Qual o balanço deste que é o seu segundo mandato à frente da junta de freguesia (JF)?

Tinha alguns propósitos desde que entrei para a JF no primeiro mandato. Neste momento todos os meus propósitos estão cumpridos com uma única exceção. Um deles era a transformação em termos tecnológicos da própria JF. Aquele que é mais visível são as instalações. Era importante para os colaboradores terem melhores condições de trabalho. As condições informáticas e as condições físicas. Na verdade, as instalações que tinham eram muito pequenas, péssimas em termos climatéricos, muito frio no inverno, muito quente no verão, pouca ventilação, pouca claridade.

Que outro propósito quer cumprir?

Na vertente da biblioteca (de Fundo de Vila). A biblioteca teve remodelações ao longo do tempo, mas sempre teve essa função de biblioteca. Os próprios indicadores o que determinam é que, na verdade, não é eficaz. As pessoas vão buscar livros, ler os jornais, mas acho que o objetivo daquela biblioteca tem de ser necessariamente uma área social. Há outras coisas que podemos fazer na biblioteca e é isso que estamos a fazer neste momento. Com a transformação informática já conseguimos que fosse um posto de atendimento, o que anteriormente, face ao sistema que tínhamos, era impossível. Se a pessoa quiser tirar uma certidão, fazer o registo de um canídeo, pode fazê-lo lá e na junta. Agora estamos na grande revolução da biblioteca que é transformá-la não só nesse papel, mas também criar um Centro Local de Apoio à Integração dos Migrantes, que está em fase de implementação, e uma Ludoteca. Vamos criar uma série de atividades dirigidas aos jovens e aos seniores de forma a que passem a usar aquele espaço como seu. Também queremos criar atividades interculturais e incluir os migrantes na terra.

O grande objetivo é que a biblioteca seja identificada como uma delegação da junta”

Sente que a biblioteca tem evoluído ao longo dos seus mandatos?

Tem evoluído, mas ainda não está no que deveria ser. Criámos algumas atividades, nomeadamente “Miúdos e Graúdos” em que uma vez por mês as associações (É Bom Viver e Universidade Sénior) iam lá fazer atividades. Isso criou uma dinâmica muito interessante e deu a conhecer mais a biblioteca. A vertente do atendimento também permitiu uma maior frequência da biblioteca, mas acho que continua a ser um espaço que não está verdadeiramente rentabilizado e ao serviço da população. Colocámos lá o Frigorífico Solidário e uma série de coisas de forma a que as pessoas sentissem o apoio, mas acho que pode ser muito mais.

Tal como?

Vamos criar um Gabinete de Apoio aos Fregueses que vai funcionar uma vez por semana para ajudar as pessoas a resolver os seus problemas. Na primeira fase estarei sempre presente para atender as pessoas. Tentaremos criar essa dinâmica de sentirem que podem ir à biblioteca e têm lá alguém que as pode ajudar. Seja para pagar, por exemplo, um serviço ou um imposto, ensinar a usar o Zoom ou o Skype para falar e ver os seus familiares. Acho que nem se pode chamar de biblioteca, deve ter outra designação.

Vai mudar o nome?

Vou. Não pode ser biblioteca porque a função dela não vai ser simplesmente de biblioteca. Ela é uma delegação da junta com uma vertente social. Ainda não arranjei um nome, mas estou a pensar nisso. O grande objetivo deste ano é que a biblioteca seja um núcleo claramente identificado pela população como uma delegação da junta.

Acho que hoje em dia conseguimos fazer muito mais do que era feito”

Acha que a comunicação é um bom investimento?

Acho. Temos sempre à volta de sete mil euros todos os anos. Sempre fomos muito criticados por esse investimento, mas para nós é prioritário. Desde que viemos para cá criámos uma coisa muito importante que são os indicadores de gestão que são apresentados na assembleia conforme vê e estão no nosso site. O que fizemos desde o início foi criar o site, o Facebook e informação sobre tudo aquilo que criamos. Para as pessoas saberem o que é que existe tem de ser comunicado.

