Sinais

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Costuma dizer-se que uma cidade com muitas gruas no horizonte é sinal de vitalidade económica, do mesmo modo que se tiver as montras do seu comércio espalhadas de indicativos de “saldos, descontos ou rebaixas” é sinal de crise, havendo mesmo, por vezes, a sensação de que se pretende vender o “desconto” e não o “produto”.

Ora é isso que faz hoje o panorama do comércio das nossas cidades, num grito de desespero surdo mas profundamente angustiante. A economia está parada, melhor, anda a passo de “caracol”, a crise assusta e as pessoas refugiam-se no olhar da rua sem entrar na loja, a qualidade de produtos e serviços baixa e a esperança de melhores dias só está na mente dos governantes, a viverem universos de ficção. Mais duro ainda nisto tudo é que o problema não é só nosso é aquilo com que os outros, europeus como nós, nos poderiam ajudar, comprando os nossos produtos, também é atravessado por idênticos sinais.

Em S. João da Madeira, apesar da escassez de turismo, este veio como esteio de suporte e a cidade tem atrativos fascinantes, mas não parece que isso contribua muito para animar o nosso comércio de rua, para além dos consumos hoteleiros e derivados, pois as ruas têm cada vez menos comércio ativo e há lojas a fechar todos os meses. Se isto for somado com o impacto das “grandes superfícies” sobre o setor, é preocupante, pois reflete a fragilidade da nossa economia. Faltam dinheiro e confiança, sobram desemprego e dificuldades e numa sociedade envelhecida, com a “classe média” destroçada, dar a “volta por cima” não é fácil, embora a nossa capacidade de resistência seja grande, quase do tamanho da resignação.

É o momento de testar quem é mais forte, se a resistência ou a resignação, pois por muito que esteja fixada no nosso inconsciente psicológico, a resistência de um povo, aliada à imaginação, que não nos falta, pode servir para mostrar que há sempre outros caminhos.

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