A minha coluna

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PENSAR (TAMBÉM) É SIMPLES…

Há frases simples que nos marcam e, normalmente, são ditas por gente que fala apenas do que mais sabe. Música, por exemplo. António Zambujo, um cantor que é responsável por alguns dos recentes êxitos da música portuguesa disse há dias – e cito de memória – que “em tempos de pandemia ninguém pode ficar preso às palavras ditas”. Simples e educativo. Que deveria servir para reflexão de alguns atores da política e das diversas especialidades ou associações de classe que agora surgem como cogumelos – a humidade propicia o seu crescimento – e que, quando qualquer acontecimento imprevisível para todos surge de repente, teimam, persistem e cansam-nos ao vir dizer que “o responsável X há dias disse que não era preciso a medida Y e agora vem dizer que é”. Com estas tiradas tentam concluir que fulano ou cricrana é incompetente. Meu Deus! Que demagogia tão barata de quem não tem a responsabilidade de ter de tomar decisões que nos afetam a todos e nem precisa de levantar o rabinho da cadeira porque agora até falam para as televisões pelos Teams ou pelos Zooms no conforto de nada ter de decidir…

Balha-me Deus!

A NANAR?

Os meus gatos (tenho dois, um esbranquiçado e um …preto…) têm andado um xisquito biqueiros. Dormem mais do que é costume e comem menos que o habitual. Por isso acho que estão biqueiros. Mas continuam anafados, gorditos. E percebe-se porquê. Como o tempo está chuvoso passam os dias a dormir. E as noites. Penso que nem sequer se aperceberam que anda por aqui uma pandemia. Para os irracionais gatos, inteligentes como são, a alternativa às correrias e saltos na rua e no mato é… dormir. Na noite do passado domingo, durante a divulgação dos resultados das presidenciais, enquanto o esbranquiçado até ressonava o outro, o …preto, fingia dormir, mas percebia-se que as orelhas estavam sempre alerta às notícias. De quando em vez lá abria um dos lindos olhos esverdeados para confirmar se na televisão aparecia o tipo que fala aos berros e agita os braços como o Cristo-Rei (que não os mexe só porque é uma estátua). A certa altura o meu gato …preto decidiu mesmo entregar-se ao relaxante estado dormente. Deixou de agitar as orelhas com a mesma intensidade e decidiu mesmo nanar profundamente. Foi no momento em que o tal gritador acabou o discurso aos berros a dizer “estais todos a nanar”? O meu gato …preto percebeu que podia dormir descansado e que aquela berraria não era para ele. Afinal, depois do neca ter ganho o terceiro lugar os seus inimigos passaram a ser outros e o meu gato …preto ter-se-á sentido mais seguro. O moço falava para outros. Os que, acordados, andam mesmo a nanar…

Balha-me Deus!

O OVO A CAVALO E OS TOMATES

Foi por pouco que os jornalistas das televisões não entraram pelo saco branco do jantar de domingo do presidente só para confirmar se o que lá vinha era mesmo um bife com ovo a cavalo, arroz branco e uma salada de tomate. Faltou pouco. Depois de largos minutos a mostrarem-nos a porta da casa do professor lá conseguiram ir atrás do homem até ao restaurante e regressar com imagens surpreendentes do saquinho branco onde estaria, a acreditar no que dizia o portador e proprietário do dito, o menu acima descrito. Mas ainda hoje estou desconfiado que não era isso que lá estava dentro. E nem sei se o presidente chegou a jantar porque as televisões não o mostraram. Logo, se não mostraram, ficarei sempre com a dúvida se o presidente jantou e, mesmo tendo jantado, se aquilo era mesmo um bife com ovo a cavalo. Não seria uma costeleta? Ou uma omelete? Não sei não! Nestas coisas dá sempre para desconfiar se não conseguirmos ver na televisão. As jornalistas bem tentaram entrar pelo saco branco “adentro”. Mas com firmeza o senhor presidente agarrou-o bem fechadinho e nem cheiro saiu. De certeza que se terá lambuzado com a gema do ovo a escorrer pelo bife e a ser sugada com a ajuda de um molete que, de certeza, o presidente tinha no saco branco mas que omitiu na declaração aos jornalistas. Uma omissão que, a ser verdade, deveria dar origem a um inquérito parlamentar. Não acham?

Balha-me Deus!

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