No último fim de semana a Sanjoanense cumpriu um objetivo assumido há várias épocas e 33 anos depois garantiu o regresso ao escalão principal do andebol nacional. Após uma derrota no jogo inaugural na liguilha de acesso, frente ao Póvoa, que se junta ao conjunto de S. João da Madeira na subida ao Campeonato Placard Andebol 1, a vitória na segunda partida, diante do Almada, assegurava a presença dos alvinegros na maior prova nacional de clubes, um feito que para o responsável pela secção, José Pedro Silva, é o resultado do “trabalho de diversas pessoas, de vários anos de altos e baixos e de muita persistência”. “A minha vontade e da minha equipa não chega. Foi necessário o apoio de patrocinadores e do município”, acrescenta o dirigente, que define a conquista como uma “vitória da cidade”. “É um trabalho de voluntariado em prol da cidade e do desporto, que muitas vezes não é reconhecido. Estes êxitos alimentam e renovam as nossas energias, mas o mais difícil é quando atravessamos momentos de insucesso em que não temos apoios e temos de nos automotivar. A multidão que nos recebeu, as mensagem de apoio nas redes sociais e os telefonemas dão-nos uma energia capaz de nos fazer voar”, explica José Pedro Silva, recordando que viu a Sanjoanense competir na 1.ª Divisão Nacional precisamente no ano em que se iniciou no andebol. 33 anos depois, o clube está de regresso ao principal campeonato da modalidade, objetivo assumido no início da época e que acabou confirmado ao longo do último fim de semana com a Sanjoanense a garantir uma das duas vagas. A preparação para a liguilha de acesso iniciou-se um mês antes com a realização de 10 treinos semanais e um total de seis jogos, todos com adversários da 1.ª Divisão. “A equipa foi montada com o objetivo claro de ficar nos dois primeiros lugares da liguilha e a preparação foi encarada por todos com o máximo de seriedade”, explica José Pedro Silva, que apesar do “sentimento de trabalho de casa cumprido”, reconhece algum “nervosismo”, pois para além da longa paragem da competição, a equipa apresentava-se com dois dos principais reforços lesionados. O sorteio acabaria por ditar o confronto na jornada inaugural entre os dois principais candidatos, jogo que os alvinegros acabariam por perder por três pontos. Apostando tudo no segundo encontro e ciente de que uma vitória por quatro golos seria suficiente para garantir a subida a Sanjoanense defrontou o Almada apenas com esse objetivo em mente e no final a euforia tomava conta de todo o grupo de trabalho, que via confirmado o regresso à elite do andebol nacional 33 anos depois.

De volta ao principal campeonato a meta passa agora por “estabilizar a equipa em termos operacionais”. “A organização dos jogos de 1.ª Divisão exige imensos recursos e neste momento de pandemia queremos transmitir todos os jogos. Na liguilha tivemos cerca de 6.000 ligações por jogo, ou seja, tivemos mais adeptos do que nos jogos presenciais. É, portanto, obrigatório transmitir os jogos. O plantel a 100% dá-nos garantias de lutar de igual para igual com qualquer equipa abaixo do quinto lugar e é isso que vamos fazer, mas o objetivo classificativo é a manutenção. Temos um dos orçamentos mais baixos da 1.ª Divisão, mas temos um plantel muito bom e equilibrado”, esclarece o dirigente, que gostaria de ver a equipa consolidar-se no principal campeonato nacional, pelo que se mantém a procura de apoios e patrocinadores. A estreia na 1.ª Divisão acontece já no próximo dia 12 de setembro com a Sanjoanense a receber, no Pavilhão das Travessas, o Artística de Avanca, jogo que os alvinegros pretendem vencer. “Vamos jogar com o objetivo de entrar já com uma vitória. A equipa está motivada e eu estou muito confiante, tanto para este encontro como para o campeonato”, sublinha José Pedro Silva, que acredita que os alvinegros podem-se revelar “um caso sério” na competição se a equipa conseguir manter a estabilidade e com a recuperação dos atletas lesionados.

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