A minha coluna

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ESTÁ CONTENTE POR TER GANHO?

 

Na década de 70 do século passado, no final de uma das muitas etapas da volta a Portugal que ganhou, um jornalista da única estação de televisão de então perguntou a Joaquim Agostinho: “Então? Está contente por ter ganho?”. Lembro-me muitas vezes desta cena caricata quando vejo e ouço, numa qualquer das várias estações de televisão de hoje e tantos anos depois de termos escolas que formam profissionais da comunicação social, jovens de microfone em punho a fazer perguntas semelhantes, a torto e a direito, a quem vê a vida parada ou a andar para trás por causa dos efeitos da pandemia. Perguntar a um profissional da restauração como se sente por não poder abrir o restaurante, a um profissional do turismo como se sente por não ter clientes, a um qualquer trabalhador como se sente por ter ficado sem o posto de trabalho é, para mim, muito-mas-muito pior do que a pergunta que há décadas o ingénuo e não licenciado jornalista da RTP fez ao Joaquim Agostinho. Há formas muito mais inteligentes de fazer jornalismo que nos esclareça, do que este chorrilho de banalidades com que nos bombardeiam a toda a hora.

Balha-me Deus!

ORA CHEGA CÁ…

 

Havia uma expectativa diferente do comportamento de Rui Rio na política. Apresentou-se sempre como uma pessoa sensata e pouco dado a malabarismos “politiqueiros” que o posicionavam com justificadas aspirações a liderar o governo num futuro que, não desejando próximo, haveria de acontecer por força da alternância democrática. Mas essa expectativa foi-se com a fraterna e mal-escondida ligação ao seu ex-companheiro José com quem alinhou numa aventura que lhe poderá sair muito cara. O poder pelo poder não justifica tudo. Quem diz hoje uma coisa e amanhã (pratica) o seu contrário, nunca será líder de nada. Afinal ainda vou dar razão a Marques Mendes pelas pancadas que gosta de dar no Rui Rio.

Balha-me Deus!

TODOS AO HARRY POTE

 

Antes da pandemia a livraria Lello chegou a ter à porta filas de mais de 100 metros, com turistas desejosos de comprar bilhete só para ver uma das mais belas livrarias do Mundo e as escadas que terão servido de inspiração a J K Rowlling numa das aventuras do Harry Potter. Meses atrás a autora negou essa relação, mas a verdade é que durante anos a livraria faturou, só em bilhética, uns bons milhares de euros por semana. Estava longe de imaginar, por isso, que nesta fase em que o Estado (nós) tem de abrir os cordões à pequena bolsa para ajudar quem mais necessita, veria alguém da Lello vir a público reclamar apoios do Estado (nós) porque as receitas também lhes caíram a pique. Mas vi. É certo que num contexto de pedido de apoio às livrarias todas. Mas as outras não faturavam milhares de euros por semana só em bilhética. Mal comparado foi a mesma coisa que ver o cozinheiro das facas, aquele que tem nome de jogador do Benfica, o Stanisic, a reivindicar a mesma tipologia de apoios do Estado (nós). Foi no sábado passado, no palanque montado no Rossio pelos profissionais da restauração que só ganham mesmo pelas refeições que vendem e não fazem programas de televisão a insultar os mais pobres e desafortunados dos seus colegas a troco de uns bons milhares de euros. Contradições pandémicas, é o que é. Ou, como costuma dizer o meu amigo que já conhecem, “é tudo a querer meter a mão no pote…”.

Balha-me Deus!

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