A velha casa dos avós maternos…

Lugar vetusto, antigo Carquejido,

A Sul, na extrema, a dos avós paternos;

Quem me dera hoje dos tempos ter fugido!

 

O velho castanheiro da minha infância,

Culpado da queda, a primeira diria,

Um dia em que, juvenil arrogância,

Quis ser Tarzan na quinta que existia.

 

Visão nublada a do nascimento,

Embrião apenas na sua aparência,

O centro das dúvidas, cujo aparecimento.

Já teria nascido, na nossa inocência!

 

A velha casa de portões abertos,

Onde gerações de estirpe de aço,

Entrando e saindo em tempos incertos,

De ingénita raiva marcavam seu passo.

 

Invadi-a agora, nas suas ruínas,

Vencidas, batalhas, outras tantas vidas,

Quantos tantos risos, coisas pequeninas,

Que me deram o cerne de emoções vividas.

 

Velha inóspita jazes e nas sombras restas,

De lágrimas, ledice, ferretes marcados,

Na longa jornada sem fim entre as frestas,

Da existência livre a que fomos lançados.

 

Templo ao tempo, glória do passado,

Sacrifício do nosso nascimento,

Mausoléu erguido, com lugar marcado,

Entre outras ruínas do nosso entendimento!

 

Gostava de rever algumas memórias.

Entre pedras roídas, de pequenos danos,

A tentar sentir, nas fendas das histórias

Alguns sons e ais que me dessem anos.

 

Pois sob elas vivi menino e moço,

Alheio à passagem daquelas nuvens escuras,

Que senti escoarem-se entre o que não posso

Reter nas minhas rugas, tempos de loucuras.

Arquivo Labor
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