A mensagem sobre tudo o que têm feito tem passado?

Para lhe ser sincera, completamente penso que não. Acho que em termos do que era não tenho dúvidas de que está muito melhor e que hoje em dia a imagem da JF é completamente diferente do que quando aqui cheguei. Acho que hoje em dia conseguimos quer pelas atividades que introduzimos, quer pela forma como as comunicamos, fazer muito mais do que era feito. É um facto que se calhar não somos tão eficazes na comunicação como poderíamos ser, provavelmente poderíamos ser melhores, mas também não temos aqui ninguém a tempo inteiro para fazer isso nem acho que se justifique. Temos pessoas muito empenhadas a fazer isso e essa é a diferença em relação ao que existia anteriormente.

Há atividades que criámos que os sanjoanenses não vão admitir que sejam retiradas”

O que tem a dizer sobre a oposição acusar o seu executivo de falta de ambição?

Não sou uma pessoa demasiadamente ambiciosa a nível pessoal, mas sou muito ambiciosa em termos profissionais. Levo muito a sério a minha profissão. Neste momento a minha profissão é ser presidente da JF. Se vir o nível de execução dos nossos planos ele está entre 90%. Há coisas que planeamos e não conseguimos implementar naquele ano, mas temos vindo a implementar. Acho que isso é muito importante. Mais importante do que implementar é implementar com consistência. Fiquei admirada com a quantidade de atividades que criámos. Criámos 25 atividades. Tenho a certeza absoluta que há atividades que criámos que os sanjoanenses não vão admitir que sejam retiradas.

Do género?

Os passeios culturais, os transportes ao IPO, as Termas. A Fruta Social que está a dar os primeiros passos, mas acho que é um projeto importantíssimo. As idas à praia. Não termos ido para a praia no ano passado foi terrível para as pessoas. Acho que criámos atividades que as pessoas já não prescindem delas.

Objetivo é fazer o encontro com uma associação cultural que tem acesso a apoios”

Que mais objetivos tem para este mandato?

O autocarro que finalmente já conseguimos. Era um dos meus grandes objetivos. Um outro objetivo que tinha e esse é que ainda não está concluído, mas está em vias é que o Encontro de Ilustração (EI) seja autossustentável. Modificámos completamente o EI. Ao contrário do que a oposição está sempre a dizer. Fico triste com isso porque empenhei-me muito pessoalmente no EI. É um projeto muito interessante que já é reconhecido a nível nacional e internacional. Quem dentro da junta teve essa iniciativa está de parabéns, assim como o anterior executivo. Acho que estava muito centralizado nas escolas. Sempre achei que a ilustração para ser mais visível e autossustentável tinha que envolver os nossos empresários. Se os empresários vissem na ilustração e nas pessoas que cá estavam algum valor que podiam introduzir nos seus produtos, acho que seria muito importante. É o que tenho vindo a fazer ao longo destes anos. Outra coisa que fizemos e fizemos muito bem na minha modesta opinião é criar sempre um suporte para S. João da Madeira. Temos merchandising da ilustração como postais ilustrados, um livro sobre o concelho, os lavadouros, um mapa premiado internacionalmente, uns sapatos ilustrados e mais recentemente um concurso dedicado à ilustração de um lápis da Viarco. Criámos uma ligação entre o encontro, os produtos e a nossa terra.

Como é que o EI poderá ser autossustentável?

Do que tenho estudado, a alternativa para ser sustentável é criar uma associação de ilustradores nacionais que o pudesse desenvolver sendo sempre o encontro da junta. Neste momento, como não existe, o objetivo é fazer o encontro com uma associação cultural que tem acesso a apoios que a junta não pode ter. Estamos a estudar as parcerias possíveis para podermos ter uma associação envolvida no EI de forma a que através da associação pudéssemos ter acesso a subsídios nacionais e internacionais porque existem mesmo no âmbito da CEE (Comunidade Económica Europeia). Essa é uma das áreas que gostaria que ficasse bem clara para garantir a sua continuidade. Temos um espólio muito valioso da ilustração que devia ser continuado.

