Como tem sido estar nestes últimos três anos no lado da oposição?

Temos tentado ter o mesmo princípio e a mesma forma de estar de quando estávamos no executivo. O que temos tentado marcar é a lógica da oposição pela positiva e construtiva. Podemos trabalhar pela cidade estando na oposição com a consciência de que um dia os sanjoanenses vão voltar a apostar em nós. Temos feito um trabalho positivo e construtivo. Valorizamos a proximidade. É uma coisa que fazíamos no passado e continuamos a fazer agora que é estar próximo das instituições, ir aos locais e isso tem-se traduzido em muitas propostas que temos apresentado. Damos a nossa opinião sempre com o interesse de S. João da Madeira acima do interesse partidário. Mais importante que os partidos é a nossa terra.

De todas as propostas que apresentaram, qual destacaria pela sua importância?

Apresentámos propostas em vários momentos, algumas delas durante o orçamento,  outras durante o período normal.  Recordo-me da obra do Centro Coordenador de Transportes e da Casa das Associações, mas apresentámos muitas outras em termos de orçamento. Também apresentámos propostas de apoio aos bombeiros, dar o nome do falecido Alberto Batista ao Prémio 11 de Outubro e à aquela intervenção (pista de cross) que infelizmente nunca mais está pronta na zona do Orreiro e o Balcão de Inclusão. Apresentámos um pacote de propostas, algumas delas inovadoras, para a Educação. A Educação, curiosamente, foi a grande aposta no primeiro mandato do Dr. Castro Almeida, mas que depois se manteve. Foi sempre tendo “upgrades”. Nunca está tudo feito na Educação. É sempre possível fazer mais.  A proposta de revitalização do Parque dos Milagres, que pode ser por várias fases, já tem mais de dois anos e a câmara só agora solicitou que fôssemos lá ver o âmbito da intervenção. Já fizemos uma primeira visita, pedimos alguns elementos para podermos depois dar uma sugestão. A ideia era pensar o parque na sua totalidade. Está consolidado, mas tem ali questões que podem ser melhoradas.Queria também destacar a proposta que apresentámos que tem a ver com a iluminação pública, os leds e a visão para esse assunto. A nossa proposta era que a câmara renovasse toda a iluminação pública a cem porcento, mas também com o caráter de gestão automática da rede. A câmara decidiu fazer investimento por sua iniciativa, que era uma das hipóteses, devia era tê-lo feito a cem porcento e devia também ter colocado a parte da gestão. Aqui é que está a nossa grande discórdia em relação a este assunto. Outras propostas relevantes foram o apoio das refeições das Cantinas Sociais e ao Hóquei Patins para que consiga ir às competições europeias.

“Espero que a questão dos impostos não se coloque em ano de eleições”

Como classifica o desempenho do executivo socialista?

Acho que está claramente abaixo das expectativas. O que vou sentindo é que as pessoas achavam que neste momento iam ter muito mais coisas concretizadas do que têm. Há claramente uma falta de ambição. O que está a ser executado é o que já estava praticamente decidido pelo anterior executivo. Há pouca inovação nas propostas.O que me parece é que há aqui uma espécie de uma gestão corrente.Isto também se vê na execução dos orçamentos de 2018 e 2019 que a câmara previu gastar mais oito milhões de euros do que aquilo que gastou. A tendência que vinha do passado era que os orçamentos subiam, não baixavam. E baixaram por duas razões: queda de empréstimos e incapacidade de executar obra que já está financiada. Esta câmara tem as melhores condições dos últimos anos: uma dívida baixa, uma capacidade de financiamento garantida muito alta e está capacitada de meios em termos humanos para muitos dos projetos que são necessários. Quando chegámos à câmara tínhamos uma dívida gigantesca. As condições para fazer algumas coisas eram muito mais dificeis. Baixar a dívida, aumentar consideravelmente o investimento e baixar os impostos, coisa que nunca aconteceu neste mandato, foi a marca que deixamos à cidade. Espero que a questão dos impostos não se coloque em ano de eleições. Quando discutimos os impostos propusemos à câmara que devolvesse mais aos sanjoanenses em IRS porque a receita tem vindo a aumentar todos os anos.

Que marca este executivo está a deixar?

Uma marca de falta de liderança e de ambição. A questão é qual é o projeto novo e diferenciador que este executivo vai concretizar neste mandato.

“O estacionamento é uma peça fundamental na estratégia (da Praça) para alavancar outros investimentos”

Qual poderá vir a ser a obra deste mandato?

