De quase psicóloga a concertinista 

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Patrícia Pereira nasceu “para ser artista” 

 

Patrícia Pereira ainda frequentou o curso de Psicologia na Universidade de Coimbra, mas não passou do terceiro ano. Em 2004, ao ingressar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, começou a contactar com a Tuna Académica e com o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) e, de repente, “deu-se o clique”.

Esta sanjoanense tinha “18,19 anos” quando, “na sala da Tuna, havia uma concertina velha e desafinada” em que pegou por brincadeira, mas com a qual ficou “para aí três horas nas mãos”. “Não é que tocasse alguma coisa, mas aquele fechar e abrir o fole, aquelas notas a saírem estavam a absorver-me de tal forma que, com o passar do tempo, pedi para afinarem aquela concertina”, contou à nossa reportagem, acrescentando que, na altura, “já ouvia bastante Yann Tiersen, Rodrigo Leão, Madredeus e comecei a brincar com os arranjos dentro destas dinâmicas”.

Foi, pois, em Coimbra que contactou pela primeira vez com a concertina, da qual nunca mais se separou. Mas verdade seja dita: o gosto pela música já lhe corria no sangue.

“A música surge na minha vida por influência genética”, confidenciou à nossa reportagem a jovem concertinista, recordando que, “com 11, 12 anos, quando chegava a casa, fechava a porta do quarto à chave, abria o armário onde tinha o espelho, punha a música no máximo e começava a dançar”.

Para além disso, “na escola, nas festinhas de Natal e de final do ano letivo, adorava fazer as coreografias. Eu era a narradora das peças de teatro. Gostava de colocar a voz”. Ou seja, já naquela altura havia “sinais” do que Patrícia Pereira, agora com 34 anos, poderia vir a ser no futuro.

Aliás, ela própria contou ao labor que “gostava de seguir dança contemporânea” quando foi para a faculdade, mas a família, no seio da qual já havia “primas” médicas, economistas, etc., acabou por dissuadi-la. “Tentaram me ‘moldar’”, se bem que foi por pouco tempo.

Patrícia Pereira, que nunca tinha tido formação musical anteriormente, teve aulas, durante três anos, com Amadeu Magalhães, que era professor no GEFAC e que também foi músico de Dulce Pontes. “O Amadeu puxava muito pela aprendizagem daquele reportório mais típico, mais português. Eu aproveitei todas as bases. Mas, para mim, a concertina conseguia fazer muito mais! Ou então era eu que inconscientemente me identificava mais com o clássico, com o folk, com as danças tradicionais europeias”, referiu a artista, que acabou por aproveitar “a bagagem do professor Amadeu Magalhães” para, então, iniciar uma carreira artística.

Ainda antes de desistir da faculdade, Patrícia Pereira pensou em fazer o curso de Musicoterapia. “Mas, depois ao tocar, fui-me apercebendo que me sentia realizada como música, a tocar com os colegas, sozinha”.

Para trás, ficou, assim, o curso de Psicologia, porque o tempo não dava para tudo. A concertinista tocava “seis, sete horas por dia” e começou a ter “os primeiros convites da câmara de Coimbra para fazer uns temas”.

“Man & Bellas” foi o seu primeiro projeto musical. Mais tarde, também integrou um projeto em Lisboa, onde acabou “por ficar quatro anos com a Madalena Vitorino, que foi minha diretora artística”.

Atualmente, tem já um CD – “sem palavra” -, que conta com alguns dos seus temas originais.

“Adoro tocar na rua”

Patrícia Pereira nasceu “para ser artista”, mas também para “tocar na rua”. Tanto que, como garantiu ao nosso jornal, “se chegasse ao expoente máximo televisivo ou de algum trabalho” não deixaria a rua.

“Trabalhar na rua deu-me um traquejo, que nem imaginas! Porque a rua é um palco aberto: tanto lidas com pessoas queridas, como com pessoas que dizem bacoradas”, descreveu.

Hoje em dia, toca em casamentos, inaugurações de lojas, entre outros eventos, assim como trabalha com poetas, atores e bailarinos. Mas é na rua que se sente realizada: “Há muito tempo que toco nas ruas de grandes cidades, entre as quais o Porto. Encontram-me na Rua das Flores, Rua de Cedofeita, Rua de Santa Catarina”.

Foi a “Estela”, a percussionista do “Man & Bellas”, que lhe deu a ideia de ir tocar na rua. Patrícia Pereira tinha “para aí 21 anos”. Inicialmente, achou a ideia absurda, mas depois lá foi tocar, a medo, sempre a olhar para o chão. “Estive ali duas horas, que renderam 47 euros. Tudo em moedas”, relatou.

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