Dos artistas Gonçalo Mabunda, Vhils, Vik Muniz, Álvaro Lapa e Mariana Gomes

 

O projeto “Obras para a Cidade” da Coleção Norlinda e José Lima regressou este mês com a instalação de cinco obras de arte de artistas nacionais e internacionais em locais públicos de S. João da Madeira.

As obras de Gonçalo Mabunda, Alexandre Farto (aka – Also Known As/Também Conhecido Como Vhils), Vik Muniz, Álvaro Lapa e Mariana Gomes podem ser encontradas na câmara, na Casa da Criatividade, na biblioteca e na Academia de Música.

A inauguração desta que é a terceira fase deste projeto promovido pelo Centro de Arte Oliva aconteceu esta segunda-feira de manhã no átrio da câmara municipal, onde está exposta a peça Trono do Mineral de Gonçalo Mabunda, nascido em Maputo, Moçambique. “É um artista e ativista antiguerra. A maioria das suas esculturas é feita a partir de armas desativadas que foram armazenadas e escondidas durante a longa guerra civil que dividiu Moçambique. Ao longo de anos, Gonçalo Mabunda tem trabalhado sobre o tema da Cadeira do Chefe, inspirado pela arte africana étnica e tradicional e como crítica da violência armada e das suas relações com o poder”, lê-se na informação disponibilizada pelo Centro de Arte Oliva aos jornalistas.

Tendo em conta a descrição, esta é “uma peça extraordinária relacionada com a paz” no sentido em que demonstra que “podemos transformar material bélico em arte e em cultura”, disse o presidente da câmara Jorge Sequeira. Todas as obras de arte tentam estar relacionadas com as áreas associadas a cada um dos espaços e pretendem “fazer parte do dia a dia” das pessoas que os frequentam e “ser uma âncora do Centro de Arte Oliva”, explicou a sua diretora Andreia Gonçalves.

A peça de arte de Gonçalo Mabunda é o reflexo do “realismo da guerra em Moçambique” e, ao mesmo tempo, uma “memória coletiva portuguesa” que serve para, de forma simbólica, “contar a nossa história e a do colonialismo”, disse José Lima.

Projeto ainda não chegou às escolas e poderá incluir obras de Arte Bruta

Relembramos que a primeira fase do projeto “Obras para a Cidade” realizou-se de abril de 2018 até junho de 2019 com a instalação de obras no Mercado Municipal, que não entrou na terceira fase por estar em obras, na Casa da Criatividade, na Biblioteca Municipal, na Academia de Música, na Sanjotec e na Câmara Municipal. Já a segunda fase teve início em julho de 2019 nos mesmos locais com a diferença de que tinha como ambição chegar até às escolas. Algo que estava a ser preparado, mas não aconteceu devido à pandemia, afirmou a câmara municipal ao nosso jornal, referindo que esta ambição poderá ser concretizada no próximo ano mediante a evolução da Covid-19.

Uma outra questão colocada pelo nosso jornal esteve relacionada com a possibilidade deste projeto contemplar obras da Coleção de Arte Bruta Treger/Saint Silvestre que também se encontra em depósito no Centro de Arte Oliva. Ao labor a câmara municipal disse que essa é uma hipótese que está a ser ponderada.

 

Roteiro das Obras de Arte

  • Trono do Mineral, 2014, de Gonçalo Mabunda | Câmara Municipal
  • Sobreposições #3, 2009, de Alexandre Farto (aka Vhils) (Lisboa, 1987) | Casa da Criatividade
  • Carcere XIV, The Gothic Arch, After Piranesi (Carceri), 2002, de Vik Muniz | Casa da Criatividade
  • Sem título, 1967, de Álvaro Lapa | Biblioteca Municipal
  • Sem título, 2019, de Mariana Gomes | Academia de Música

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