Estou preocupado com a obra no centro da cidade porque ela tinha uma estratégia. O centro da cidade é um centro comercial ao ar livre. Foi assim que olhámos para aquele espaço. Como olhámos para o Mercado de uma maneira diferente, com vários tipos de estudos e especialistas para moldar o conceito através da obra que está a decorrer agora, porque é suposto ser uma das âncoras da zona do centro. Por isso estou a falar de uma e doutra. O projeto anterior tinha muito mais mobilidade, mais estacionamento e equipamentos públicos de atração, por exemplo, um parque infantil, e poderia vir a ter outros. Aquele projeto anterior aprovado por unanimidade permitia cortar o trânsito e usufruir do espaço sem trânsito quando houvesse eventos e tinha sobretudo estacionamento de proximidade. O centro da cidade tem um conjunto de imóveis em que a maior parte das pessoas tem dois carros e um lugar de estacionamento. Portanto, a partir das sete horas é muito difícil estacionar. O que está a acontecer é que a câmara tem vindo a cortar estacionamento. O estacionamento é uma peça fundamental para que as pessoas possam depois aceder a outras coisas. Vemos isso noutros equipamentos que não são centros comerciais ao ar livre, mas fechados em que o estacionamento é uma questão fundamental. O estacionamento é uma peça fundamental na estratégia (da Praça) para alavancar outros investimentos.

 

Se o estacionamento é uma chave fundamental, porque é que os parques de estacionamento subterrâneos continuam subaproveitados?

Acho que estão subaproveitados porque a gestão não é integrada. Já tínhamos detetado essa questão. A questão do estacionamento era possível ser modernizada porque a câmara gere o aparcamento à superficíe. Hoje há soluções tecnológicas que permitem até uma relação com o comerciante porque há vales, etc. e a câmara já podia ter feito esse investimento. Não consigo compreender como é que esta obra não vai em conjunto com a concessão. Não faz sentido. A câmara decidiu fazer uma concessão, onde vai integrar o estacionamento à superficíe, subterrâneo e a construção de um parque novo. Podia e devia era ter feito tudo ao mesmo tempo porque uma coisa não funciona sem a outra. O próprio estacionamento que vai fazer é o reconhecimento disso mesmo. O estacionamento para ter a dinâmica tem que funcionar na íntegra, não pode competir entre si. Não somos contra a concessão. Estamos é preocupados por sabermos que vai existir uma diferença muito grande entre o tempo que vai demorar a obra e o tempo em que vai ser feita a concessão. Neste mandato não fica de certeza resolvida, isso é impossível.

“As piscinas são aquele projeto que os sanjoanenses já não conseguem perceber porque é que não se concretiza”

Qual a obra que ficará aquém do esperado neste mandato?

Acho que uma das coisas que estamos abaixo daquilo que é esperado é a piscina. O executivo prometeu em campanha eleitoral que iria fazer uma piscina, não disse que era o projeto que estava, mas a descrição do que lá está no programa é e não me parece que neste mandato vá acontecer alguma coisa.


Em entrevista ao labor nas autárquicas de 2017, disse: “Se for eleito presidente é para iniciar e concluir as piscinas”. Acha que era possível neste mandato?

Acho que era possível. Era preciso alguma capacidade para se conseguir concretizar esse projeto. A piscina tinha um financiamento comunitário. Na altura avisámos que se não aproveitássemos aquela oportunidade não iria tão cedo aparecer outra e tínhamos razão. Até hoje ainda não apareceu novamente financiamento comunitário para aquele tipo de equipamentos. A alternativa é a câmara poder executá-la com o seu próprio financiamento ou então arranjar outro tipo de solução. Muitos dos (socialistas) que estão agora no poder, em vários órgãos, estavam na oposição e votaram contra este projeto. Neste caso concreto o Partido Socialista não pôs o interesse de S. João da Madeira acima do interesse partidário. Devemos sempre elogiar o falecido Dr. Josias Gil que votou para que o projeto pudesse ser concretizado. Portanto, acho que as piscinas são aquele projeto que verdadeiramente os sanjoanenses já não conseguem perceber porque é que não se concretiza.

“Vi muitos outros municípios a tomarem medidas inovadoras e diferenciadoras (no combate à Covid)”

Acha que a câmara podia fazer mais no combate à Covid-19? Tendo em conta que já gastou 320 mil euros, mas prevê que o impacto no orçamento ultrapasse os 500 mil.

Sobre essa matéria apresentámos a nossa solidariedade com a câmara desde a primeira hora.Fizemos o nosso trabalho de casa e apresentámos um conjunto de medidas, penso que são 18 ao todo, que eram importantes para uma melhor resposta à Covid. Neste processo vi muitos outros municípios a tomarem medidas inovadoras e diferenciadoras. Acho que podíamos ter feito o mesmo, mas não me parece que tenha acontecido. Acho que em algumas medidas podíamos e devíamos ter ido mais longe. A questão aqui era ter apoiado mais gente. Apoiámos o comércio, a indústria e instituições com a isenção das tarifas na fatura da água. A nossa proposta era muito mais abrangente. Propusemos apoiar todos aqueles que tiveram quebra de rendimento comprovado e valorizar aqueles que estiveram na linha da frente. Era perfeitamente possível. Foi feito noutros sítios. Fizemos uma proposta do Afeto Digital que não consigo hoje entender porque é que a mesma não foi aprovada.

