É o sentimento que João Neves, secretário de Estado Adjunto e da Economia, tem encontrado em todas as visitas

O Governo está a levar a cabo um roteiro pelas empresas com o intuito de ouvir e, acima de tudo, ajudar os empresários a relançar a atividade económica.

Ao fim de um dia dedicado a visitar cinco empresas que investiram ou ainda estão a realizar investimentos na cidade sanjoanense, João Neves, secretário de Estado Adjunto e da Economia, ficou com a certeza de que existe “uma enorme capacidade de resistência por parte dos empresários com, simultaneamente, um sinal de esperança no futuro”. Perante o panorama atual, em que pandemia também contagiou a economia, “não se pode esconder as dificuldades que enfrentamos, mas também a enorme capacidade que temos de nos reinventar e enfrentar o futuro”.

Depois dos meses de março, abril e maio terem sido “muito difíceis”, o sentimento é de que “os mercados estão a recuperar devagar” e “este mês de junho já está com sinais positivos e esperamos que no segundo semestre tenhamos a confirmação daquilo que são estes sinais positivos”, assumiu João Neves, relembrando que as medidas tomadas pelo Governo foram “na medida de preservar os empregos e as empresas”.

Nestas e noutras visitas realizadas pelo secretário de Estado Adjunto e da Economia, “as pessoas não reivindicam nada”, mas mencionam a importância de Governo, empresários e municípios “trabalharem em conjunto”. A “resistência com confiança no futuro” é “o sentimento que tenho encontrado em todas as visitas”, admitiu João Neves à comunicação social.

“Nos últimos dois anos, no setor empresarial e comercial, tivemos investimento de 63 milhões e meio de euros”

O presidente da câmara, Jorge Sequeira, destacou que “S. João da Madeira é uma cidade industrial emblemática para o país”, daí a importância desta visita em que o Governo ouviu as “dificuldades” e as “aspirações” das empresas para que consiga “estabelecer condições para um trabalho conjunto”.

“Nos últimos dois anos, em S. João da Madeira, no setor empresarial e comercial, tivemos investimento de 63 milhões e meio de euros em curso ou já aprovado o seu projeto de licenciamento na câmara”. “Se somarmos a isto a habitação coletiva, vamos para montantes na casa dos 75 milhões de euros”, revelou Jorge Sequeira aos jornalistas, sem conseguir indicar o valor total dos investimentos realizados por parte das empresas visitadas sexta-feira passada em S. João da Madeira.

Para além das empresas visitadas (reabilitação da antiga Califa por parte da ERT, Rokefil, Faurécia, nova fábrica da Cartonagem Trindade e uma nova incubadora privada), o presidente da câmara e o vice-presidente José Nuno Vieira destacaram a existência de outros investimentos em curso na Zona Industrial das Travessas depois deste executivo ter desbloqueado o problema que impedia a venda de lotes. Neste momento, estão a ser construídos três novos armazéns na Zona Industrial das Travessas e outros encontram-se em processo de licenciamento.

ERT investe oito milhões na antiga Califa

A antiga Califa foi a primeira empresa visitada pelo secretário de Estado Adjunto e da Economia. Este é um investimento de oito milhões de euros do Grupo ERT que inclui a aquisição, a reabilitação do edifício, mantendo a linha arquitetónica original, e o investimento em equipamentos.

“Ali vamos centralizar todos os serviços do grupo. Vamos ter toda a parte administrativa, financeira, coordenação de negócios, qualidade, engenharia, IT e alguns processos produtivos. Até ao fim do ano pensamos ter completamente fechado”, adiantou João Brandão, administrador da ERT, à margem da visita, ao labor.

Para além da reabilitação total do espaço industrial, a empresa multinacional portuguesa que tem como principal área de negócio a automóvel, construiu de raiz um espaço social para os trabalhadores com cantina, balneários, ginásio, salas de leitura e jogos.

O dia da visita coincidiu com o último dia dedicado à encomenda de máscaras comunitárias por parte da Câmara Municipal de S. João da Madeira.

Apesar de ter mais encomendas, a ERT não continuará com a produção deste equipamento de proteção individual. “Temos mais duas câmaras interessadas, que para a semana vão passar as encomendas, mas não é um negócio que queremos continuar porque não é a nossa área de negócio”, revelou João Brandão, esclarecendo que, para a empresa, “a produção das máscaras teve mais um aspeto social do que comercial”.

