Qual o balanço do último ano letivo? Tendo em conta que metade do ano foi vivido com “normalidade” e o restante ao ritmo de adaptação a uma nova “realidade”.

Contrariamente àquilo que diziam, que tudo ia parar, que as escolas iam fechar e que não voltariam a abrir ao longo do ano letivo, que tudo iria ser completamente desacompanhado a nível dos professores, porque não havia condições para esse acompanhamento, acho que todos tivemos a perceção clara de que os professores não abandonaram os seus alunos, que houve um trabalho que, embora difícil e muitas vezes sem ter obviamente as melhores condições, foi feito. É sempre bom referir que de uma sexta para uma segunda-feira tudo se organizou por forma a que os alunos nunca ficassem sozinhos com aulas à distância. A câmara municipal tem isso em consideração e eu, muito particularmente ligada à área da Educação, não me canso nunca de agradecer o papel que foi feito e o desempenho que foi realizado por parte de todos os professores e educadores que nunca abandonaram os seus alunos. Fizeram o reporte de todas necessidades que na altura existiam, que eram muitas, porque ninguém estava preparado para este tipo de situação. Embora no programa do Governo já existisse uma área que tinha a ver com uma programação da transição digital, aquilo que aconteceu foi que houve assim de forma abrupta essa necessidade. Na altura lembro-me que quase todos os dias falava com os diretores dos agrupamentos no sentido de fazer o levantamento dessas necessidades e dificuldades e aquilo que notava é que cada um deles, mesmo à distância, estava a fazer aquilo que era o melhor para que os alunos, particularmente os mais necessitados, não ficassem abandonados. Resumindo e concluindo, contrariamente àquilo que diziam os arautos da desgraça, acho que este ano letivo, dentro daquilo que havia de imprevisibilidade e de que gerou em termos de ansiedade em termos de lidar com uma situação completamente nova, desconhecida e assustadora, os professores estiveram fantasticamente bem, os educadores mostraram que são capazes de trabalhar mesmo com as crianças mais pequenas à distância e acho que foi uma aprendizagem muito grande para todos e que com certeza nunca vai ser esquecida por ninguém. Acho que este processo contribuiu para que os professores valorizassem o papel das famílias e as famílias valorizassem o papel dos professores.

“Por muito que nos custe aquilo que neste momento é importante é a saúde”

Esta nova “realidade” também traz mudanças já no dia 14 de setembro quando se inicia o novo ano letivo. Quais as principais alterações que vão ser sentidas nas escolas?

Temos orientações da Direção-geral da Saúde (DGS) e do Ministério da Educação que terão de ser seguidas porque por muito que nos custe aquilo que neste momento é importate é a saúde. Para já, a regra é que as escolas iniciem em regime cem porcento presencial. O que poderá acontecer é que haverá necessidade de desencontrar os horários, quer de entrada, quer de intervalos e quer também das refeições para evitar o cruzamento e a junção de grandes grupos.

Neste momento, embora estejamos todos preparados para iniciar o regime cem porcento presencial com todas as crianças e todos os jovens nas escolas, cumprindo as regras de distanciamento, de limpeza e de higienização dos espaços, sabemos que, face à evolução pandémica, de aulas presenciais poderemos partir para um sistema misto ou então apenas um sitema de aulas à distância. Isto terá sempre que ser validado pelo Ministério da Educação e também por parte do Delegado de Saúde de cada concelho. Pode muito bem acontecer. Acho que é muito bom que as pessoas estejam consciencializadas para isso.

 

O que acha da organização semestral?

É uma medida que considero muito importante e que se vai refletir também de forma muito positiva. Em vez de três períodos passarão a existir dois semestres, mas isto vai-se refletir no ensino e na aprendizagem das nossas crianças de forma que tem de ser tida em consideração por todos aqueles que vão estar envolvidos no processo. O que se pretende não é somente dividir o ano em dois semestres, mas permitir que a avaliação seja encarada de forma diferente porque o facto de existir este tipo de separação do tempo vai obrigar a que haja um respirar naquilo que é a parte da avaliação quer dos alunos, quer dos docentes. Acho que todos vão ter consciência das efetivas vantagens deste processo de organização semestral. Aquilo que me descansa também é saber que existirá uma equipa que vai acompanhar e monitorizar todo este processo e que se alguma coisa não correr tão bem quanto àquilo que gostaríamos que corresse com certeza que se dará um passo para trás para depois dar dois à frente.

