Deixem as Árvores em paz !

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Inesperadamente surgiu num jornal desta cidade, uma notícia sobre o desejo de alguns “populares”(este termo dá para tudo!) em abater as árvores na Av. Renato Araújo.

Árvores estas que demoraram muitos anos a apresentar aquele porte, apesar de terem sofrido soberbas podas, mas que ainda assim trazem frescura à cidade e melhoram o ar que se respira. Infelizmente existe muita gente que ignora isso ou nem quer saber dessa realidade

Convida-se, pois, o leitor a refletir como seria S. João da Madeira com a redução gradual das árvores plantadas ao longo de muitos anos, em diversos mandatos autárquicos, e que escondem o impacto negativo da arquitetura duvidosa de muitos edifícios?  Seria uma cidade como tantas outras:  árida e quente. Uma cidade feia. Aliás, S. João da Madeira é precisamente reconhecida pela frescura e algum equilíbrio natural trazido pelas árvores ao longo das suas ruas.

Não quero acreditar que tal desejo de “populares” tenha a ver com os táxis ali estacionados por prolongadas horas numa baia de estacionamento exagerada para as viaturas aparcadas, impedindo o acesso natural às lojas e ao dinamismo do comércio local que tanto se apregoa.

Os táxis, sim, já não deviam estar ali residentes pois têm arrastado esse problema desde o tempo em que não existia prédio algum. Os mais jovens não se lembrarão e olham para a situação como facto consumado. Mas as cidades mudam e certas situações devem ser ajustadas a novas realidades. A “residência” de táxis não acompanhou esse processo.

Seria, pois, benéfico para a cidade e para os comerciantes que ali pretendem vingar o seu negócio, que os mesmos fossem deslocalizados para perto da estação do Vouguinha, por exemplo, aonde não têm árvores e é uma zona mais perto da linha de comboio que se pretende ver dinamizada.  Bem mais fácil e sensato do que deslocalizar árvores de médio porte, quanto mais abatê-las.

Haja coragem da câmara municipal para o fazer, pois é evidente que o problema nesta avenida não é das árvores, mas de quem se mantém por prolongadas horas sob as mesmas, prejudicando o comércio local.

Deixem as árvores em paz!  Precisamos bem delas para ter melhor ar na cidade. Estas reduzem drasticamente a emissão de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases poluentes. E está provado que a existência de árvores contribui para a redução de consumo energético.

Afinal pretende-se uma cidade ecologicamente sustentável, ou esta estará sujeita a pressões de ditos “populares”? O assunto nem merece discussão.

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1 COMENTÁRIO

  1. De tempos a tempos lá vêm os ataques às árvores tão típicos entre nós. Pobres de nós, portugueses, que passados tantos anos ainda não reconhecemos o valor da árvore em meio urbano, ao contrário dos países do norte que as protegem até às últimas consequências e só no limite de salubridade ou razão maior se desfazem delas.

    São de aplaudir estas palavras, porque dar a cara por estes seres e fazer frente à ditadura do automóvel e outros pequenos interesses que descobrem sempre motivos para culpar a árvore pelos seus problemas, não é fácil. Por vezes é pregar no deserto porque estamos todos demasiado desatentos ao que realmente importa. Ora são alergias, emsombramento, os passeios que retiram lugar ao automóvel ou o barulho das folhas. Enfim, um rol sem fim de razões que, de várias partes, pretendem justificar o abate e contribuir para a fealdade, empobrecimento do território e do ar que respiramos.

    Espero que prevaleça o bom senso e respeitemos a árvore que empresta a esta avenida toda a beleza que ostenta. Sem elas seria mais uma avenida qualquer.

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