O que nos diz a amizade, qual a sua dimensão

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Que conterá este conceito, uma realidade total?
Tema de tanta rubrica, quer bem ou mal traduzido?
E que faz parte de nós, no que há de bem ou mal;
Hoje e por todo o sempre, que o homem terá escondido…

O nosso quotidiano, na verdadeira aceção,
Teima em definir a essência: afeição pelo amável,
Simpatia, o inefável, a simples dedicação,
Mera atração, dir-se-ia, por alguém no seu afável?

Não se exclua do simpósio, que a amizade é muito mais,
Do que uma sensação, mais do que uma emoção,
O recato de um segredo, do sacrifício onde vais
Mergulhar numa ansiedade, que escondes no coração!

Só experimentamos tal conceito quando alguém connosco passa,
Pela tortura da dor, e nós nela confinamos,
Nessa paixão que é do ser, que connosco o rumo traça,
Numa comunhão de ideias onde todos acabamos…

Cai-nos um amigo ao lado, pela doença ou punição,
Tão próprias do ser vivente ou do pecador mais pungente;
E com ele nos perdemos de alma e de coração,
Mergulhando o que sentimos, no fundo do que se sente.

Tão difícil defini-la, porque tanta coisa envolve:
Emoções tão controversas de alegria e de tristeza,
Mas no fundo o essencial de um perdão que absolve
Tudo o que há de menor, num ideal de beleza…

Disposição afetiva, duradoura, até paixão!
Pontos de vista, desejos, sensibilidade, experiência,
Intuição, pressentimento, mágoa, desgosto, ilusão,
Um desígnio e um propósito, antevisão, consciência.

Flores Santos Leite

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