Acha que se justificaria criar um espaço dedicado à ilustração?

Acho que sim. Acho que era muito importante porque um dos meus objetivos era que S. João da Madeira fosse identificada como a capital da ilustração.

JF deixou de ter Centro de Mediação do Consumidor

Já cumpriram com tudo da vossa parte no Parque dos Milagres?

Acho que já conseguimos por o Parque dos Milagres com tudo o que era da nossa parte, da nossa responsabilidade, direito. O Parque Infantil, as Casas de Banho, o Parque Canino. Têm todas as condições. Só não estão a funcionar porque não podem devido à pandemia.

A ação da junta não se limita aos atestados e ao registo de animais. O que faz mais?

Fazemos muito apoio para além disso. Não fazemos aquilo que habitualmente se faz nas outras. A nossa JF não é típica nem representativa do país. Devido à transferência de competências a maior parte das juntas é associada aos cemitérios. Claro que tudo isso pertencia à JF de S. João da Madeira quando ela era de Oliveira de Azeméis. A partir do momento em que apareceu um concelho a JF de S. João da Madeira passou todas essas competências para a câmara. Os cemitérios, o arranjar os caminhos e as ruas, espaços públicos, os tanques, os fontanários. O que acontece em S. João da Madeira é que as pessoas associam a junta simplesmente a isso.

O nosso papel não é entrar em concorrência com o que existe

Mas não se tem limitado a isso?

Não. Começámos a criar atividades nas áreas onde achámos que não existia atividade feita na cidade. Já nos aconteceu fazer, a câmara começar depois a fazer e deixámos de fazer. Dou-lhe um exemplo muito concreto. O Centro de Mediação do Consumidor. Já existia antes do meu tempo, fizemos um contrato, passámos a pagar os 1.200 euros por ano. No ano passado a câmara resolveu fazer um protocolo com a DECO e deixámos de o fazer. Não faz sentido ter os dois na cidade.

Não houve tentativa de parceria?

Não. Não fomos contactados nesse sentido.

A junta já falou com a câmara para rentabilizarem o Cheque Veterinário e o Programa de Esterilização?

Não. Vamos ter uma reunião. O Cheque Veterinário existe em duas juntas de freguesia do país. S. João da Madeira e Avanca. Achámos que havia uma lacuna para estas situações. Quando vimos que existia uma coisa chamada Cheque Veterinário dissemos é isto. É para pessoas carenciadas. Dá para tudo. A câmara criou o Programa de Apoio à Esterilização. Eles pagam para a esterilização dos animais das famílias carenciadas, mas se não tiverem o animal com chip já não podem usufruir do apoio. Já pusemos o chip a um, mas a esterilização deve ser feita através do apoio da câmara para que possamos usar o orçamento do Cheque Veterinário em outros tratamentos. Acho que deveríamos gerir isto em conjunto e rentabilizar os recursos.

Tanto faço essas reparações na casa de um idoso como faço numa escola

Os animais abandonados usufruíram do Cheque Veterinário?

Sim. Começámos a utilizar o Cheque Veterinário para fazer a esterilização nas comunidades de gatos. Pelos vistos, segundo me dizem, há 40 comunidades aqui em S. João da Madeira. Começámos a fazer isso, mas depois a câmara disse que tem de ser feito pela veterinária municipal. Pegámos em todos os nossos dados e demos à veterinária. O nosso papel não é entrar em concorrência com o que existe. Agora eles têm de o fazer e nós podemos ajudar. É esse tipo de colaboração que acho que deve existir entre a câmara e a junta.

De que forma podem ajudar?

Já cheguei a ir levar e a trazer o gato de uma senhora que usou o Programa de Apoio à Esterilização da câmara, que é no Canil Intermunicipal, em Oliveira de Azeméis, mas não tinha carro. Este é um exemplo típico onde a colaboração com a junta seria imprescindível. Não está a acontecer. Eles não têm pessoas para levar os animais. Desde o princípio disse ao senhor presidente da câmara que a JF se dispõe a levar os gatos e os cães para o canil. Marcam um dia e vamos levá-los e buscá-los. As pessoas queixam-se que não têm dinheiro para os levar. É por isso que digo que somos muito operacionais. Muitas vezes as políticas são criadas, mas a parte operacional não está bem definida.

