Maradona

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Que sei eu de futebol? Que sei eu de Maradona? Eu própria me sinto estranha ao tentar abordar tal assunto, ao falar de um jogador de futebol. Nada percebo de futebol, apesar de ter vivido sempre rodeada de gente falando de golos, de campeonatos e coisas que tais. Alguns nomes me foram inculcados nos neurónios, sem que para tal eu tenha feito qualquer esforço: Eusébio, Pelé, Maradona…Gente pobre, nascida em colchão de palha, dormida em berço de pau, criada em bairro de lata, com direito a sonhos que mais não eram do que utópicas fantasias. Alguns acreditaram na sua potencial e cósmica realização, e persistiram tenazmente nessa ideia de que era possível fazer rolar o sonho dentro de uma bola imitando o rolar do mundo. De forma inata, nem de outra forma podia ser, atravessaram a dureza da vida, jogando descalços com bola de trapos, até levarem o génio e a força do engenho ao arrebatamento de multidões, soltando lágrimas do mais fundo dos olhos.

Confesso que é um fenómeno que não consigo entender. Seja arte ou não, poesia ou alucinação, arroubo ou ascese, nada arrebata o ser humano como o relvado de um campo de futebol. Apenas uma bola. Dá que pensar!

O futebol é hoje uma máquina mundial emergindo do mais profundo oceano da baixeza humana até ao mais alto céu da glória. Maradona, pelo pouco que procurei saber da sua vida, foi um menino pobre, o pobre Diego. A máquina da glória ergueu o seu génio à altura do céu e a máquina trituradora levou-o às portas do inferno. Não chegou a entrar porque era humilde, nunca se pôs em bicos de pés e nunca se ajoelhou nem esqueceu o mundo do humanismo que veste a alma de qualquer ser humano autêntico, seja ele do relvado, da passadeira de púrpura ou de qualquer campo de terra batida. O seu génio e o seu coração foram, sem dúvida, os braços que levaram as multidões a erguê-lo ao altar dos imortais.

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