O meu é melhor do que o teu!

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Todos queremos que os nossos filhos dêem nas vistas. No fundo, todos gostamos também de dar nas vistas e de ser o centro das atenções. Essa faceta admirável de si mesmo ficou-nos da infância. E quando a família, os amigos, os colegas de emprego ou até a pessoa que está à nossa frente na caixa do supermercado, pelas “gracinhas” elogiam os nossos filhos, só não nos babamos porque aos adultos não se perdoam essas atitudes. Mas não podemos negar que é agradável ouvir comentar o desenvolvimento do nosso filho, como ele é “esperto”, como faz tão bem “gracinhas”, é verdade que trabalhamos para isso, que perdemos muito do nosso mais que precioso tempo a ensiná-los a “bater palminhas” ou a fazer de “burrinha velha” e o elogio recompensa-nos imediatamente das noites perdidas, do ter de mudar fraldas malcheirosas ou de levar com o chichi quando o temos às “cavalitas”.

Se é prazer que sentimos com os progressos dos nossos “rebentos”, mais depressa nos sentimos ameaçados quando o primo, o filho do vizinho ou a neta do Sr. Antunes que vende hortaliça na nossa rua começa a fazer coisas que os nossos não fazem. “Ficamos no espanto”! O que é isto? Onde é que eles foram aprender essas coisas?

Apenas quatro comentários: em primeiro lugar, “média” não quer dizer “normalidade”. Os parâmetros que vêm nos livros ou que se utilizam para calcular grosseiramente o grau de desenvolvimento das crianças são médias de um conjunto de crianças e não uma obrigação para cada criança. Segundo ponto: o desenvolvimento processa-se por etapas e cada etapa pode demorar mais ou menos tempo, consoante a criança, e portanto nem todas as crianças da mesma idade estão na mesma fase de desenvolvimento. Terceiro aspeto: cada criança tem a sua “especialidade”, tal como os adultos. Quarto ponto: nem sempre as circunstâncias proporcionam que a criança mostre o seu “melhor”, ou seja, pode estar inibida pela presença de estranhos, cansada, com calor, com fome, com a fralda com chichi, com sono. As crianças não são, felizmente, um desses bonecos dos centros comerciais em que se mete a moeda e “já está”.

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