À semelhança do primeiro, o segundo mandato ficará marcado pela não transferência de competências…

O senhor presidente da câmara chegou a propor uma competência: as pequenas reparações nas escolas. Nós dissemos: sim.

Qual a razão para não avançarem?

Não sei. Tem que perguntar ao senhor presidente.

Como alguém pode dizer que não é eficaz para a junta se nunca tentou fazê-lo?”

Então é uma das competências que estaria disposta a ter?

Naturalmente. A câmara deu-nos a Oficina do Idoso que é tratar de pequenas reparações nas suas casas. Já temos contactos de pessoas para fazer isso. Tanto faço essas reparações na casa de um idoso como faço numa escola. Os quatro mil euros fomos nós que estipulámos na Oficina do Idoso, mas não sei se vão chegar. Agora nas escolas eles sabem as reparações que fazem ou que têm vindo a fazer. Estou a falar de pequenas reparações. Temos de definir um valor. Ficamos com as reparações que não ultrapassem os 200 euros por exemplo.

E para além das pequenas reparações nas escolas?

Outra coisa que pedi é, por exemplo, o arranjo e a limpeza das ruas. A razão pela qual a limpeza das ruas não pode passar é porque tem um contrato. Não há dificuldade nenhuma em passar o contrato para nós. Em Espinho fizeram assim. Se leu a carta do Engenheiro Milheiro aquilo é subjetivo e nunca há número de pessoas ou de valores. Como alguém pode dizer que não é eficaz para a junta se nunca tentou fazê-lo?

Pensava que ia ter essa abertura no presidente da câmara atual, porque era do meu partido (PS), por isso é que foi uma grande desilusão pessoal”

Nuno Santos Ferreira

Então acha que deviam ter-lhe dado pelo menos o benefício da dúvida?

Naturalmente. Temos de falar das coisas. Não é falar assim: isto não podem fazer porque tem um contrato, estão lá não sei quantas pessoas e não podem passar para vocês. A discussão não pode ser feita assim. Não me conformo até porque isto não é um discurso de me dizerem que não posso fazer. Como é que sabem que não posso fazer? Porque não tenho os meios? Mas o objetivo da transferência de competências é transferir os meios para as pessoas poderem fazer. Não queremos dinheiro. Queremos é os meios para fazer aquela atividade. E aquele dinheiro é só para aquela atividade. Tenho exemplos de colegas meus que conseguem fazer a mesma atividade com menos dinheiro.

Como encarou a não transferência de competências neste mandato?

A não transferência de competências foi uma grande desilusão pessoal. Pensei que fosse difícil porque estes processos nunca são fáceis. Não estava à espera da transferência de todas as competências, mas estava à espera que houvesse um diálogo franco e claro e que houvesse, na verdade, uma abertura para iniciar um processo de transferência de competências. Podia ser só uma. Pensava que ia ter essa abertura no presidente da câmara atual, porque era do meu partido (PS), por isso é que foi uma grande desilusão pessoal.

Não deixo que a política nem as manobras políticas alterem as minhas prioridades nem os meus valores”

A decisão do presidente da câmara levou a que deixasse de ser militante do PS…

Internamente sempre disse que faria isso. Sempre disse que no momento em que a postura fosse essa, de não transferência de competências, pela qual sempre lutei, que deixaria o partido. Aliás, estive como militante para aí um ano. Sempre apoiei o PS e sempre que acharem que posso dar um valor acrescentado à cidade ou à terra estou disponível para isso. Isso faço por convicção própria porque gosto do serviço público e de fazer coisas com as pessoas. Agora não deixo que a política nem as manobras políticas alterem as minhas prioridades nem os meus valores. Isso nunca.

Se passassem só as pequenas reparações das escolas, ficava, para já, satisfeita?