“Face à evolução da situação pandémica, de aulas presenciais poderemos partir para um sistema misto ou de aulas à distância”

As creches e o pré-escolar reabriram no dia 1 de junho. Como tem corrido?

Aquilo que está a acontecer, aqui, em S. João da Madeira é que esse apoio existiu sempre desde a reabertura das aulas em junho e que continuou até agosto. Sabemos que o facto de ter existido essa reabertura das aulas em junho contribuiu para serenar aquelas famílias que de certa maneira tinham necessidade imperiosa de utilizar esse recurso e tudo aconteceu com normalidade e com naturalidade. De junho a agosto não houve casos Covid nas escolas. Se eles vierem, sabemos que isto é perfeitamente normal que venha a acontecer, creio que todas as escolas estarão preparadas para saber lidar da melhor forma no enfrentar dessas situações.

Antes de junho tiveram algum caso Covid nas escolas?

De que tivesse conhecimento não.

Tendo em conta toda a adaptação que tiveram de fazer a meio do ano letivo anterior, caso venha a existir a necessidade de passar ao sistema misto ou de aulas à distância, acha que estão melhor preparados para enfrentar estas realidades alternativas?

Claro. Sem dúvida. Foi uma aprendizagem que aconteceu nestes últimos meses e que de certa maneira se vai repercutir de forma positiva naquilo que poderá acontecer no futuro. Estamos a lidar com algo que é completamente alheio à nossa vontade e que é imprevisível. Não temos ainda uma solução em termos de vacina. Portanto, temos de saber lidar com esta situação, temos de ter plena consciência de que não podemos parar, porque a sociedade não pode parar, porque a economia não deve parar, porque precisamos de viver e de saber viver da melhor forma com isto que nos está a acontecer. E ninguém pode ficar impune a este sentimento, mas é preciso também ter o reconhecimento da importância que a escola, como sistema educacional, tem neste processo.

“Aquilo que se passava fora da sala de aula já não se pode passar da mesma maneira”

Enquanto professora como encara este regresso à escola que é um espaço de ensino, mas que devido às regras impostas perderá um pouco da sua identidade?

Volto a salientar que neste momento estamos a lidar com um imperativo que é a saúde. Sabemos que as regras que existem vão fazer com que as realidades sejam diferentes daquilo que eram no ano passado, há dois anos ou nos anos anteriores. Sabemos que a escola é um lugar de socialização, onde se privilegiam os contactos, onde eles acontecem. Sabemos que na escola existe o currículo que é aquilo que vem nos manuais, nos programas, aquilo que é feito sob orientação do professor e sabemos que existe o currículo oculto e esse currículo oculto é aquele que resulta das interações entre todos no espaço escolar. Aquilo que se passava fora da sala de aula já não se pode passar da mesma maneira. Isto tudo vai ser anormal dentro de uma normalidade que sabemos que não podemos esquecer que existe. Vai ficar tudo bem, não sabemos quando, e vai ficar diferente.

Ainda não será este ano que será implementada a uma hora de educação física por dia para alunos do 1º ciclo?

Não. As Divisões de Educação e de Desporto da câmara municipal reuniram várias vezes. Eu, a vereadora do Desporto, os chefes de divisão (Educação e Desporto), tínhamos esse esquema montado que era perfeitamente exequível e que ia ao encontro das necessidades daquilo que era preconizado pelo senhor presidente que o referiu várias vezes em campanha e ao longo do mandato. Envolveríamos as várias associações desportivas. Estávamos com um entusiasmo muito grande porque já vínhamos a falar disto desde o ano passado. Retomamos as reuniões logo no início do ano letivo 2019/2020, fizemos auscultação aos alunos sobre as atividades que frequentavam e as que gostariam de frequentar, às várias associações que poderiam trabalhar connosco a partir de um protocolo que faria parte do contrato programa. Estava tudo preparado. A Covid veio e com certeza nos obrigou a pensar e a programar de forma diferente. Infelizmente, neste ano letivo 2020/2021, não sei se poderemos avançar com aquilo que estava delineado nesse projeto.

