Ainda o Palacete dos Condes

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Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz, muitas vezes não sabe.

A simples sugestão de que o Palacete dos Condes fosse aproveitado para se tornar num espaço cultural revela por si só um certo desconhecimento daquele que é o significativo parque cultural da cidade.

Em S. João da Madeira existem vários equipamentos culturais, de museus a auditórios, de bibliotecas a arquivos municipais e, até, um centro cultural e criativo, a Oliva, que é um espaço fundamental para o desenvolvimento cultural da cidade, embora esteja por cumprir porque a sua missão como projeto agregador e dinamizador foi interrompida por falta de visão política e sensibilidade para as questões da cultura do anterior executivo liderado por Ricardo Figueiredo.

Equipamentos não faltam. Não são necessários mais. O que é preciso é investir e potenciar plenamente a capacidade daqueles que existem antes de se gastar mais dinheiro ao erário público. Só alguma desatenção ou meros interesses de politiquice poderão reivindicar mais equipamentos. O que é necessário é reivindicar mais e melhor utilização dos recursos existentes.

A Oliva Creative Factory (OCF) era, nas palavras de Castro Almeida, “um instrumento para a cidade andar à frente”. Charles Landry, autoridade internacional em criatividade que visitou a Oliva disse que “a cidade de S. João da Madeira com a OCF tem tudo para estar no centro do Mundo”.

E, contudo, entretanto a Oliva tornou-se um projeto adiado sine die, ao qual alguma imprensa local parece atribuir pouca atenção e do qual a comunidade se vai distanciando.

É urgente recuperar a essência do projeto original e recuperar a dinâmica perdida, fazendo-se assim cumprir o seu desígnio.

Tomemos como exemplo o que foi feito em 2014 com a organização do Oliva Galvaniza, um evento sem paralelo e incompreensivelmente sem repetição, que nessa edição promoveu a Ilustração e a Oliva Creative Factory enquanto espaço privilegiado da criatividade.

Aqui chegados, importa perguntar porque não se aproveitou o embalo desta iniciativa, que juntou tantos criativos em S. João da Madeira, para se instalar a “casa da ilustração” na OCF? E já agora porque acabaram com esta iniciativa?

O torpor das “quintas e quintinhas” que imperou e impera na política local é, na minha opinião, a principal razão para ainda não se ter encontrado uma solução que permita a exposição permanente do importante espólio dos Encontros de Ilustração.

Fará sentido na atual conjuntura ter salas vazias na Torre da Oliva para serem alugadas esporadicamente quando estas poderiam ser utilizadas para alojar alguns dos projetos culturais que ainda não encontraram o seu espaço? Por exemplo, a prometida Casa da Memória!

Deste modo além de se poupar muito dinheiro reforça-se o polo cultural constituído pelos Museus do Calçado, da Chapelaria, Torre da Oliva e OCF com todas as vantagens decorrentes da concentração da oferta. Quem sabe nasce de forma sustentada uma nova centralidade na cidade com a cultura como alavanca de progresso e crescimento.

Este é o momento certo para se abandonarem projetos dispendiosos e rentabilizar ao máximo os recursos existentes, sob pena de se criarem alguns “elefantes brancos”.

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