A sugestão foi lançada pelo antigo presidente Castro Almeida

O lay-off foi “uma boa solução” para “o problema temporário de tesouraria” que afetou muitas empresas, evitando assim “despedimentos em massa e o fecho de portas”, considerou Castro Almeida, antigo presidente da câmara sanjoanense, durante a sua participação, segunda-feira à noite, no encerramento do ciclo de conferências “Conversas sobre a Nova Realidade” lançado pela coligação PSD/CDS-PP.

Depois de ter ouvido as dificuldades pelas quais passaram pessoas ligadas às mais diversas áreas, Castro Almeida ficou com a noção de que a cultura e de ação social foram as que ficaram “mais descapitalizadas”. Por isso, não lhe restaram dúvidas de que o princípio do lay-off “tem que ser aplicado pela câmara municipal para associações culturais e ação social que vão ficar temporariamente desprovidas de recursos normais” até que “possam retomar a atividade normal em tempos à frente”. Para o antigo presidente da câmara “seria impensável que S. João da Madeira deixasse morrer as associações ou instituições por causa da pandemia temporária que estamos a sofrer”.

A seu ver, entre as mudanças que vieram para ficar, depois de passar a pandemia, estão o teletrabalho, as videoconferências em substituição de muitas viagens de trabalho e o foco na importância do setor da saúde, deixando um aviso em relação aos riscos que estamos e vamos continuar a correr. São eles o “recrudescimento das ideias racistas e/ou xenófobas” quando “precisamos de um diálogo global” e as “soluções populistas para os problemas reais”.

Sanjoanenses devem escrutinar execução dos fundos europeus

Os agentes políticos locais devem usar da “máxima vigilância da execução dos fundos europeus” porque “a ideia que tenho é que o Município de S. João da Madeira não está a contribuir para melhorar a média nacional”, afirmou Castro Almeida.

O antigo secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, que teve sob a sua tutela os fundos comunitários do QREN durante o Governo de Passos Coelho, também pediu aos portugueses que pedissem a prestação de contas de execução dos fundos europeus ao Governo socialista. Castro Almeida recordou que em março de 2013 a execução do QREN estava na ordem dos 60% enquanto o Portugal 2020 no mesmo mês deste ano encontrava-se nos 44%, considerando, por esta razão, que os fundos europeus “não estão a ser executados a um ritmo aceitável” e demonstrando preocupação sobre a forma como Portugal vai gerir “a pipa de massa que aí vem” por ser o dobro do que tem sido atribuído nos últimos três ciclos.

Para o antigo governante também chegou à altura de “lançar para o debate europeu a criação de uma política de saúde comum à escala da União Europeia” evitando episódios como a disputa de ventiladores e a corrida à investigação e à compra de uma vacina contra a Covid-19 entre países.

É preciso que “a política não se feche em Lisboa a fazer regras que, depois, não funcionam localmente”

Para João Almeida, deputado do grupo parlamentar do CDS-PP eleito por Aveiro, “só conseguimos voltar pelo menos ao ponto de partida onde estávamos quando isto começou se for em comunidade” e, no seu entender, “as comunidades mais fortes e com maiores laços terão maior possibilidade de sucesso do que as mais dispersas”.

No caso de “S. João da Madeira temos comunidade à altura do desafio que estamos a viver”, atestou.

O deputado sanjoanense salientou ainda que é preciso que “a política não se feche em Lisboa a fazer regras que, depois, não funcionam localmente”, dando como exemplo a colocação em prática das regras de distanciamento entre os alunos nas salas de aula. Neste momento, “fazer regras é a coisa mais fácil”, assumiu João Almeida, alertando para o facto de ser “fundamental que haja políticos que saibam resolver os problemas criados pelas regras”.

A última conferência deste ciclo de conversas contou com a moderação de Susana Lamas e Ricardo Mota, presidentes do PSD e do CDS-PP locais, respetivamente.

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here