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Através de uma nota muito bem redigida que apela à história e a um certo revivalismo, ficamos a saber que um grupo de empresários e políticos tornou-se acionista do Jornal O Regional. À primeira vista parece-nos um ato cheio de simbolismo, carregado de fervor “patriótico” e emotividade.

Mas, neste mundo nada é de graça. E se é de graça não o é por muito tempo. De repente, sem querer colocar em causa a idoneidade e respeitabilidade das pessoas em causa, sou assaltado por um conjunto de dúvidas.

Perante tamanha demonstração de idealismo e amor à cidade é caso para perguntar se não existiriam outras formas de expressar esse amor com uma ação, por exemplo, de carácter social, educativo, cultural. É que a minha ideia de Grupo Patriótico faz-me lembrar a construção do Hospital, da Misericórdia, do Parque Sra. dos Milagres, do campo de futebol, da emancipação concelhia. Parece-me que esta usurpação da designação até chega a ser ofensiva para o legítimo Grupo Patriótico Sanjoanense.

Mas se nos colocarmos perante apenas o altruísmo tão eloquentemente descrito na referida nota, a primeira questão que nos assalta é: Seria mesmo necessário comprar um jornal?

E sendo, não consigo deixar de questionar se os empresários em causa serão capazes de resistir à tentação de trocar o seu foco natural, o lucro, pelo idealismo que assumem como principal desígnio. Não pondo em causa que os jornais, para além da sua nobre missão de informar, são um negócio, questiono se estes empresários serão mesmo capazes de instigar, a prazo, práticas de independência, liberdade e rigor informativo (quantas vezes, temo-lo visto, conflituantes com os interesses económicos).

E quanto aos políticos envolvidos, serão capazes de deixar de lado as suas ideias e convicções partidárias, tão bem conhecidas de todos? Serão capazes de não ceder à tentação de o usar para se apresentarem como candidatos às próximas eleições autárquicas? Ou será apenas coincidência que esta aquisição de um órgão de comunicação social se realize quando estamos prestes a entrar num período eleitoral autárquico que, por agora, nem parece que possa vir a ser muito… renhido!

Estas são algumas das minhas dúvidas. Veremos como o tempo (e, já agora as práticas jornalísticas) irá responder.

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