte.

Recentemente, houve uma morte que mexeu muito comigo, a do escritor Carlos Ruiz Zafón, ainda tão novo!

Gosto muito de ler. A leitura é e sempre foi um dos maiores prazeres da minha vida. No entanto, há livros e livros, há escritores e escritores. Estudei várias literaturas e li muitos livros. Reconheço que sou muito exigente quanto aos temas e particularmente quanto à forma. A arte literária, a arte da palavra, tem muito que se lhe diga. Para mim tem de conter em si uma textura singular onde não faltem a harmonia, a melodia, a poesia. Sem qualquer presunção, há muitos livros e escritores consagrados que me dizem muito pouco. Como em qualquer expressão artística, consagra-os um júri ou um elenco selecionado por critérios de opinião muito restritos. A fama encarrega-se do resto. Assim vivem os consagrados dos consagradores e vice-versa. E quantas vezes apetece gritar que o rei vai nu.

Zafón é e será sempre um ícone, apesar de ter escrito tão pouco e ter poucos galardões. É um escritor apaixonante, arrebatador, não só pela força da imaginação, pela criação difícil e nada fútil do enredo, mas sobretudo pela forma como constrói a narrativa. Confesso que não gosto muito de livros grandes. Cansam-me. Porém isto não acontece com Zafón.

Dos livros que li de Zafón, “A Sombra do Vento” tocou-me particularmente. É um labirinto de emoções, de sensações que deixa o leitor apaixonado pela leitura que é impossível de parar, que arrebata até ao fim. Carlos Ruiz Zafón é um escritor, é um romancista. E o Romance – “é uma pequena carta de amor à arte da narrativa, ao ofício de criar e contar histórias, uma homenagem a quem as constrói palavra a palavra”.

Aqui lhe deixo esta singela homenagem, uma flor branca no “Labirinto dos Espíritos “a um “Prisioneiro do Céu” como “o Jogo de um Anjo” na “Sombra do Vento”.

Que os seus livros fiquem para sempre no mágico lugar do” Cemitério dos livros não esquecidos.”

Eva Cruz 

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