“O Turismo Industrial pode crescer a vários níveis precisa é de investimento e promoção”

O que acha da estratégia que tem sido adotada no Turismo Industrial (TI)?

O TI é um projeto pelo qual tenho um carinho muito especial porque trabalhei muito nele para que se concretizasse. Hoje é considerado um projeto de referência. Acho que o TI pode crescer a vários níveis, precisa é de investimento e promoção. Tem condições para crescer e ser uma resposta diferenciadora na área do turismo até porque vemos que estão a montar “projetos cópia” do nosso.  Não estou a dizer que não se tem feito nada, estou a dizer que para voltar a dar um salto como deu no seu início precisa desse caminho.

Paulo Cavaleiro junto ao terreno onde estão projetados novos edifícios da Sanjotec

“Já devíamos de estar a construir o S3 (edifício da Sanjotec) e estar a pensar no S4”

E na Oliva Creative Factory e Sanjotec?

Relativamente à Oliva Creative Factory (OCF) e à Sanjotec, o que queria dizer é que estamos a andar para trás porque já devíamos estar a construir o S3, se não estou em erro já havia até projeto porque estava em conjunto com o S2, e devíamos estar a pensar no S4. Perdemos o Tecnet que era uma marca a nível nacional na área tecnológica. A questão é dar resposta à dinâmica que aquelas empresas ou outras possam trazer. Gerir a Sanjotec e a OCF não é uma gestão de condomínio. É preciso estar sempre com ambição de fazer mais e aproveitar o potencial que fomos criando. Acho que é preciso ter foco e liderança nestes processos para estarmos na linha da frente. E aproveitar oportunidades que vão surgindo e podem surgir. Se há área onde a câmara tem que olhar com muita atenção é para essa área. Na Oliva havia um conjunto de dinâmicas que estavam a acontecer em relação àqueles espaços que não me parece que tenha havido novos desenvolvimentos. Somos uma cidade tradicionalmente industrial, construímos uma componente de sermos criativos e tecnológicos e devemos usar esse potencial para dinamizar toda a área empresarial e industrial de S. João da Madeira. Neste momento a competição entre os territórios é muito grande. Se não estamos atentos, não acompanharmos o que está a acontecer, podem ou não se concretizar coisas novas ou até perder algumas das que temos.

O Paulo é o primeiro autarca do PSD sanjoanense a estar numa Comissão Política Nacional do Partido dos ASD. Que contributo ou influência tem tido em políticas relacionadas com as autarquias locais?

Tenho um papel um bocadinho diferente dos autarcas que estão neste órgão e são do executivo. Faço ali muitas vezes um papel de equilíbrio de olhar um bocadinho pela ótica da oposição. Faço por estar presente. Para cumprir o nosso mandato é preciso estar presente. Não me lembro de ter faltado a nenhuma reunião até agora. E partilhar. É importante porque fico a perceber de contributos e de outras realidades de autarcas do país inteiro. Só não tem das ilhas porque têm organizações próprias. Depois permite receber um conjunto de informação que nos mantém “atualizados” relativamente a muitos dos processos. Por exemplo, no âmbito da Covid foram tomadas ene iniciativas legislativas que tiveram um impacto na vida dos municípios. É um fórum onde ganhamos porque depois posso transmitir essas ideias na câmara ou noutros órgãos.

“Ainda é muito cedo para se falar (de candidatura às próximas eleições autárquicas)”


Se dependesse só de si, voltaria a ser candidato pela coligação PSD/CDS-PP nas próximas eleições autárquicas em 2021?

Nuno Santos Ferreira

Esse é um assunto que ainda é muito cedo para se falar. Quero cumprir o meu mandato. Quer eu, quer a Dr.ª Fátima Roldão estamos a cumprir o nosso mandato. Provavelmente o mais fácil quando não se ganha uma eleição é sair. Acho que posso dar um contributo positivo colocando na mesma sempre S. João da Madeira acima do interesse partidário. Sempre que se colocar uma decisão que possa ser importante para S. João da Madeira, estou do lado de S. João da Madeira independentemente de ser melhor ou pior para esta ou aquela estratégia política do meu partido. Claro que posso lutar dentro do partido para que aquilo que acho que é o que está certo se defenda, mas se for preciso ser diferente também não coloco de fora essa hipótese. Ainda agora tivemos deputados que tomaram uma posição diferente em relação aos debates quinzenais. Recordo-me que quando era deputado na Assembleia da República,  num projeto de resolução sobre o nosso Hospital se não me dessem autorização de votar diferente iria desrespeitar a orientação da bancada.

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