“Não podemos admitir este tipo de comportamento em lado nenhum”, frisou o agente “Tonecas”

 

“O Bullying é para Fracos” é o nome da operação promovida pela Polícia de Segurança Pública, de 19 a 30 de outubro, nas escolas da área de jurisdição do Comando Distrital de Aveiro.

Desde o dia 23 e até hoje, 29 de outubro, estas ações de sensibilização estão a ser promovidas nas escolas Dr. Serafim Leite, João da Silva Correia e Oliveira Júnior pelos agentes José e Celestino Rodrigues do Programa Escola Segura da Esquadra da Polícia de S. João da Madeira.

O labor foi assistir à sessão realizada esta segunda-feira de manhã numa turma da escola sede do Agrupamento Oliveira Júnior.

O bullying pode ser físico, verbal, psicológico, social, sexual e virtual, “compreende uma série de ações negativas” e “por norma não acontece só uma vez, mas várias vezes”, afirmou o agente José Rodrigues, mais conhecido como “Tonecas”, apelando a quem for vítima ou testemunha para que “denuncie” estes casos a um amigo, aos encarregados de educação, à escola e à polícia. “Ninguém anda na escola para sofrer. Ninguém anda na escola para levar porrada ou ser maltratado. Andamos na escola para conseguirmos ser aquilo que desejamos. Polícia, professor, jornalista, seja o que for, mas com valores. E um dos valores mais importantes é o respeito que temos de ter pelos outros para que o tenham por nós”, realçou o polícia.

“A única coisa que vocês têm de provar na escola é que são bons alunos”. Se acham que ser “bully” é sinónimo de ser “o mais forte”, estão enganados. Até “pode exercer poder” sobre outra pessoa, mas as suas atitudes são “reprováveis”. “O bullying é para fracos mesmo”, esclareceu o agente “Tonecas”, relembrando, por isso, que “não podemos admitir este tipo de comportamento na escola nem em lado nenhum”.

Independentemente do caso de bullying ser na turma, na escola ou até fora dela, se temos conhecimento, “temos de denunciar” porque “a experiência diz-nos que se atuarmos logo cortamos o mal pela raiz”, explicou o polícia.

“Todos os casos que tivemos conhecimento estão praticamente resolvidos”. Aliás, “99% dos casos que temos conhecimento são resolvidos. Temos é de ter conhecimento”, informou o agente “Tonecas”, demonstrando que com este tipo de ações “ninguém vos quer mal. Todos estamos aqui com o objetivo de que cresçam com valores e sejam os homens e as mulheres do futuro do nosso país”.

 

“O cyberbullying é um fenómeno em expansão”

 

O Programa Escola Segura intervém junto de alunos de todos os níveis de escolaridade.

DF

“Isto começa logo no 1º ciclo. Eles desvalorizam. Os próprios agressores acham que é uma brincadeira. As vítimas acham que faz parte das brincadeiras. É uma brincadeira para eles. Acham que não estão a fazer nada errado a não ser que sejam alertados que é um dos trabalhos que costumamos fazer”,deu a conhecer o agente Celestino Rodrigues, à margem da ação de sensibilização, ao nosso jornal.

De acordo com os dados registados nas escolas sanjoanenses, os casos de bullying direto, físico, costumam ser mais praticados pelos rapazes e os casos de bullying indireto, psicológico, pelas raparigas. A estes dois tipos de bullying, que estão entre os mais praticados, junta-se o cyberbullying. “Os casos de bullying direto são mais fáceis de resolver porque intervimos diretamente. O bullying indireto é mais complicado, mas também se resolve porque temos uma atuação próxima dos miúdos”. “Eles sabem que estamos sempre disponíveis” e “temos muitos casos que são denunciados pela própria testemunha”, revelaram os agentes José e Celestino Rodrigues.

Apesar de todos os tipos de bullying deixarem marcas nas vítimas, o cyberbullying é dos que mais preocupa as autoridades.  “O cyberbullying é um fenômeno em expansão” que “tem um painel mais abrangente de pessoas que está a ver o que está a acontecer e replica-se muito rapidamente”, justificou o agente Celestino Rodrigues.

“Temos 99 para não dizer 100 porcento dos casos de bullying resolvidos”

A Covid-19 ditou o encerramento das escolas a meio do último ano letivo e influenciou a diminuição do número de casos de bullying registados pelo Programa Escola Segura.
Porém, já antes da pandemia, “o que temos constatado é que cada vez temos menos casos. Se calhar estamos a colher aquilo que temos vindo a semear”, admitiu o agente “Tonecas”, confirmando que “é verdade que temos 99 para não dizer 100 porcento dos casos de bullying resolvidos. Acho que não temos nenhum que não tenha sido resolvido. Às vezes temos umas arestas a trabalhar que representam o um porcento”.

O Programa Escola Segura da Polícia de Segurança Pública existe desde 1997 em S. João da Madeira. Ao fim de tantos anos de ação junto dos mais jovens, os agentes José e Celestino Rodrigues continuam a trabalhar com “gosto”, por isso “nunca se cansam”.

A conversa que tiveram com o labor terminou com uma mensagem que nunca é demais replicar: “não somos obrigados a gostar de toda a gente, mas somos obrigados a respeitar”.

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