Quando pararem a produção de máscaras, o grupo retoma a produção automóvel na antiga Califa. “Aproveitámos a paragem das encomendas do automóvel para alocarmos as pessoas à produção das máscaras e fizemos outros equipamentos de proteção individual para a área da saúde como batas e mais uma série de coisas”, deu a conhecer o administrador da ERT.

O impacto da pandemia na produção automóvel foi “forte”. “No mês de abril tivemos uma quebra de 95%, no de maio de 65%, este mês (junho) prevemos estar a 50%, no próximo mês a 65% e depois não sabemos. Acho que ninguém sabe”, admitiu João Brandão.

Apesar das projeções que têm para setembro serem “boas”, prevendo que vão “estar ao nível pré-pandemia”, o administrador preferiu manter as expectativas contidas numa altura em que está em cima da mesa uma segunda vaga deste novo vírus.

A empresa sempre recorreu a trabalhadores temporários consoante o volume de trabalho existente, tendo muitos deles sido dispensados devido ao impacto da pandemia. “Se voltarmos aos valores pré-pandemia, vamos chamar outra vez todos os contratos de trabalho temporário que não renovámos na fase de pandemia”, garantiu João Brandão.

A ERT tem empresas próprias em quatro continentes: Europa, África, América e Ásia. Tem oito fábricas espalhadas por Portugal, República Checa, Roménia, Marrocos, Espanha, uma em construção no México e uma empresa comercial que trabalha o mercado chinês tanto na importação como exportação com clientes e fornecedores na China. Só em S. João da Madeira, a ERT tem sete blocos e um Centro de Inovação na Oliva Creative Factory.

Cartonagem Trindade investiu 12 milhões na nova unidade de produção destinada a marcas de luxo

A Cartonagem Trindade tem três unidades de produção, duas em S. João da Madeira, uma delas acabada de construir este ano, e uma em Felgueiras.

A nova unidade criada em S. João da Madeira representa um investimento de 12 milhões de euros e é destinada à produção de caixas e de embalagens para marcas de luxo de produtos cosméticos.

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Na empresa sede, o empresário Pedro Ventura deu a conhecer o espaço em que estão guardadas uma série de caixas e embalagens produzidas ao longo dos anos pela Cartonagem Trindade. O que começou por ser um produto criado para a indústria do calçado, já marcou a sua posição nas áreas dos vinhos e dos produtos de cosmética.

A criatividade e o investimento constantes permitiram à Cartonagem Trindade criar caixas e embalagens que são verdadeiras obras de arte.

“Nunca deixamos de criar e de fazer investimentos, somos uma empresa flexível e somos muito nacionalistas”, destacou Pedro Ventura, explicando, neste último caso, a exigência e a importância de todos os seus produtos terem o símbolo “made in Portugal”.

Sempre com os olhos postos no futuro, o empresário assumiu que “não queremos ser só uma cartonagem, queremos ser mais qualquer coisa”. A prova disso está no cuidado de criar um produto que pretende ser “um veículo em que quem tem de brilhar não somos nós, mas as marcas”, esclareceu Pedro Ventura.

Incubadora privada vai nascer junto à antiga Oliva

A criação de uma incubadora privada é um dos novos investimentos que está em curso com a reabilitação de um edifício na Rua da Fundição, em frente à antiga Oliva, na cidade.

Este projeto pessoal do empresário João Vilaça está previsto começar em setembro.

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“Não é um espaço pensado para amanhã, mas para 10 ou 20 anos. Portanto, esta situação da Covid, que ninguém estava à espera, não afeta absolutamente nada os meus planos nem pode afetar os planos de alguém que faz investimento”, considerou João Vilaça, constatando que “toda a gente sabe que as crises trazem grandes oportunidades e é nessas oportunidades que nos vamos focar”.

Nesta incubadora direcionada para a indústria 4.0, João Vilaça quer que as pessoas encontrem “um espaço de qualidade, acesso a mentores e a algum capital que vamos tentar angariar a nível nacional e internacional”.

Neste roteiro pelas empresas, o secretário de Estado Adjunto e da Economia também visitou a Faurecia, onde foi apresentado o projeto de ampliação da empresa, e a Rokefil que comprou uma máquina de produção de máscaras descartáveis com capacidade para produzir 100 mil máscaras por dia.

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