A culpa é dos Portugueses… em especial dos que nos governam!

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Em primeiro lugar, gostaria de informar que não vivemos em anarquia, e como tal vivemos num estado de direito, Estado esse que tem leis e cujos cidadãos têm direitos e deveres.

Recentemente, publiquei um POST numa rede social e fui criticado, por salientar a atuação de quem nos governa durante esta pandemia. Devo dizer que fiquei estupefacto ao ler alguns dos comentários que defendiam que a culpa é das pessoas!!! E, em especial das outras pessoas!!!!

Eu também acho que nós, como portugueses, deveríamos ser objeto de estudo, porque somos o povo que sabe mais sobre exceções à lei do que, provavelmente, sobre a própria lei. Importa-nos mais saber como é que podemos não cumpri-la de uma forma “legal”, do que cumprir, efetivamente, o espírito dessa mesma lei.

Sabendo disto é da minha opinião que quem nos governa tem tido um desempenho lastimavelmente negativo, e temos a exemplo disso o anúncio feito, na passada semana de novo confinamento, com 52 exceções, em que a título  interpretativo é o mesmo que dizer “se não tiveres nada para fazer fica em casa”, e esse nada para fazer poderia muito bem ser: levar os filhos à escola, ir passear o cão, ir às compras (nem que fosse ao postigo), jogar paddle ao ar livre (que São João da Madeira ainda não tem), fazer um passeio de higienização mental, ir ao banco, ir às finanças ou a qualquer outro serviço público e se não for possível o teletrabalho também nos podemos deslocar para ir trabalhar. A título de exemplo, a minha rotina diária alterou-se apenas na deslocação que fazia para levar os meus filhos para a prática desportiva nos seus respetivos clubes, prática essa que, apesar de ser em tudo similar a uma aula de educação física numa qualquer escola, está proibida e, como está deixei de a fazer. O dever de recolhimento, esse há muito tempo que o faço.

Antes deste pseudo-confinamento, assistimos a uma limitação dos horários do comércio que obrigaram as pessoas a fazer compras num horário concentrado, o que levou à existência de filas intermináveis à porta dos supermercados. Também foi permitido passarmos o Natal em grupo/família. Já o mesmo não se verificou com a passagem de ano (salvo seja).

Sobre o Natal, devo dizer que quando ouvi o Sr. Presidente da Républica afirmar que iria estar com pelo menos 5 agregados familiares durante o mesmo, fiquei estupefacto com a mensagem que sem querer estava a passar ao país. O problema não está no número de pessoas com quem nos juntamos, mas sim no número de pessoas com quem cada um de nós interage antes de nos juntarmos, ou seja, se uma das pessoas do primeiro agregado familiar que o Sr. Presidente da Républica visitou estivesse infetada, haveria a forte possibilidade de as restantes 18 pessoas visitadas no Natal, também poderem ficar.  Para quem se apercebeu, o Sr. Presidente também é português e jurista, leu a lei e entendeu que só se podia reunir com 5 pessoas, tendo também entendido que a lei não especificava quantas vezes é que se poderia, de facto, fazê-lo….

Estes (maus) exemplos que os políticos que nos governam dão enceta na falta de profissionalismo e de responsabilidade que têm ao redigir a lei e os vários despachos. A vontade de agradar a gregos e a troianos dá, como diz o povo, raia… Não se pode querer tudo e o seu contrário não se pode dizer: Fiquem em casa! Mas podem sair!

Se o momento é de urgência e de gravidade extrema, como todos reconhecemos que o é, precisamos que se tenha a coragem para decidir à séria! Não mais ou menos, nem a fazer parecer e muito menos a tapar o Sol com uma peneira. Se é para fechar, façam-no de uma vez! Não vale a pena anunciar um confinamento se for para ficar tudo mais ou menos na mesma, pois fazê-lo é não conhecer os Portugueses. Leis assim produzem verdadeiros milagres em Portugal. Vemos pessoas que não se mexiam para nada antes do confinamento e que hoje são verdadeiros maratonistas das caminhadas, pessoas que faziam as compras do mês e passaram a fazer as compras do dia.

No momento do anúncio deste confinamento, todos os Portugueses adivinharam uma coisa que o governo não percebeu e que se refletia no pressuposto de que as medidas anunciadas não iriam ser suficientes. Como se veio a verificar e, apesar de terem tardado mais alguns dias, acabaram por retificar e agravar as medidas, anteriormente, anunciadas aos Portugueses que não são políticos.

Já que falamos de política, dizer aos portugueses que esta está acima da economia, ou de qualquer outra coisa, é desrespeitar todos aqueles que todos os dias lutam contra esta pandemia. O amadorismo, como a eleição presidencial que está a decorrer, é um exemplo disso. Boletins com pessoas que nem sequer vão a votos, filas de espera enormes para as pessoas poderem votar, antecipadamente, e o que considero ainda mais grave é a falta de responsabilidade de quem organiza comícios e jantares de apoio a qualquer que seja o(a) candidato(a).  Sei que está previsto na Constituição que isto aconteça, mas… neste caso diz muito sobre quem se aproveita desse facto em seu proveito próprio, de igual modo diz também sobre quem apesar de conhecer a Constituição não se aproveite dela, porque apesar de ser permitido, ninguém é obrigado a fazê-lo.

O facto de, neste momento, estarmos no segundo lugar do pódio, no que respeita aos novos casos de infeção por milhão de habitantes é culpa dos Portugueses sim, mas principalmente, dos Portugueses que nos governam.

Eu quero mais para o meus País!

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