Uma hora por dia de atividade física não deverá ser posta em prática este ano

Tendo em conta que este será um ano marcado pelas limitações, quais as atividades educativas tradicionais que ficarão por fazer?

Nuno Santos Ferreira

Depois de dialogar aqui, internamente, e posteriormente com as várias direções dos agrupamentos, tomámos a decisão de que o Projeto Educativo Municipal (PEM) do ano anterior vai manter-se para este ano. Na certeza, porém, de que vamos privilegiar as atividades à distância. Haverá atividades que não sei se se poderão realizar e outras que dificilmente o serão, nomeadamente o Carnaval. Ontem (dia 3 de setembro) mesmo em reunião que tive com os diretores dos agrupamentos das escolas abordámos este assunto, mas neste momento o que podemos dizer? Gostaríamos que o Carnaval acontecesse, mas não sabemos se existirão condições efetivas que propiciem que tal aconteça. Todas as atividades do PEM terão de ser pensadas a curto prazo. Se há condições, avançarão. Se não há condições, não poderão avançar.

Qual o ponto de situação do Programa Fruta Escolar? Esperado no ano letivo anterior, mas sem concretização até então.

Neste momento, a informação que lhe posso dar é que efetuámos a candidatura. Essa candidatura foi submetida em julho, no final de julho (2020), e gostaríamos muito que acontecesse este ano que vai agora iniciar. O ano (letivo) passado não aconteceu porque era precisamente em março (2020) que tínhamos a primeira entrega e tudo ficou sem efeito (devido à Covid), mas queremos muito avançar com esse projeto de Fruta Escolar porque consideramos que é muito importante incutir nas nossas crianças o hábito de comer fruta fresca. Vai ser implementado este ano letivo ou pelo menos assim espero. É uma questão de educação, é ensinar as nossas crianças a gostar daquilo que é saudável e estamos com muita vontade de ter a possibilidade de o iniciar.

“Haverá atividades que não sei se se poderão realizar e outras que dificilmente o serão, nomeadamente o Carnaval”

O TUS gratuito para todos os alunos das escolas sanjoanenses foi uma das medidas tomadas por este executivo. Tendo em conta a limitação do número de pessoas nos transportes, vão ter de aumentar o número de viagens por dia?

Isso está neste momento a ser avaliado e a ser feito um levantamento pela Divisão de Educação junto dos agrupamentos para perceber quais são as efetivas necessidades. Na certeza de que a câmara terá de dar as respostas que forem necessárias em função das necessidades dos nossos alunos e das famílias. Vamos manter essa disponibilização de serviço. Se existir necessidade de fazer com que haja alguma alteração quer em circuitos, quer em horários, vamos ter de tratar dessa situação.

É oficial que as escolas de 1º ciclo estão livres de amianto neste novo ano letivo?

Sim. Foi uma medida extraordinária que considero que este executivo teve. Uma medida muito importante para a saúde de todos nós, muito particularmente daqueles que estão em cada um dos estabelecimentos de ensino onde isso já não acontece. Estamos neste momento ainda a fazer o tratamento de algumas patologias na escola do Parque que esperemos que fiquem resolvidas dentro de pouco tempo. Mas as estruturas de amianto já foram todas substituídas. Todas as escolas da responsabilidade do Município estão livres de amianto.

“Todas as escolas da responsabilidade do município estão livres de amianto”

Já está operacional a plataforma educa?

Neste momento a empresa está a inserir os dados referentes a este ano letivo 2020/2021. Sabemos que vai ser uma aplicação muito importante e que de certa maneira mudará o paradigma de comunicação entre as escolas, os alunos e os pais. Também está a decorrer formação para os profissionais da Educação que trabalham na Divisão de Educação na câmara municipal e para os assistentes operacionais de todas as escolas do concelho de S. João da Madeira. Assim que este trabalho de formação estiver pronto e assim que a plataforma tiver a inserção de todos os dados correspondentes aos alunos que frequentam o sistema de ensino da pré e do 1º ciclo, vamos fazer uma apresentação para toda a comunidade num espaço que será público, mas que ainda não está devidamente programado. Não nos podemos esquecer que no início vai ser muito importante o apoio que os professores e os educadores vão dar para que esta plataforma arranque em pleno e para que efetivamente se reflita numa utilidade e numa mais-valia para todos.

