A cerca de um ano das autárquicas

Numa reunião de câmara que, segundo Paulo Cavaleiro, terá sido “das maiores e com os assuntos mais complexos”, daí até ter pedido para adiar alguns pontos da ordem de trabalhos, o orçamento municipal para 2021 foi aprovado, mas apenas pela maioria socialista. A sessão decorreu, uma vez mais, através da plataforma Zoom e pôde ser acompanhada em direto no YouTube.

A apresentação do documento por Jorge Sequeira que, de acordo com o vereador da oposição, não foi tão “descritivo” como na conferência de imprensa que deu na manhã daquele dia, não convenceu a coligação. PSD/CDS-PP acabou por votar contra e por apresentar uma declaração de voto posteriormente.

De acordo com Paulo Cavaleiro, este “é um exemplo de um orçamento que tem muitas coisas repetidas”, já de outros anos. O próprio “texto introdutório é mais do mesmo”, tendo “até parágrafos iguais”, acrescentou o social-democrata.

“SEI QUE NÃO GOSTA DE FAZER OBRAS FARAÓNICAS, MAS DEVIA ERA NÃO AS TER PROMETIDO”

Sem contemplar grande parte das propostas feitas pela oposição, o orçamento para o próximo ano, no entender do membro da coligação, “concretiza aquilo que é uma execução baixa e pouca angariação de financiamento comunitário”.

“Sei que não gosta de fazer obras faraónicas, mas devia era não as ter prometido”, atirou Paulo Cavaleiro, falando das piscinas, pista de atletismo e “muitas outras coisas”, como, por exemplo, a “Casa da Memória”, que não vai cumprir neste mandato”. “Tem cinco euros para a ‘Casa da Memória’. Não sei o que vamos fazer com cinco euros”, ironizou.

Note-se que, entre outros “contributos”, a coligação propôs fazer de S. João da Madeira uma ‘Smart City’ de referência no país”; a criação de um fundo para apoio ao comércio local, restauração e microempresas no âmbito das medidas de combate à Covid-19; o regresso do Tecnet Business Camp; o reforço do Orçamento Participativo Municipal; o lançamento do “Programa + Escola”; a requalificação da antiga EB2,3; incentivos à Habitação Jovem; uma “Casa do Lápis e da Ilustração” no Palacete do Rei da Farinha; e o iní- cio da construção das novas piscinas municipais e de um novo pavilhão no Complexo Desportivo Paulo Pinto.

“NUMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA É ASSIM: TEMOS DE OUVIR O QUE GOSTAMOS E O QUE NÃO GOSTAMOS”

O presidente da câmara não tardou a “dar o troco” à oposi- ção, começando por dizer que “já estamos em clima pré-eleitoral”, não obstante as eleições serem só daqui a um ano. Na sua ótica, a “visão” de Paulo Cavaleiro só pode ser “uma visão de Marte”, uma vez que “a descrição que o senhor vereador fez não tem adesão à realidade do que existe em S. João da Madeira e ao trabalho que acho que tem vindo a ser desenvolvido por este executivo”.

Para além disso, “o que os sanjoanenses quiseram quando nos elegeram foi corrigir erros do passado e fazer melhor”, vincou o autarca, dizendo-se “tranquilo com o trabalho que temos feito” e também “preparado para ouvir e suportar tudo”.

“Numa sociedade democrática é assim: temos de ouvir o que gostamos e o que não gostamos”, afirmou o edil, para quem “o objetivo [da coligação] é sempre diminuir a nossa credibilidade, minimizar a nossa ação, colocar um defeito em cada coisa positiva que fazemos”.

A propósito, por exemplo, do Orçamento Participativo defendido pela oposição, Jorge Sequeira reconheceu tratar-se de “um projeto muito importante”. Só que, na sua opinião, “a câmara tem de sacrificar alguns projetos para acorrer às necessidades de saúde pública”. “A receita não chega para tudo” e, como tal, “há que fazer opções”, reforçou a ideia, defendendo ainda que “não podemos é criar a impressão que a câmara tem recursos infinitos e ilimitados”.

“VEJO QUE FICOU PERTURBADO COM UMA ENTREVISTA QUE DEI”

Mesmo depois de o edil lhe pedir que fosse breve nesta sua intervenção, dado o adiantado da hora, Paulo Cavaleiro voltou a usar da palavra para lembrar a Jorge Sequeira as “condições excecionais” que têm agora “para governar a cidade” e que, na sua ótica, são muito diferentes das de 2012, quando “tínhamos 12 milhões de dívida”. E também para lhe dar uma “alfinetada”: “É muito democrático, mas depois temos de ser rápidos [na discussão do orçamento]”.

Por estas e por outras razões, o líder autárquico referiu que “o PSD está profundamente nervoso, profundamente inquieto. Vejo que ficou muito perturbado com uma entrevista que dei [ao labor] e que faz aqui um exercício de comentário político e de hermenêutica a essa entrevista”.

“Limitei-me a responder às perguntas que foram colocadas e o que é verdade é que o que lá está pode ser lido, ajuizado e escrutinado por todos. Não está lá nenhuma mentira nem nenhuma falsidade”, garantiu ainda.

 

APROVADA CRIAÇÃO DE 27 NOVOS POSTOS DE TRABALHO

Tendo em vista “uma melhor resposta e um melhor serviço aos cidadãos”, como disse Jorge Sequeira, a câmara aprovou por unanimidade a criação de 27 novos postos de trabalho no próximo ano. Entre estes, está por exemplo um lugar de técnico superior de Serviço de Proteção Municipal. Porque, como justificou, “esta pandemia ensinou-nos que temos, enquanto comunidade, de fortalecer os serviços da Proteção Civil”.

De acordo com o autarca, “alguns [postos de trabalho] são inovadores”, enquanto “outros poderão vir a substituir e a consolidar prestações de serviços que neste momento temos contratualizados e que entendemos que assumem relevância para assumir caráter duradouro e perpétuo”.

Para a coligação PSD/CDS-PP, segundo palavras de Paulo Cavaleiro, “esta é uma responsabilidade de quem gere a cidade e a câmara”, daí não se opor a esta proposta.

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