A nadadora olímpica Ana Rodrigues, que desde 2017 representava a Associação Desportiva Sanjoanense, ano em que o clube alvinegro reabriu a secção de natação depois de mais de duas décadas de inatividade, vai, esta época, passar a nadar pela Escola Desportiva de Viana. “Uma mudança é uma transformação…”, começa por referir a atleta numa nota publicada nas redes sociais, admitindo que para isso é necessário que “se saia da zona de conforto, de forma a que novas coisas possam crescer”. “Tinha na minha cabeça os planos claramente delineados, do que iria fazer após a época 2020, até que esta pandemia assumiu o controlo e tudo teve de ser repensado”, acrescenta a nadadora, sublinhando que com o final do mestrado está prestes a entrar numa nova etapa da sua vida. “Para mim, uma nova fase significa progresso e para que exista progresso tem de haver mudança. Para além da questão profissional, não creio de todo que a minha carreira desportiva tenha terminado e sinto que ainda tenho muito a dar à natação, o que pesou bastante ao tomar esta decisão. Porque enquanto nadadora, também sinto que preciso de mudar, preciso de mais e, acima de tudo, preciso de saber que fiz o que estava ao meu alcance e não ficar a pensar… ‘e se?’”, explica Ana Rodrigues, que, também devido a motivos pessoais, decidiu, assim, “rumar em direção ao Minho”. “Tomei assim a decisão de nadar pela Escola Desportiva de Viana esta época, deixando de representar as cores da Associação Desportiva Sanjoanense. Não foi, de todo, uma decisão tomada de ânimo leve, levou muito tempo e ponderação por ser um projeto que me diz muito e do qual tenho um orgulho imenso! Nunca quis ser uma simples nadadora dentro de um clube, sempre quis transmitir aos outros aquilo que a natação me deu e ajudá-los a perceber o tanto que podem ser felizes a nadar… Saio de consciência plena com a certeza de que plantei a minha essência e de que todos aqueles fantásticos nadadores, que conviveram comigo diariamente, a absorveram e que vão dar muitas alegrias à casa. Mas chegou o tempo de pensar em mim, e fazer o que o coração pede”, esclarece a nadadora, que termina com um agradecimento à direção do clube alvinegro, à Câmara Municipal de S. João da Madeira e ao treinador Luís Ferreira, que a acompanhou ao longo de quase duas décadas.

Luís Vargas, presidente da Associação Desportiva Sanjoanense, destaca a forma “ponderada” e “responsável” com que Ana Rodrigues “decidiu dar um novo rumo à sua vida pessoal, profissional e desportiva”. “Merece todo o nosso respeito e consideração a decisão da Ana, não só como atleta exemplar, com um espírito de sacrifício enorme, com um amor imensurável à natação, à ADS, à cidade que a viu nascer, e que ficará para sempre no seu coração. Na vida as decisões têm de ser tomadas, por muito que custe a mim, ao clube, à autarquia, não poderíamos inverter uma situação em que a vida pessoal, profissional, e desportiva da atleta sofresse um retrocesso, além do já delineado objetivo de alcançar os Jogos Olímpicos. Infelizmente o Covid, alterou todos os objetivos da Ana Rodrigues na época finda”, refere o dirigente, que acredita que chegou o momento da nadadora, que mais títulos, records nacionais e internacionalizações conquistou ao serviço da ADS ao nível individual, “delinear o seu caminho na conciliação da sua vida profissional, académica, desportiva e, porque não, na sua vida pessoal”.

Confessando que a nadadora merece a “idolatração” dos atletas mais jovens, “enquanto detentora com maior número de títulos na natação portuguesa”, Luís Vargas, retribui o agradecimento pelos anos a “dignificar o clube, a cidade e o país” e mostra-se confiante que apesar da mudança Ana Rodrigues irá continuar a “ser uma Sanjoanense” e que, fruto da sua determinação e sacrifício, irá atingir as suas metas.

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