“Algumas ainda não sabem como vão sair dela” e isso é “angustiante”, admitiu Sara Pereira, assistente do Centro Comunitário Ecos Urbanos, ao labor

Sara Pereira é assistente social há 17 anos na Associação de Jovens Ecos Urbanos em S. João da Madeira.

O novo coronavírus levou a que, no espaço de uma semana, toda a estrutura estivesse “a trabalhar em teletrabalho sem nunca colocar em causa a ajuda e o apoio prestados” porque “a nossa missão tinha de continuar” e era “impensável parar ou sequer suspender”.

A assistente social ainda continua em teletrabalho com idas pontuais ao serviço para entregar bens às famílias acompanhadas pelo Centro Comunitário.

O teletrabalho “reflete-se em muitas horas de chamadas telefónicas e muitas horas de computador”. Já “as idas ao serviço foram sempre em situações de atribuição de apoios diretos em alimentos, salvaguardando sempre o objetivo de as pessoas não sairem de casa, de acordo com as orientações da Direção-geral da Saúde, e de, principalmente terem acesso à ajuda ou ao apoio”, contou Sara Pereira ao labor.

Se o impacto do novo coronavírus foi “imenso” no dia a dia da associação, continua a ser “enorme” na vida das famílias acompanhadas. “Se para nós  teve um grande impacto pelo grande volume de trabalho pelo número de novas situações que nos chegavam diariamente, quer dizer que foram muitas as pessoas que foram apanhadas no meio desta pandemia sem qualquer tipo de previsão”, revelou a assistente social, recorrendo a uma analogia para explicar que “muitas foram as situações de famílias que chegadas à praia, depararam-se com uma tempestade de areia sem fim”. “Algumas ainda não sabem como vão sair dela” e isso é “angustiante”, admitiu.

Na Associação de Jovens Ecos Urbanos “as decisões são sempre partilhadas, muito pensadas e muito discutidas em equipa”, por isso, “o mais difícil é que de repente nos deparámos com uma situação pandémica e com tantas situações…” em que “não tinhas muito tempo para análises profundas”, confessou Sara Pereira ao nosso jornal, dedicando algumas palavras “à grande equipa, na qual tenho orgulho de estar integrada, pelo companheirismo e pela solidariedade; às pessoas que nos foram fazendo chegar donativos, é bom saber que a solidariedade e o sentido de ajuda ao próximo está presente; e à Rede Social de S. João da Madeira que permitiu que a ajuda chegasse sempre em tempo útil”.

Desta nova realidade, a assistente social vai retirar, a nível pessoal, “uma grande aprendizagem”. “Apesar do não descanso, da angústia dos números, do sem horário para parar muitas vezes, aprendi que há novas formas de trabalho, que conseguimos mais do que pensávamos e, acima de tudo, percebi que muito rapidamente podemos deixar de ter a nossa vida e o nosso conforto”.

 

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