Sente um peso acrescido nas suas funções por ser vereadora da Educação que é a “menina dos olhos” do presidente?

Por um lado, há um acréscimo daquele sentimento de responsabilidade. Mas, por outro lado, também me descansa porque acho que se criou logo uma empatia com o senhor presidente. Acho que por isso é que estou no lugar que ocupo neste momento porque percebi essa sensibilidade e a importância que ele dá à área da Educação. Isso vê-se em tudo aquilo que ele faz no dia a dia, a forma como responde às solicitações, quer minhas, quer também das escolas. Acho que ele deve o único presidente do país que faz parte de um Conselho Geral. O Conselho Geral das Escolas, o senhor presidente está em todos eles comigo, é o órgão nobre de todos os estabelecimentos de ensino ou agrupamentos de escola que define as políticas orientadoras. Portanto, o facto dele se disponibilizar para integrar o Conselho Geral, acho que isso de certa maneira já reflete a importância que o senhor presidente dá à área da Educação. É um presidente que acho que realmente deixa a marca na Educação.

“Pela primeira vez temos docentes de várias outras regiões do país e de vários países de língua oficial portuguesa”

As Jornadas da Educação deste ano vão ser apenas online. Foi uma decisão imediata?

Sabe que tive muitas dúvidas no início. Eu era a pessoa que tinha dúvidas aqui porque a Divisão de Educação estava certinha de que temos de partir para o virtual. Foi difícil convencer-me. Tive dúvidas porque privilegio o presencial. Acho que dentro daquilo que era possível, cumprindo as regras que fossem implementadas, iria partir para o misto (presencial e digital). Então convenceram-me que fosse tudo online.

Quantas inscrições já receberam?

Até ontem (dia 3 de setembro) 2.235 inscrições. Este número supera as nossas mais elevadas expectativas. Pela primeira vez temos docentes de várias outras regiões do país e de vários países de língua oficial portuguesa. O evento vai ser transmitido através de uma plataforma em direto no canal do youtube da Câmara Municipal de S. João da Madeira. Creio que vai ser um evento extraordinariamente importante. O painel de oradores é muito bom. Neste momento tenho de me render às evidências. Foi uma boa opção. Em detrimento daquele benefício que poderíamos ter alguns contactos pessoais, de nos podermos ver uns aos outros, mesmo cumprindo as regras, acho que vamos partir para um modelo que de certa maneira possibilita que muitas pessoas ligadas à educação possam assistir em direto a este evento. Estou com muitas expectativas mesmo. Acho que será uma marca que será deixada nas 11ª Jornadas de Educação.

Voltar a assumir este cargo “não está, neste momento, dentro do âmbito das minhas preocupações”

Qual o balanço de três anos como vereadora da Educação?

Sou uma pessoa insatisfeita por natureza. Nunca me dou por satisfeita por aquilo que faço. Sinto que a minha missão está a ser cumprida porque todos os dias que me levanto, o foco que tenho é isto que neste momento estou a fazer. O facto de ser vereadora, neste caso da área da Educação, aqui, da Câmara Municipal de S. João da Madeira, preenche-me em completo em termos profissionais. Neste momento entrego-me ou tento entregar-me, tento ser atenta, sensibilizar-me para os problemas que me são apresentados, tento encontrar e apresento soluções, que são trabalhadas em conjunto com o gabinete do senhor presidente e com a Divisão de Educação.

Nuno Santos Ferreira

E tem feito tudo aquilo que ansiava?

Não. Vou tentando. Todos os dias encaro esta minha profissão, que não é profissão, é uma missão, como uma entrega em absoluto. Tento fazer tudo aquilo que é possível dentro do que é possível. Tenho a plena noção de que há muita coisa a fazer. Mas também tenho plena consciência de que já se fez muito até aqui.

Se tiver oportunidade, volta a assumir este cargo no próximo mandato?

Prefiro não responder a essa pergunta face à imprevisibilidade que neste momento estamos a viver e que de certa maneira me obriga a estar muito focada num presente e num futuro muito próximo. Isso que me perguntou não está neste momento dentro do âmbito das minhas preocupações. Aquilo que neste momento me preocupa é fazer um serviço à comunidade sanjoanense de acordo com as suas expectativas, preparando-me para o pior e fazendo sempre o melhor que puder dentro das condições que realmente me são prestadas.

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