“Aurora” é uma das mais de 230 estruturas que integram a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica 

 

Desde a passada quinta-feira que S. João da Madeira dispõe de mais uma resposta a situações de violência. Criada pelo Município, “Aurora” é uma das mais de 230 estruturas que integram a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica (RNAVVD),“entre equipamentos de acolhimento (casas de abrigo e estruturas de acolhimento de emergência) e gabinetes de atendimento”, como adiantou aos jornalistas a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade presente na inauguração.

“Pretende-se um atendimento descentralizado” tendo em vista um maior número de denúncias

À porta do novo espaço que funciona no Fórum Municipal e que visa assegurar apoio social, psicológico e jurídico a vítimas de violência doméstica e de género, contando para o efeito com uma equipa técnica especializada, Rosa Monteiro defendeu que estruturas como esta “são absolutamente necessárias”. E tanto é assim que o Governo tem como objetivo “cobrir todos os concelhos do país com estas estruturas”.

Neste momento, “estamos a ultrapassar os 90% [do território nacional]”, informou a governamental, cuja presença ali, naquele ato inaugural, assinalava, como a própria disse, “este amplificar da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica”. “Tem havido uma adesão, porque quem dirige a vida dos territórios percebe bem que este é um problema prioritário a tratar. E ele trata-se também com estes gabinetes, com estas equipas, com este investimento”, completou.

“Pretende-se um atendimento descentralizado e não apenas um atendimento que está muito focado ou centrado num centro de uma unidade regional administrativa, como acontecia no passado”, defendeu a representante da tutela.

Através de um trabalho de prevenção e até de formação, no âmbito do qual se destaca a já criação neste concelho de uma Equipa para a Igualdade na Vida Local, a ideia é facilitar a denúncia de casos por parte de toda a comunidade, comos profissionais de educação e de saúde a serem tidos como “agentes ativos na vigilância, que é o que nos permite evitar casos mais dramáticos e desfechos mais dramáticos”, justificou a secretária de Estado, para quem, ainda, “se conseguirmos este funcionamento em rede, mais facilmente aumentaremos o número de ocorrências e participações e desvendaremos e daremos capacidade às pessoas que são vítimas de terem a ajuda necessária”.

No gabinete “Aurora”, o atendimento por um técnico é feito de segunda a sexta-feira das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, mediante marcação prévia. Já o acompanhamento psicológico acontece especificamente à segunda-feira (ver caixa).

Pandemia “aumentou a procura de apoio psicológico”

“Talvez também fruto da informação massiva que fizemos, não registámos o tal ‘boom’ de situações de casos de homicídio, que confesso que individualmente temi”, confidenciou Rosa Monteiro, quando questionada pelo labor sobre os efeitos da pandemia, esclarecendo, contudo, que “isso não significa que não tenha havido vítimas de violência”.

Aliás, “aumentou a procura de apoio psicológico”, chamou à atenção a responsável, acrescentando que, para além disso, “criámos mais 100 vagas para acolhimento”, uma vez que, como medidas de prevenção contra a Covid-19, “tivemos de criar quartos de isolamento e também reduzir o número de pessoas por quarto”.

Já as pessoas que têm chegado à RNAVVD neste período pandémico são, segundo a secretária de Estado, “situações onde já existia violência, que por alguma razão se intensificou” e que “tiveram informação e decidiram que era o momento em que tinham de sair”.

Em seu entender, “essa evolução da procura é sempre positiva, porque estamos a dar resposta. Aquilo que nos preocupa é quando estes dados não existem e existem as situações”.

Por sua vez, o autarca Jorge Sequeira sublinhou à imprensa o facto de a Aurora garantir “apoio permanente”, funcionando “emarticulação com a PSP, os hospitais, a Segurança Social e todos os atores no terreno que vão divulgando estes contactos pelas vítimas que chegam ao seu conhecimento”.

Agora, de acordo com Rosa Monteiro, já não há necessidade de as vítimas fazerem “sozinhas todo o calvário até ao julgamento, à presença em Tribunal, que sabemos que aumenta o risco”. Porque “o que pretendemos com estas equipas [especializadas] é que, tendo conhecimento de violência doméstica, todos estes setores possam indicar e encaminhar para estes gabinetes e também que espontaneamente as vítimas possam vir, informar-se e avaliar a sua situação, para depois serem encaminhadas e apoiadas. Esse é o objetivo”. Ainda a propósito desta deslocação da secretária de Estado a SJM, note-se que Rosa Monteiro também passou pelo Parque de Nossa Senhora dos Milagres onde, em jeito de homenagem póstuma, colocou um ramo de flores junto à placa com a imagem da Irmã Maria Antónia Guerra de Pinho, assassinada em setembro do ano passado. Recorde-se que o monumento foi recentemente inaugurado no Largo da Capela de Nossa Senhora dos Milagres numa iniciativa promovida pela autarquia, em articulação com a Paróquia. 

 

Aurora– Estrutura de Apoio à Vítima

  • atendimento na câmara municipal

 De segunda a sexta-feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30

  • tlm nº 966 754 024

De segunda a sexta feira, das 9h30 às 17h30

(voice mail ativo 24 horas)

  •  email aurora@cm-sjm.pt

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...