“Se tivéssemos mantido esse conceito teríamos optado por fechar porque teríamos mais gastos e não íamos ter um maior número de pessoas”, considerou Vera Valente ao labor

 

O gosto pelas áreas do exercício físico, do fitness e da saúde levou Vera Valente e Bruno Machado a abrirem um espaço próprio em S. João da Madeira. Ambos são naturais do Porto, casados com sanjoanenses, e professores de Educação Física cuja proatividade e conciliação de atividades estão no seu código genético.

O ginásio Free Style começou apenas com aulas de grupo em 2014. Entretanto, ao longo dos anos, aumentou as valências com a criação de uma zona de cardio e de musculação, adaptando-se assim ao mercado tendo em conta a grande oferta destes espaços no concelho.

A pandemia trouxe tempos difíceis e os sócios decidiram tomar uma decisão que não foi nada fácil para o espaço por ter estado entre os negócios que foram obrigados a fechar e dos mais afetados. “Com a pandemia tomámos a decisão que já andava na nossa cabeça há muito tempo que era a de reposicionarmo-nos no mercado”, isto é, “deixarmos de ser um espaço de massas e valorizarmos o que temos de melhor que são os recursos humanos experientes e com formação à altura”, contou Vera Valente, explicando que o espaço deixou de ser um ginásio e passou a ser um estúdio de fitness com aulas de grupo pequenas e com um personal trainer em que todos os alunos são acompanhados por um professor de Educação Física, um fisioterapeuta e um nutricionista.

Esta não foi “uma decisão fácil” porque acabou por afastar os sócios que não se identificam com este conceito, mas “achamos que foi a mais acertada” porque vai ao encontro à linha de pensamento dos sócios que é “o exercício físico tendo como base a saúde física e mental”, mas não só. “Penso que se tivéssemos mantido esse conceito teríamos optado por fechar porque teríamos mais gastos e se calhar não íamos ter um maior número de pessoas”, considerou Vera Valente ao labor.

 

“Área do Fitness tem muito por onde crescer porque a percentagem de população ativa é muito baixa””

 

Se a reposição no mercado deste espaço afastou alguns sócios, atraiu outros. “Estamos a captar um conjunto de sócios que se identificam mais com este conceito personalizado” e até “já tivemos o contacto de pessoas que tiveram Covid e ficaram com mazelas e que estão entre os grupos de risco por terem diabetes, problemas cardíacos, neuromusculares e tiróide”, revelou Vera Valente.

Independentemente de as pessoas terem ou não alguma doença associada, “os benefícios da prática do exercício físico são conhecidos há décadas. Primeiro, na prevenção de muitas dessas doenças e, depois, na cura dos efeitos colaterais”, indicou a sócia, apresentando uma notícia divulgada na semana passada pela Organização Mundial da Saúde onde esta frisa que “podiam evitar-se milhões de mortes por ano com mais atividade física”. A prova disso está no facto de “a nível nacional esta área de negócio do fitness tem muito por onde crescer porque a percentagem de população ativa é muito baixa”, firmou Vera Valente.

 

“Dezembro e agosto são sempre meses maus nestes setores”. Então “dezembro e pandemia é péssimo”

 

Depois de reabrir com uma quebra a rondar os 70% no número de sócios, “estamos longe de chegar ao nosso objetivo de faturação devido à pandemia”, assumiu a sócia do Free Style, revelando que o espaço ativou o lay-off parcial e pretende recorrer à nova linha de apoio do Governo.

Para este mês as previsões não são as mais animadoras pelo facto de “dezembro e agosto serem sempre meses maus nestes setores”. Então “dezembro e pandemia é péssimo”. Por isso, Vera Valente prefere acreditar que “as coisas vão melhorar em janeiro,” não só por este ser “um mês de decisões” para o novo ano, mas sobretudo pela chegada da vacina contra o vírus.

Também elogiou o papel ativo da AGAP – Associação de Ginásios e Academias de Portugal desde o início da pandemia, nomeadamente uma das propostas apresentadas ao Governo que passa por baixar a taxa do IVA e a inscrição nestes espaços fazer parte das despesas do IRS. O que a seu ver “iria ser um investimento rentável porque os gastos com a saúde iriam diminuir como em outros países da Europa”, concluiu a sócia do estúdio de fitness ao labor.

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