A minha coluna

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O PREJUÍZO DOS FERIADOS

Como já se percebeu tenho uma tendência para estar mais atento ao que se diz na comunicação social, designadamente a nacional e falada, porque em muitas das ocasiões há uma notória impreparação dos profissionais que muitas vezes  incentivam e promovem questões-respostas impensadas e simplistas que induzem os espetadores e ouvintes a conclusões caricatas. Vejam este exemplo: Há dias, por ocasião do feriado de 8, uma repórter da TSF abordava em direto a situação em Elvas, cidade também deserta de turistas espanhóis. Sabemos todos quão importantes são os turistas da raia, do lado de lá, para os comerciantes da raia de cá. E talvez vice-versa. É assim desde o tempo em que os nossos pais iam ali a Tui comprar bacalhau, chocolates e caramelos no tempo em que a miséria de cá era o que hoje poucos se lembram e os mais novos nem imaginam. Nessa reportagem a menina da TSF perguntou a um comerciante o que sentia nesta situação de pandemia e de ausência de espanhóis nos dois feriados do mês. Na resposta o comerciante lamentou-se (era de esperar outra coisa?) e disse que esses dois feriados representavam 80% da sua faturação. E, sem mais, a reportagem acabou. A conclusão imediata de quem estava a ouvir era de que o senhor, em condições normais, faturava 80% nesses dois dias e os outros 20% no resto do ano. E, a ser assim, quem teria sido o irresponsável que determinou o encerramento do comércio em Elvas nesses dois dias? Não era pertinente, até para defesa do declarante, que a jornalista lhe pedisse para esclarecer melhor? Nesses dois dias faturava mesmo 80% do ano todo? Então porque abria o ano todo? Ou era só do mês? Ou não era bem assim? Às tantas os das finanças estavam a ouvir e ainda lhe fazem uma visita!

Balha-me Deus!

 

MAIS REGALIAS POUPAM VIDAS?

Em março, um cidadão ucraniano foi assassinado nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa. Não há ninguém que possa compreender e perdoar um ato hediondo como este, mas esta certeza só a teremos depois do julgamento. Como o senhor não se matou sozinho e as instalações eram de uma polícia, a conclusão é óbvia. Mas as dos juízes, como sabemos, nem sempre. Aguardemos. No entretanto, não há notícia de que o Estado Português tenha sequer contactado a Família deste cidadão ucraniano. A ser verdade também é um ato deplorável e quase vil. Acho até que a primeira decisão de um Estado de bem seria não só falar com a Família, mas também atribuir-lhe uma indemnização, ainda que provisória, até decisão judicial porque, afinal, em último grau o Estado “é que matou”. Esta semana – e finalmente – a diretora do SEF demitiu-se e foi anunciada uma (tardia) reforma do SEF. Tudo tão tardio devido à “aparente inércia” do ministro Cabrita. O PSD, por seu lado, pela voz do deputado Duarte Marques e cavalgando uma justa argumentação contra essa “aparente inércia”, veio defender que tudo aconteceu – o assassinato – porque o Governo não dá meios aos profissionais do SEF, não lhes dá condições de trabalho, não contrata mais nem valoriza as suas carreiras. Ora, independentemente da justeza desta argumentação que até parece mais de um partido da geringonça, impõe-se perguntar ao deputado em causa o que, em concreto, acha que falta no SEF? Condições de trabalho? Bastões não será porque um terá sido suficiente para ajudar os três agentes a assassinarem o senhor Ilhor. Talvez mais agentes. Mas para ajudar os três ou para os impedir de…? É claro que se fossem melhor pagos, com mais regalias, já não se sentiriam tão frustrados e deprimidos ao ponto de terem que descarregar as suas frustrações num homem detido e indefeso. Para justificar politicamente uma merecida crítica política ao ministro o deputado Duarte Marques poderia e deveria ser mais, mas muito mais, inteligente.

Balha-me Deus!

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