Não foi em julho, como estava inicialmente previsto, mas será agora no próximo dia 12, pelas 17h00. Devido à pandemia, Rute Costa não vai poder atuar no Musicatos nos moldes habituais.

À semelhança do que aconteceu com a última artista que participou neste projeto da Academia de Música, o recital desta jovem fagotista de Santa Maria da Feira foi gravado ontem nos Paços da Cultura e será transmitido online no sábado.

Rute Costa vê com bons olhos este novo formato à distância, apesar de achar “estranho não haver os aplausos do público”

 

Que lugar ocupa a música na sua vida?

A música ocupa um lugar muito especial na minha vida. A música fez-me crescer, aprender e deu-me imensas oportunidades, como trabalhar com músicos incríveis e participar neste projeto muito especial, o Musicatos. Sem dúvida que a música mudou a minha vida, pelos melhores motivos.

O que a levou a estudar fagote?

Quando conheci o mundo da música, tive a oportunidade de experimentar variados instrumentos. Na altura desconhecia completamente o fagote, mas lembro-me que foi o único instrumento que me chamou a atenção pelo seu timbre e pela sua forma. Quando tive a minha primeira aula, percebi que fiz a escolha correta em estudar fagote.

Já ganhou alguns prémios?

Não. Também nunca participei em concursos.

“Gostava muito de conseguir conciliar a música com o trabalho”

Neste momento, o que faz? Estuda? Já trabalha? Dedica-se apenas à música?

Neste momento encontro-me em Coimbra, a estudar saúde ambiental. Mas sempre que posso estudo fagote e envio gravações para o meu professor de fagote, que me ajuda e me dá imensos conselhos, para melhorar a minha performance.

O que quer fazer profissionalmente?

Pretendo trabalhar na área do meu curso, mas gostava muito de conseguir conciliar a música com o trabalho, pois a música enche-me o coração de alegria.

Qual a sua ligação a S. João da Madeira? Sabemos que estudou na Academia de Música e que também integra a Banda de Música da S. João da Madeira.

Vim para S. João da Madeira em 2016 para estudar tanto na Academia de Música como na escola Oliveira Júnior, no CursoCientífico-Humanístico de Ciências e Tecnologias. Mais tarde entrei na Banda de Música de S. João da Madeira, que ainda frequento.

Como surgiu a oportunidade de participar no Musicatos?

Fui convidada pela professora Joana, diretora da academia, e pelo meu professor de fagote, convite que aceitei com muito agrado.

Conhece o projeto? Qual a sua opinião sobre o mesmo?

Sim, conheço. É um projeto muito interessante, pois dá oportunidade aos músicos de apresentarem o seu trabalho e a sua paixão pela música.

“Vou sentir falta do carinho do público, mas neste momento é melhor assim”

Como encara o facto de o seu recital no âmbito do Musicatos ser gravado e posteriormente transmitido online? É uma sua estreia neste “formato”, digamos assim?

Sim, é uma estreia e encaro isto de forma positiva, porque no tempo de pandemia em que nos encontramos, nós, artistas, temos de arranjar formas de transmitir o nosso trabalho. E acho que esta foi uma ótima maneira que arranjaram para transmitir o meu recital, apesar de ser estranho não haver os aplausos do público.

A que tipo de espetáculo vamos poder assistir à distância?

Poderão assistir a uma atuação onde serão percorridas diferentes épocas da história da música, desde o barroco (sonata e concerto de Vivaldi, acompanhada por fagote e por piano), até ao neoclássico (Alexandre Tansman acompanhado por piano). Será uma atuação simples, enriquecedora e que constituirá um bom momento musical.

Vão lhe fazer falta o público, os aplausos, o calor humano?

Sem dúvida que vou sentir falta do carinho do público, mas neste momento é melhor assim, para que brevemente possamos voltar a ter os aplausos do público.