Ficava. Porque acho que isto é um processo. Se conseguíssemos provar que conseguíamos fazer, podíamos ajudar. O que senti foi uma desilusão não só nessa vertente, mas depois em outras. Acho que há entendimento que a junta não deveria existir e não consigo conformar-me com isso.

Há guerrinhas que não entendo e tem a ver com poderes”

Ao não transferirem competências, os presidentes da câmara, atual (PS) e anterior (PSD/CDS-PP), estão a desvalorizar o papel da junta e a por em causa a sua existência?

Claramente. Claro que o senhor presidente vai dizer que temos tido várias colaborações com a câmara municipal e é verdade. Por exemplo, a das instalações foi fundamental, o autocarro foi fundamental, o protocolo com o parque, fizemos o Programa Sénior Ativo, vamos agora fazer a Oficina do Idoso. Não percebo como fazem estas. Aí até entendem que podemos ajudar, mas depois noutras já acham que não. A própria Cadeira Dentista. Sempre dissemos que estaríamos dispostos a pagar a Cadeira Dentista. Acho que foi um aspeto importantíssimo para esta cidade. Sempre lutei por isso. Quando a câmara conseguiu achei ótimo. Vieram-nos perguntar se não queríamos colaborar. Dissemos que colaborávamos e ajudámos com dinheiro. Podíamos não colaborar porque eles têm mais dinheiro que nós. Há guerrinhas que não entendo e tem a ver com poderes.

Acha que a transferência de competências não acontece porque a câmara receia “perder poderes”?

O que o senhor presidente da câmara diz é que entende que qualquer uma destas competências não tem sentido passar para a JF porque põe em causa todo o funcionamento da câmara e não é eficaz. Estou a dar-lhe o exemplo de duas ou três em que não percebo como não consigo ser eficaz. Outra são os reclames comerciais nas ruas. Compreendia se dissesse que esta, esta e esta, estamos organizados desta maneira, por isso nesta fase não me parece que seja adequado fazer isso. Agora quando me dizem isto não tem nada que sirva.

Não tenho uma má relação com a câmara. Não estou desiludida com a câmara, estou desiludida é com o senhor presidente”

Como está a relação com a câmara?

Não tenho uma má relação com a câmara. Não estou desiludida com a câmara, estou desiludida é com o senhor presidente da câmara. Já lhe disse diretamente. Para mim foi uma desilusão não só pelo resultado, mas pelo processo. Não tenho nada contra a câmara a não ser na vertente da transferência de competências. Não tenho nenhuma guerra com a câmara e farei acordos com a câmara sempre desde que sejam para o bem dos sanjoanenses.

A câmara disse estar aberta para diálogo sobre as competências. Isso faz sentido?

Não faz porque até agora não tenho visto mais nada. Estão abertos para diálogo em termos de outras coisas, agora em termos de transferência de competências ainda não ouvi nada.

Tenciona voltar a levar o assunto à câmara?

Sim.

Até ao fim do mandato vai lutar pela transferência de competências?

Sempre. Porque eu defendo isso.

Se não houver junta não pode haver concelho

Acha que num concelho como o de S. João da Madeira faz sentido existir uma JF?

Todo o sentido. Aliás é o contrário. Se não houver junta não pode haver concelho. Está assumido na nossa lei. Há um concelho com um conjunto de juntas. Se não, não há concelho. É preciso ver que este concelho é pequenino, mas tem muita gente e precisa de todos para trabalhar. A junta não pode viver sem a câmara nem a câmara sem a junta. Nenhum de nós deve pensar dessa maneira. Eu não penso dessa maneira. O que eu penso é que conjuntamente podemos ajudar-nos uns aos outros para conseguirmos que os sanjoanenses tenham os melhores resultados. Não tenho dúvida nenhuma que podemos colaborar com a câmara em muitas áreas. Não vamos substituir a câmara de maneira nenhuma.

Que reações tem recebido ao seu trabalho por parte dos fregueses?

