Em plena crise pandémica “faz ainda mais sentido estarmos abertos”, defende Micaela Marques 

 

Apesar do encerramento das escolas durante, pelo menos, 15 dias e ao contrário do que aconteceu no primeiro confinamento geral há quase um ano, as comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ) em risco mantêm-se em funcionamento para assegurar a proteção dos direitos dos menores. O primeiro-ministro, António Costa, anunciou ao país esta e outras medidas na última quinta-feira, 21 de janeiro, após mais uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros com a pandemia no centro da agenda de trabalho.

Isolamento social, quando associado a outras problemáticas, “pode tornar-se um fator de perigo muito grave”

Micaela Marques vê com bons olhos a manutenção das CPCJ abertas neste período, mesmo estando praticamente tudo fechado. Para a presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de S. João da Madeira, “faz ainda mais sentido estarmos abertos, em pleno funcionamento, pois a vida das crianças e famílias não fica suspensa, mas fica longe dos olhares protetivos habituais (escola, médico de família, etc.)”. Além do mais, “o isolamento social, já por si, é um fator de risco e quando associado a outras problemáticas que a família já possui pode tornar-se um fator de perigo muito grave”.

No entender da responsável, a CPCJ, representando “toda a comunidade”, “é considerada um serviço essencial, instalado para promover os direitos e proteger as crianças e os jovens de situações que não garantem o seu superior interesse”. “A nossa intervenção é pautada por princípios e valores que nos orientam mesmo que tudo esteja diferente e as rotinas diárias de todos nós se alteraram”, referiu Micaela Marques, deixando por isso, através do nosso jornal, “um agradecimento muito especial a toda a equipa da CPCJ e às entidades que estão sempre de braço dado connosco na prossecução do nosso objetivo maior: proteger as crianças!”.

Número de processos ativos não aumentou com a pandemia…

Sinalizadas pela polícia, escolas e Ministério Público, as principais problemáticas que chegam às mãos da equipa liderada por Micaela Marques continuam a ser a violência doméstica, negligência e exposição a comportamentos que não garantem o superior interesse da criança/jovem. Mas curiosamente desde o início de toda esta crise pandémica até agora, em comparação com outros anos, a CPCJ sanjoanense mantém o mesmo nível de PPP – Processos de Promoção e Proteção ativos, ao contrário do volume de processos existentes no âmbito da Ação Social do concelho (famílias acompanhadas pela Segurança Social, Centro Comunitário Ecos Urbanos e Centro Comunitário Porta Aberta) “que tem aumentado drasticamente”.

Até sábado passado, a CPCJ sanjoanense tinha 80 Processos de Promoção e Proteção ativos. Destes 80 PPP, 78 transitaram do ano de 2020. Entretanto, já em 2021, foram abertos cinco novos PPP e arquivados três. 

…, mas “não está a ser um período fácil, para ninguém, e poucos serão capazes de sair desta batalha sem sequelas”

Micaela Marques confidenciou ao labor que “não está a ser um período fácil, para ninguém, e [que] poucos serão capazes de sair desta batalha sem sequelas”.

É verdade que, a nível profissional, “lidar com a falta de recursos, múltiplas situações e pressões, decidir sobre manter uma criança na família ou colocá-la em acolhimento residencial, suspeitas de abuso sexual, gerir conflitos parentais onde a criança é esquecida, preterida, gerir ansiedades, agressões físicas e psicológicas, não é diferente do habitual”. Só que hoje em dia “acresce a tudo isto o cansaço físico e psicológico, fruto das exigências acrescidas que as entidades de origem nos imprimem para dar resposta às múltiplas solicitações que a pandemia” e que dificulta a missão de quem trabalha na área social.

Mesmo assim, mesmo “perante este momento de crise” nunca vivido, “os princípios e os valores da intervenção mantêm-se”, não havendo lugar no dicionário de Micaela Marques para a palavra “desistir”.

Aliás, por esta e por outras razões, em declarações ao nosso jornal, a líder da CPCJ local fez questão de dirigir “uma palavra de gratidão e louvor a todos os profissionais que, tal como nós, se mantêm no ativo, para garantir os direitos básicos de todos e melhor servir dentro da catástrofe que todos vivemos!”.

 

Como contactar a CPCJ?

Dado o atual contexto de confinamento, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de S. João da Madeira solicita que, sempre que possível, as pessoas liguem. O atendimento poderá ser feito via telefone ou então pessoalmente (no 2.º andar da Casa das Associações, sita na Av. Dr. Renato Araújo) se a situação o exigir, podendo ser no mesmo dia ou então com a maior brevidade possível, de forma a garantir a segurança de todos nas instalações, evitando a sobrelotação do espaço em termos de distanciamento físico.

No horário normal de expediente, os interessados podem ligar para o telefone 256 822 224 ou telemóvel 962 146 469. Já fora do horário normal, podem enviar email para cpcj.saojoaomadeira@cnpdpcj.pt ou enviar mensagem para o Messenger da CPCJ através da página do Facebook – Cpcj SjMadeira. Podem ainda, em caso de emergência, ligar para a Linha de Crianças em Perigo, através do 961 231 111, Linha Nacional de Emergência Social (144) ou PSP.

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