A minha coluna

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O “PODER” DAS FARDAS

Há anos escrevi um textinho sobre os chamados “pequenos poderes” e, como exemplo, referi o poder que tinha o porteiro de uma agência bancária para fechar a porta às 4 e meia. À época os bancos fechavam a essa hora e em determinada agência o porteiro ou “contínuo”, que durante o dia desempenhava o que se chamava de “tarefas menores” como recados, ir buscar o correio, colar selos e outras tarefas similares, pouco antes das 4 e meia tinha de ir para a porta e fechá-la na hora certa. Não raramente chegava alguém, nesse momento preciso, com uma letra ou um cheque para descontar e tinha de suplicar a entrada. A badalada do sino da capela já tinha dado sinal e tudo dependeria da boa vontade do porteiro. Abrir ou não abrir, eis a questão. Era o seu poder. Era pequeno, mas nessa hora passava a ser tão grande como decisivo. Se entendesse reabria, mas, se não o entendesse, bloqueava de vez o acesso. Pois bem. Estes pequenos poderes permanecem ainda hoje em muitas profissões. É certo que o País mudou imenso, mas na área das fardas há ainda muito a fazer. O vergonhoso caso do SEF demonstra-o. Uma farda transfigura o ser humano. E se no interior da farda estiver alguém que não está de bem com a vida ou que tenha problemas existenciais congénitos, estão criadas as condições para se poder “armar a giga”. E nem sempre é preciso farda. Basta imaginar. Acácio Pereira, por exemplo, que é o presidente do sindicato do SEF, pode ser muito boa pessoa. Pode ser uma joia de moço. E será! Mas imaginar alguém com uma cara semelhante dentro de uma farda não é cenário animador. E se, além disso, tiver acesso a bastões, algemas, fitas adesivas, tiras de lençóis e impunidade, então o imaginário cenário é de filme de terror. Como terá sido para o cidadão ucraniano. Longe vai o tempo em que as fardas dos polícias eram da mesma cor da farda dos elementos da banda de música. E aí, mantendo em relação a ambos um respeitinho cautelar, tínhamos direito à dúvida. Polícia? Músico?…

Balha-me Deus!

 

AFINAL… ERAS TU?

 

Quem tem acompanhado os comentários semanais de Marques Mendes, ao domingo, já percebeu que tem acesso a informação privilegiada o que, na gíria da finança se designa de “inside trading” e cujo uso, por poder distorcer o funcionamento do mercado, é proibido. Na profissão de comentador não. Às vezes são os próprios “de dentro” que têm interesse em deixar escapar “as dicas” para com a sua divulgação atingirem determinados objetivos. E um comentador que disponha desses contactos privilegiados, seja no Governo ou nos partidos da oposição, tem sempre à mão um manancial de novidades que valorizam o seu momento televisivo e inflacionam a importância das suas intervenções. De vez em quando Marques Mendes fazia umas revelações surpreendentes sobre o que se passava na cúpula do PSD (agora faz menos…)  e em simultâneo no seio do Governo. Se no caso das novidades sobre o PSD a surpresa era pouca porque, afinal, sempre era o seu partido e os amigos lá dentro seriam muitos – apesar de Rui Rio não gostar … – já no que se refere ao Governo do PS a ligação era mais estranha. Era do interesse do Governo dar as dicas a MM ou não tanto assim? Era uma decisão estratégica ou seria uma ligação pessoal? Afinal, soube-se agora, Pedro Nuno Santos era uma das (ou a?) fonte(s).. Pelo menos nesta história da TAP. Pessoalmente acho que não lhe fica bem. Principalmente porque parece ter sido uma fuga de informação de interesse mais pessoal do que…

Balha-me Deus!

 

Nota final (como fazem os comentadores)

Tenho dois gatos. Tenho mesmo. Não são tão fiéis como os cães (sarnentos ou não) mas sabem cuidar de si sem chatear muito. Um é cinzento e branco e o outro, bem, o outro é… como dizer sem me acusarem de racista? É daquela cor que nos negativos das fotografias aparecia a branco. Fiz-me entender sem ofender?

Balha-me Deus!

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