Tenho recebido boas reações. Naturalmente que acredito que haja muita gente que não concorde comigo ou que acha que faço um péssimo trabalho e já recebi algumas reclamações, como é óbvio. Aqueles que são retinentes se calhar não mo vêm dizer a mim diretamente. Alguns dizem. De uma maneira geral até tenho tido uma boa recetividade. Uma coisa que me admirou muito foi quando muitas pessoas me vieram agradecer pela criação de uma série de atividades. Já me aconteceu isso. Fico muito emocionada.

Gostava de ser referenciada por ter valorizado o papel da JF”

Nuno Santos Ferreira

Qual a marca que deixa nestes últimos oito anos?

Acho que uma das marcas é o autocarro andar ao serviço das pessoas. Eu sei que isso para elas é muito importante. Muitas delas nunca viajaram tanto como connosco. Gostava de ser referenciada por ter valorizado o papel da JF de S. João da Madeira.

Acha que tem conseguido?

Acho que tenho conseguido alguma coisa. Acho que pus o nome da junta reconhecidamente como uma entidade que está próxima das pessoas e que as pode ajudar. Essa era a minha preocupação e foi isso que tentei fazer. Não sei se consegui, mas acho que consegui alguma coisa. Acho que consegui organizar a casa.

Quais são os seus planos para quando terminar o mandato?

Por estranho que pareça, eu que até sou uma pessoa muito organizada, não tenho planos absolutamente nenhuns. Acho que estamos numa fase muito má, estas questões todas desiludiram-me, é um facto, mas continuo a lutar por elas. Não sei se continuarei a candidatar-me ou não, mas gosto do trabalho que faço.

Então ainda não decidiu se voltará a ser candidata à junta?

Não, ainda não decidi porque tenho um compromisso com o PS. Também quero aguardar pelas coisas, mas não sei.

Noutras circunstâncias já tinha decidido?

Já.

Até podia ter uma vereação, que é mais operacional, agora presidente da câmara não é papel que me alicie minimamente

Alguma vez ponderou uma candidatura à câmara municipal?

Não. De forma alguma. Não me revejo naquele tipo de função. Já lhe disse que sou muito operacional e acho que o presidente da câmara tem muito trabalho de estratégia e muito trabalho político, no qual não me revejo. Até podia ter uma vereação, que é mais operacional, agora presidente da câmara não é papel que me alicie minimamente. Gosto de fazer coisas e gosto muito daquilo que faço. Sempre fui de recursos humanos. O trabalho, a negociação e a discussão política não me aliciam minimamente. Alicia na vertente em que a política é um meio para conseguirmos fazer coisas para as pessoas. Às vezes não é. Desilude-me. Sou muito mais prática. Acho que não sou pessoa minimamente indicada para ser presidente da câmara. Pela experiência que tenho acho que posso e consigo ser uma boa presidente da junta.

Terminamos como começamos, qual o balanço do seu trabalho como presidente da junta?

Faço um balanço positivo da minha atividade. É uma atividade muito gratificante e muito desgastante porque envolvo-me muito em todos os processos. Acho que consegui em várias áreas muitos dos objetivos a que me propus. Outros foram aparecendo como o Orçamento Participativo que conseguimos criar e foi um sucesso em S. João da Madeira.

Junta apoia bombeiros com 1.500 euros

Valor em dívida por transportes feitos a pessoas que não têm dinheiro para os pagar

Uma coisa que decidimos na sexta-feira (22 de janeiro) foi saber o valor em dívida aos transportes feitos pelos bombeiros por pessoas que não têm meios e não pagam. Decidimos pagar esse valor. Pedimos a listagem do que estava em dívida, mandámos para a câmara para saber se aquelas pessoas eram ou não apoiadas pela área social. Aquelas que foram devidamente identificadas como carenciadas, pagámos aos bombeiros. Foram 1.500 euros mais ou menos. Por um lado, é uma forma de ajudar os bombeiros e, por outro, as pessoas. O papel da junta é este, de proximidade. Apercebi-me disto quando uma senhora me pediu ajuda para transportar a filha ao hospital, mas não tinha dinheiro para pagar aos bombeiros”, revelou Helena Couto durante a entrevista que deu ao labor.

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