O Natal das famílias sanjoanenses em tempos de Covid

0
658
DR

As famílias Chumbinho e Tavares contaram ao labor como vai ser o Natal lá em casa. Uma delas terá menos pessoas à mesa, mas nem por isso deixará de manter a magia típica desta época do ano. Até porque os mais novos não permitem que tal aconteça. Nestes dois lares sanjoanenses “mora” o verdadeiro espírito de Natal, não havendo pandemia que o faça esmorecer

 

“Vamos ser seis numa mesa de 12” 

DR

Raquel Chumbinho já só pensa no fim da pandemia ou, pelos menos, em melhores dias, sem recolher obrigatório nem confinamento. Pensa em poder voltar a abraçar, a sair de casa sem limitações, a reencontrar amizades de longa data. “Estávamos habituados a sair muito, a ir para os parques, ao shopping, etc.”, contou ao labor esta sanjoanense de 44 anos, referindo-se a ela e ao marido, Miguel, e também a outros casais, amigos, que andavam sempre juntos.

Não é que o “saldo” desta nova realidade seja “negativo”. “Até agora estamos a conseguir escapar pelos pingos da chuva” – entenda-se estão todos bem, com saúde – e, verdade seja dita, a sua casa nunca esteve tão natalícia como este ano.

“Como aos fins de semana estamos mais tempo em casa”, para além de jogarem vários jogos (Mikado, Monopólio, etc.) e de verem repetidas vezes o filme “Sozinho em Casa”, têm se entretido a fazer “muitas manualidades”, entre as quais um calendário de Natal, uma caixa de sapatos alusiva a esta época festiva, um boneco de neve feito com copos de plástico.

Aliás, por falar em bonecos de neve, Raquel surpreendeu os filhos gémeos, Carolina e Diogo, com um Olaf gigante, que a própria fez e que está por cima da lareira. Nota ainda para a porta de entrada “com neve à volta”, a conduzir com a restante decoração.

Em 2020 também celebraram em casa o Halloween e o Dia do Pijama. E, voltando ao tema Natal, a árvore de Natal foi feita “em novembro, mais cedo do que o costume”. Aliás, “foram eles [os gémeos] que a fizeram”.

Raquel está grata por tudo isto. Mas “nesta altura do ano as nossas agendas andavam sempre lotadas, com jantares” e um sem número de outras coisas, recordou com saudade, lembrando-se ainda que por esta ocasião “os bares de S. João da Madeira faziam a ‘noite do emigrante”, uma oportunidade de estar com amigos que já não viam há muito tempo por estarem fora do país.

“O Natal vai ser mais contido, mas estamos conscientes que vai ser por um bem maior”

Contrariamente a outros Natais em que se reuniam “à volta de 16 pessoas”, neste “vamos ser seis numa mesa de 12”.

Desta vez, a consoada também não vai ser em casa da mãe nem dos tios ou dos avós como outrora, mas “cá em casa [em S. João da Madeira]”, afirmou Raquel, concretizando que vão jantar os quatro juntamente com a mãe e o marido. No dia de Natal, vão ser os mesmos à mesa, mas já na casa da mãe, que vive no Furadouro.

Não há dúvidas que “vai saber a pouco”. “O Natal vai ser mais contido, mas estamos conscientes que vai ser por um bem maior”, fez questão de sublinhar, acrescentando em jeito de brincadeira: “Pelo menos, a doçaria não entrou em confinamento”.

Irmãos Chumbinho “já andam há mais de um mês a perguntar quando é o Natal”

Quem não parece muito afetado com a crise pandémica que se vive são os gémeos Chumbinho, de seis anos, que frequentam a Escola EB1/JI Conde Dias Garcia. “Há mais de um mês que já andam a perguntar quando é o Natal”, referiu a mãe, adiantando que Carolina “já fez limpeza à lareira para receber o Pai Natal” e ambos os filhos já pediram os presentes.

A menina quer um robot “para fazer aquilo que ela não quer fazer [risos]”, que é como quem diz para “pôr e levantar a mesa, aspirar”, tarefas que Raquel já lhes dá para incutir bons hábitos desde pequenos.

Quanto a Diogo, chegou a pedir o jogo “Alien Vision”, “mas esta semana chegou à minha beira a dizer que já não quer, porque o importante é ter pais, família, amigos e saúde”, revelou Raquel, que ficou “muito surpreendida“ com a atitude do filho.

Os dois irmãos “ainda acreditam mesmo no Pai Natal”. Aliás, o Pai Natal terá à sua espera na casa desta família bolachas e leite e as renas cenouras. E “tudo isto é mágico” para Raquel, para quem o Natal “começou a ganhar outra cor” com o nascimento dos filhos.

Na sua opinião, “o Natal é para as crianças”, “é magia, união, família, nascimento”. E este ano atípico é, mais do que nunca, “uma luz de esperança”.

 

“Este Natal vai ser igual aos outros”  

GN

Este ano, o Natal de Patrícia Pinho e Tiago Tavares, ambos de 34 anos, “vai ser igual aos outros”. Mesmo sem pandemia, o Natal deste jovem casal com dois filhos (a Victória e o Gonçalo) “já era muito restrito” em termos de número de pessoas e o de 2020 não foge à regra.

A consoada e o dia de Natal vão ser, uma vez mais, em sua casa, juntamente com a mãe de Patrícia, a mãe de Tiago e ainda uns tios.

E também uma vez mais, no dia 24, os irmãos de Tiago vão passar por lá, antes do jantar, para a já habitual troca de prendas. O mais certo é virem separados, porque como a mãe tem problemas de saúde todo o cuidado é pouco.

Na mesa da consoada não faltarão “umas entradas mais especiais”, o tradicional bacalhau com batatas e couves e, claro, doces, muitos doces, que Patrícia vai fazer durante a tarde, porque, como disse o marido, “ela tem jeito para estas coisas”.

Depois da ceia, é bem provável que vejam televisão, joguem cartas e pouco mais do que isso, porque, “como eles [as crianças] não aguentam muito tempo [acordados], não costumamos estar até muita tarde”, disse Tiago ao labor.

No dia 25, haverá o almoço típico de Natal, com cabrito assado, polvo e também “uns camarõezinhos grelhados”. À tarde, “vamos ver para aí pela 50ª vez o ‘Sozinho em Casa’ [risos]”, confidenciou o casal.

Desta vez, crianças só vão abrir presentes no dia de Natal

Victória, de seis anos, e Gonçalo, de três, mal podem esperar pelo dia 25 de dezembro. Contrariamente aos outros anos, vai ser na manhã de Natal que estes dois alunos do Jardim de Infância dos Ribeiros vão receber as prendas do Pai Natal.

“Este ano, vai ser uma magia diferente. Quero recuperar a tradição de acordarem e terem o presente do Pai Natal debaixo da árvore. Acho que vai ser mais bonito”, disse Patrícia, cuja filha afirmou à nossa reportagem que vai deixar “leite e um chocolatinho para o Pai Natal e também vou pôr uma cadeira para ele descansar”.

Victória e o irmão estão a contar que o Pai Natal traga o que pediram, nomeadamente um Unicórnio de peluche e um Homem-Aranha, sabendo que para isso têm de se portar bem. A ver vamos se cumprirão aquilo que prometeram à nossa reportagem, sobretudo o Gonçalo que, à semelhança da irmã quando tinha três anos, vai deixar a sua chupeta, “para o Pai Natal levar para outros meninos que não tenham”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Loading Facebook Comments ...