Mas enquanto não concretiza este seu anseio será, já em outubro, a primeira instituição em Portugal a receber “mulheres africanas com filhos, que fizeram a travessia em barcos humanitários”

 

“A confiança, motivação e competências profissionais já temos. Faltam-nos a capacidade financeira e as instalações adequadas”, disse Joana Correia ao labor a propósito de um projeto de acolhimento residencial de jovens refugiados não acompanhados que o Centro Humanitário de S. João da Madeira (CHSJM) da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) quer “abraçar”.

A ideia é “continuar a trabalhar mais e mais junto deste público [refugiados]”. “Trabalho árduo e de excelência” que, aliás, já lhes valeu uma visita da secretária de Estado para a Integração e as Migrações e da Alta-Comissária para as Migrações. E, ao mesmo tempo, pretendem “ir ao encontro do compromisso de Portugal em receber 500 jovens nestas condições até ao final deste ano”.

Para além de, obviamente, dinheiro, “precisamos de um espaço com capacidade para 25 jovens e estamos a unir esforços para o conseguir junto da câmara municipal, da Cruz Vermelha Portuguesa e do Alto Comissariado para as Migrações”, adiantou a diretora do CHSJM, acrescentando que “já há um centro destes, o primeiro em Portugal, da CVP de Lisboa”.

A concretizar este seu anseio, o Centro Humanitário de S. João da Madeira será, pois, a segunda estrutura da CVP a receber 25 refugiados não acompanhados, com idades até aos 18 anos. Falamos de adolescentes e jovens “sem família ou que, por alguma razão, ‘se desconetaram’ dos laços que os ligavam à família e com problemáticas relacionadas com ansiedade, stress pós-traumático, algumas adições”, etc., como descreveu Joana Correia.

Dois refugiados vão ingressar no ensino superior

O Centro Humanitário de S. João da Madeira é a estrutura da CVP que acompanha mais refugiados no país. Neste momento, tem sob sua alçada 23, aos quais se juntarão mais 11 já no próximo mês.

Dos que já estão a ser acompanhados, destaca-se uma família síria de 13 elementos, dividida por três agregados: um casal de meia idade; um casal com dois filhos pequenos; e um casal com quatro filhos (dois jovens adultos e dois gémeos adolescentes), que trouxeram consigo a mãe de um dos elementos do casal, uma senhora com idade bastante avançada.

Segundo Joana Correia, estão em S. João da Madeira desde o passado dia 28 de novembro e a sua “integração está a correr muito bem”.

Todos continuam “a aprender Português”. No caso dos mais novos, “estão integrados na escola em S. João da Madeira”. Já os dois jovens adultos, vão ingressar no ensino superior a 6 de outubro. “Vão frequentar a Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia”, completou a responsável diretiva.

Família monoparental “cuja adaptação a Portugal não tem sido fácil”

A cargo da delegação local da CVP, está ainda uma família monoparental composta por uma mãe e dois filhos adolescentes. “Estão em ‘phasing out’, o que significa que faltam menos de seis meses para terminar o programa [de recolocação e reinstalação de refugiados]”, explicou Joana Correia ao nosso jornal, acrescentando que, “infelizmente, esta é uma família cuja adaptação a Portugal não tem sido fácil, talvez devido à fragilidade associada a uma mulher muçulmana viúva”.

De qualquer modo, e fruto do trabalho que o CHSJM tem feito, “conseguimos combater alguns hábitos pouco saudáveis que a família tinha – e que estavam associados à excessiva problematização das situações, ao absentismo escolar, dificuldade em tomar decisões, etc.”, referiu a líder da direção.

À procura de emprego!

Joana Correia também falou ao labor de uma família que ainda apoiam “com habitação e alimentação, mas cujo programa já terminou em julho”. “Neste momento, estão em mudanças para uma habitação social da Habitar”, prosseguiu.

Ao todo, são sete pessoas: um casal com vários filhos (três são apenas da senhora, fruto de uma anterior relação e um deles – uma criança de 4 anos – é do atual casal). Além disso, uma das filhas mais velhas da mulher também já tem um filho.

De acordo com Joana Correia, o homem encontra-se a trabalhar numa empresa de cortiça fora de S. João da Madeira, há já vários meses. As crianças e os jovens estão integrados na escola. E as mulheres estão à procura de emprego. “Estão numa situação estável, principalmente agora que integrarão habitação social e não terão encargos com uma renda”, considerou a diretora, para quem esta é “uma família muito querida, responsável, que nos deixou muito felizes por todo o percurso que teve durante o programa e que agora vemos ‘ganhar asas’ com muito orgulho”.

Centro Humanitário receberá novos refugiados em outubro

Em outubro, vamos receber uma família de cinco elementos do Iraque (um casal com três filhos) e vamos ser pioneiros em Portugal no acolhimento de mulheres africanas com filhos, que fizeram a travessia em barcos humanitários, em situação de extrema vulnerabilidade associada a stress pós-traumático”, avançou Joana Correia, dando nota que “não falam nenhuma língua ocidental, apenas dialetos”.

Entretanto, “já temos dois imóveis prontos a serem ocupados” por estes agregados.

 

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