Moradora da Rua Oliveira Júnior recebe embalagem estranha 

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Por correio

 

Joana Costa não sabe o que recebeu em casa, via postal, no início da semana passada: se foram as tão propaladas “sementes misteriosas vindas da China”, missangas – no embrulho vinha escrito ‘beads’ (missangas em Inglês) – ou outra coisa. Só sabe que não fez “qualquer encomenda”, como garantiu ao labor, e, tendo em conta as últimas notícias vindas a público, preferiu “jogar pelo seguro”.

Não pôs o que quer que fosse ao lixo e contactou as autoridades. Primeiro, falou com a Guarda Nacional Republicana. Depois, com a Polícia de Segurança Pública, que a aconselhou a enviar por correio a estranha embalagem, supostamente oriunda de Malta, como se pode ver na foto, para um serviço regional da Direção-geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Inicialmente, esta moradora da Rua Oliveira Júnior não queria tornar público o que lhe havia sucedido, mas, depois de trocar impressões com uma conhecida, achou por bem fazer uma publicação na sua página do Facebook. “Não para criar alarido, mas apenas para alertar as pessoas para que se receberem algo assim estranho não abram e contactem as autoridades”, disse ao nosso jornal.

Joana Costa não faz ideia se se trata de “bioterrorismo” ou de “uma campanha de marketing aguerrido”, como tem sido divulgado. Se bem que está inclinada para a segunda hipótese, uma vez que, durante o período de confinamento, “fiz uma encomenda na plataforma Wish, que vende produtos da China”. E a ser verdade esta sua suspeita, “houve partilha de dados sem o meu consentimento”, lamentou.

Ministério da Agricultura alerta: sementes não devem ser semeadas ou colocadas no lixo

A ser sementes o que recebeu, Joana Costa junta-se a outros portugueses a quem também isto aconteceu. Aliás, ainda não há muitos dias, o Ministério da Agricultura alertou, numa nota divulgada pela DGAV, “para o envio, por via postal, de pequenos pacotes de sementes, não solicitados, provenientes de países asiáticos”. Situação que também estava “a ser reportada em vários países da União Europeia e por países terceiros”.

Ainda de acordo com o Ministério da Agricultura, para além das sementes de várias espécies, as embalagens podem conter solo, larvas mortas ou estruturas de fungos. O conteúdo não aparece especificado nem as embalagens são acompanhadas por um certificado fitossanitário que ateste as exigências do país, acarretando assim “sérios riscos do ponto de vista da sanidade vegetal, pela possibilidade de veicularem pragas e doenças ou ainda pelo perigo de se tratarem de espécies nocivas ou invasoras”.

Neste sentido, as sementes não devem ser semeadas ou colocadas no lixo, mas entregues num serviço regional da DGAV ou numa Direção Regional de Agricultura e Pescas.

“Caso não seja possível a entrega em mãos, agradece-se que estas sementes sejam enviadas, com a embalagem original, incluindo a etiqueta de expedição, para a DGAV (Campo Grande 50 – 1700-093 Lisboa), devendo ser indicado um contacto tendo em conta a eventual necessidade de recolha de esclarecimentos adicionais”, referiu o Governo ainda a propósito.

Note-se que, segundo vários meios de comunicação internacionais, também moradores de vários estados norte-americanos receberam pacotes provenientes da China sem o terem solicitado.

Contactado pelo nosso semanário, o comissário da PSP disse ter conhecimento que, de facto, uma pessoa de S. João da Madeira se dirigiu à esquadra no sentido de saber para onde remeter uma embalagem que tinha recebido via postal. Segundo Hélder Andrade, em situações como esta, “é um dever cívico dos cidadãos remeterem de imediato o que recebem para as autoridades competentes”.

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