A minha coluna

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PENSEI QUE AGORA É QUE “IA FOR”…

No comentário dominical e com a independência que o caracteriza, Paulo Portas tem evidenciado uma estranha configuração dos slides que apresenta para ilustrar a evolução da pandemia, tema em que muito recentemente se terá especializado. Ao mesmo tempo que não deixa o jornalista dizer patavina, interrompendo-o com um sem jeito pouco cortês, quando os indicadores são mauzitos lá está o slide com a careta de um dos membros do governo a ilustrar a informação. Mas se o slide seguinte apresenta melhoria no indicador em causa, o caramelo que aparece é o de Marcelo. Sei que não é por mal nem tem segundas intenções. Mas conheço boa gente que não acredita e pensa que é de propósito. No domingo passado Paulo Portas estava, aliás, exultante com o facto de ser agora um militar que está à frente da coordenação das picas. É conhecido o gosto que Paulo Portas tem pelas fardas. Ou não tivesse sido ministro da Defesa. Pois terá sido nessa qualidade que conheceu, disse ele, o militar especialista em submarinos que agora manda nessa coisa das picas. Quando começou a explicar como o tinha conhecido ainda tive uma secreta esperança que fosse dizer que tinha sido por ele assessorado naquele negócio dos submarinos tendo em conta a especialidade do militar. Mas não. Terá sido noutro assunto, o que me fez voltar a adiar a tal esperança de ver Paulo Portas a apresentar, um destes dias, um slide com os indicadores desse negócio…

Balha-me Deus!

O SERINGADOR

Quem melhor, aliás, que um especialista em submarinos para tratar de nos organizar a distribuição das picas? Claro! Um vice-almirante e comandante de submarinos, não só pela semelhança gurativa entre submarinos e seringas, mas, principalmente, pelo facto de ter sido ele que está na comissão das picas desde o início! Perceberam? O homem, com longa experiência de logística, já estava mesmo a organizar a coisa. Só que parece que ninguém se tinha apercebido disso. Daí a felicidade de comenta- dores-especialistas, grupo em que tenho tendência a incluir-me, ao verificarem que agora, quem manda mesmo, é quem na prática já mandava, mas ninguém se tinha apercebido. Só que há uma grande diferença. Uma diferença abissal. Dantes era um civil a responder a entrevistas e toca de levar porrada de quem acha que sabe. Agora, com um tipo de camuflado militar a coisa muda de gura. A maior parte de nós é do tempo em que uma farda metia respeito. Já não digo medo porque esse sentimento é mais antigo. Mas respeito. Fosse de bombeiro, de polícia ou até de músico da Banda. Mas uma farda de militar, principalmente um camuflado, transmite autoridade e corta cerce a vontade nervosa de muitos comentadores-especialistas de persistirem nas televisões a dizer balelas sobre assuntos que não conhecem, sobre procedimentos que ainda não sabem e, principalmente, sobre logística de picagem de braços. O senhor já fala, diz aquilo que o antecessor ou outro civil poderia dizer sobre o tema, mas que a “comentarice” diminuiu. E isso também é bom para a nossa saúde. É que o respeitinho ainda é muito bonito…

Balha-me Deus!

A IMACULAÇÃO?

O confinamento a que também estou sujeito tem-me proporcionado um aumento relativo de conhecimentos sobre o comportamento dos felinos como, creio, já terá sido percebido por quem perde tempo a ler estes textos. Às vezes fico tão surpreendido que dou comigo a pensar se não seria possível mandar o gato para a escola. É que há situações em que só lhe falta falar. Pelo menos parece. Um tema que lhe tem prendido a atenção e que o faz sentar frente à televisão quando chega a hora do telejornal é o da vacinação. Há dias um nosso patrício do interior profundo dizia que estava “insioso” à espera da vacina porque também queria ser “imaculado”. Os olhos do gato estavam redondos de interesse pelo assunto e a sua cabeça alternava com grande frequência entre a televisão e 50% dos seus donos – eu, nesse momento – como que a tentar transmitir a vontade de também ser “imaculado”. E a minha sensação foi confirmada nos dias seguintes porque apareceu em casa na companhia de um seu camarada cinzento que, pelo que sei, é o felino de um enfermeiro que vive na mesma rua. E com esse comportamento cheira-me que o meu gato está a incrementar o relacionamento social (pelo menos esse…) com o gato do senhor enfermeiro para ver se consegue ser imaculado com uma vacina excedentária lá no sítio onde ele dá as picas. Se assim for não me admiro nada. Tal como algumas pessoas, normalmente familiares de alguém que manda, há também animais que, não o parecendo, são mesmo muito inteligentes…

Balha-me Deus!

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