Que efeitos a pandemia está a ter na sua vida enquanto jovem em geral e enquanto artista?

Está a ser um ano atípico para toda a gente. Para mim, que me encontro no 1º ano de faculdade em Coimbra, a cidade dominada pela cultura universitária, senti consequências em praticamente todos os aspetos da minha vida, desde as mudanças no sistema de aulas até à proibição das festas académicas e principalmente não poder conviver com a minha família, sempre que quisesse. Enquanto artista, desde que a pandemia começou em março, muitos espetáculos foram cancelados. Caso, por exemplo, do Musicatos, que inicialmente iria realizar-se em julho.

Fico muito feliz por conseguir realizar este espetáculo agora, mesmo sendo nestas condições.

Tem tido convites para atuar em outras cidades?

Não, porque neste momento me afastei um pouco do mundo da música.

“Infelizmente o nosso país ainda não dá a devida atenção à cultura”

Na sua opinião está a ser dada a atenção devida à cultura por quem de direito?

Infelizmente o nosso país ainda não dá a devida atenção à cultura.É triste que não saibam reconhecer o talento e a paixão dos artistas em Portugal. Acredito que um dia este setor seja reconhecido tanto financeiramente como culturalmente.

Há mais alguma coisa que queira acrescentar?

Que assistam a este espetáculo e que gostem, tanto como eu gostei de o preparar. Obrigada!

 

Programa

Allegro moderato em Fá M para duo de Fagotes – Etienne Ozi

Fagote: Rute Costa e Ana Beatriz Gomes

Sonata em lá menor RV43 (com baixo continuo) – Antonio Vivaldi

Fagote: Rute Costa

Baixo contínuo: Ana Beatriz Gomes

Conceito em ré menor (acompanhamento ao piano) – Antonio Vivaldi

Suite para Fagote (acompanhamento ao piano) – Alexander Tansman

Pianista – Natasha Pikoul

 

Rute Costa

Rute Costa nasceu em 2002 em Santa Maria da Feira. Iniciou os estudos de fagote em 2011, no Conservatório de Música de Terras de Santa Maria, com os professores Cláudio Lopes e Tiago Almeida, concluindo o ensino básico (5º grau) com o professor André Santos em 2017.

No mesmo ano, começou a estudar na Academia de S. João da Madeira, onde terminou o ciclo de ensino – Curso Secundário de Música, novamente com o professor André Santos. Paralelamente, concluiu o Curso Científico-Humanístico de Ciências e Tecnologias.

Ao longo do seu percurso académico, tem desenvolvido competências através, por exemplo, das disciplinas de Análise e Técnicas de Composição, História e Cultura das Artes, Classe Conjunto, Formação Musical e sobretudo Orquestra de Câmara.

Tem participado em várias masterclassescom o professor Pedro Silva (ESMAE), nomeadamente em 2017, 2018 e 2019, e com o professor José Pedro Figueiredo (Universidade de Aveiro), desta feita, em 2020.

Participou ainda em vários estágios de orquestra de sopros orientados por diversos maestros como Fernando Marinho, Carlos Marques, Bram Sniekers, Jorge Salgueiro e Paulo Martins. Além disso, frequentou a Orquestra Criativa de Santa Maria da Feira nos anos 2009 até 2015.

Tocou a solo com a Orquestra de Sopros da Academia de Música de Cantanhede e com a Orquestra de Sopros da Academia de Música de S. João da Madeira, nomeadamente na Casa da Criatividade.

Presentemente, a sua atividade artística também é desenvolvida em bandas filarmónicas (Banda de Música de S. João da Madeira e Banda de Alvarenga) e em atuações a solo (com o piano como acompanhamento) e em duo com percussão.

Do seu reportório faz parte um espectro eclético de obras, desde o barroco (Sonatas de Vivaldi), passando pelo romantismo (Carl Maria Von Weber) até à música dos nossos tempos (Gene Koshinsky).

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