Com um número limitado de convidados, devido à crise sanitária que se vive, a Junta de Freguesia de S. João da Madeira (JFSJM) inaugurou este último sábado o Parque Infantil Adaptado e as “novas” casas de banho do Parque de Nossa Senhora dos Milagres. Trata-se da concretização das propostas vencedoras dos orçamentos participativos (OP) de 2019 e de 2018, respetivamente.

Até ao fim do ano, a presidente Helena Couto, tal como já adiantou ao labor em edição anterior, pretende ver incluída a aplicação (app) “Quem avisa, seu amigo é”, proposta de António Costa e Nuno Andrade que venceu em 2017, na app municipal, e assim concretizar todos os projetos vencedores do OP sob sua alçada.

“Um brinquedo adaptado deve poder ser utilizado por todos e não apenas por alguns”

A ideia de se criar um parque infantil inclusivo foi de Teresa Melo. Esta sanjoanense idealizou um espaço que permitisse que todas as crianças, independentemente das suas diferenças, pudessem partilhar os mesmos equipamentos sem que as suas limitações fossem percebidas. E a JFSJM, que já tinha intenção de remodelar o antigo parque infantil, decidiu incluir a sugestão desta sua freguesa no seu plano de trabalho.

Resultado: o Parque dos Milagres tem agora um parque infantil totalmente remodelado e com mais-valias tendo em vista a inclusão na verdadeira aceção da palavra, nomeadamente um baloiço adaptado, uma “formiga gigante”, um painel de motricidade, pavimento de segurança “in situ”, etc..

“Já que íamos restaurar também o antigo parque, porque não incluir neste o parque adaptado [proposto por Teresa Melo] e, assim, permitir a interação entre todos”, disse Helena Couto, aproveitando a ocasião também para lembrar que o parque infantil da JFSJM continua encerrado devido à Covid-19.

Para Teresa Melo, “um parque infantil é um local de exploração e de estímulo, onde as brincadeiras podem e devem ser de partilha e de interação”, sendo que agora “este parque respeita o princípio da inclusão (um brinquedo adaptado deve poder ser utilizado por todos e não apenas por alguns)”.

Ainda em declarações exclusivas ao labor, a autora da proposta referiu que “há ainda melhorias possíveis, mas estou certa que este é um primeiro passo para chamar a atenção de todos sobre o muito que se pode e deve fazer pelas crianças com deficiências”.

“Estou obviamente feliz por ter conseguido contribuir para este espaço, ainda por cima num bonito local da cidade como é o Parque de Nossa Senhora dos Milagres. Agora resta esperar que em breve se possam ouvir os risos das crianças e que este parque se encha de vida”, acrescentou.

Parque da junta terá também um “cantinho sensorial” e máquinas para prática de exercício físico

Contas feitas, “a parte referente aos equipamentos inclusivos ficou por 9.218,85 euros e os restantes equipamentos nesse espaço e pavimento respetivo ficaram por 11.680,08 euros, num total de 20.898,93 euros”, segundo avançou Helena Couto já à margem do ato inaugural. Mas atenção que o investimento no parque infantil não ficará por aqui.

Para complementar o que já foi feito, a junta pretende igualmente fazer “um cantinho sensorial” – mais uma ideia de Teresa Melo, desta feita, a pensar nas crianças com perturbações como, por exemplo, perturbação do espectro do autismo, perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), que “achámos interessante”.

O executivo de Helena Couto quer ainda colocar naquela área junto ao salão de chá máquinas para a prática de exercício ao ar livre direcionadas para adultos e, assim, promover condições de lazer para todas as faixas etárias e as relações intergeracionais.

Para além disso, e conforme adiantou a responsável política, a junta tem em mãos, neste momento, “um processo de certificação do próprio parque”. “Penso que será o primeiro parque infantil certificado da cidade”, completou.

Questionada sobre o assunto, a câmara esclarece que, contrariamente ao que a presidente da junta pensa, todos os parques infantis implantados em espaços públicos sob a gestão do Município estão dotados de equipamentos certificados e aplicados segundo as normas em vigor e por empresas devidamente certificadas e qualificadas para o efeito. Apenas “o parque instalado recentemente no Parque Ferreira de Castro encontra-se em fase de certificação”, informou.

Casas de banho públicas adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida

Embora ainda não possam ser utilizadas, por causa da pandemia, o Parque dos Milagres passou a dispor de umas “novas” casas de banho públicas que, ao contrário do que Helena Couto avançou, não são as primeiras da cidade adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida. Segundo a edilidade, “existem outras casas de banho públicas para pessoas com mobilidade condicionada, nomeadamente nos seguintes locais: Casa da Natureza (Parque do Rio Ul); Centro Coordenador de Transportes; Mercado Municipal; Paços da Cultura e Cemitério nº 3 (Crematório).

Para além disso, a obra da requalificação dos antigos WC inclui também balneários públicos, cuja utilização custa 50 cêntimos, fraldário, iluminação que funciona através de sensores de presença, etc.. Tudo isto ficou “por 24.035,35 euros”, mais cerca de 14 mil euros do que o orçamentado.

As casas de banho terão um horário de funcionamento (um no verão, outro no inverno) e a sua limpeza será assegurada pela JFSJM.

“A ideia é minha, mas o projeto não é meu”

Passados dois anos, Glória Rosa vê assim a sua proposta concretizada. Mas, contrariamente a Teresa Melo, não quis estar presente na inauguração, tendo justificado a sua ausência ao labor dias depois.

“Não fui, porque nunca ninguém me chamou absolutamente para nada, a não ser agora para a inauguração”, respondeu a vencedora do Orçamento Participativo da Junta de Freguesia de S. João da Madeira de 2018, quando questionada pelo nosso jornal, acrescentando: “A ideia é minha, mas o projeto não é meu”.

Ao nosso semanário, Glória Rosa ainda admitiu ter ficado “magoada” com esta atitude da junta e também fez questão de agradecer “a quem votou na minha proposta”.

Interpelada pelo nosso semanário, Helena Couto não só reconheceu que “foi um lapso nosso”, como também afirmou que compreende que “[Glória Rosa] se sinta de alguma forma lesada” e “magoada”. No entanto, também é de opinião que a presença da proponente nas reuniões não “ia trazer qualquer mais-valia”, uma vez que se discutiram “questões puramente técnicas”.

A presidente da junta mencionou ainda que combinou com Glória Rosa uma visita ao local para breve.

 

Casas de banho vandalizadas horas antes da inauguração

GN

Ainda não tinham sido inauguradas e já tinham sido alvo de vandalismo. A presidente da junta de freguesia (JF) não sabe ao certo quando aconteceram tais atos, mas tudo aponta para que tenham ocorrido entre o final da tarde de sexta-feira e a manhã de sábado, porque quando a própria Helena Couto se deslocou ao local na sexta-feira à tarde, para ultimar os preparativos para a inauguração, ainda as paredes não tinham sido grafitadas.

Em declarações exclusivas ao nosso jornal, a líder da JF assegurou que vão proceder à sua limpeza. Adiantou ainda que, neste momento, “a colocação de câmaras de vigilância está a ser discutida” pelo seu executivo precisamente para evitar a repetição de situações idênticas.

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