E, nesse sentido, apresentou esta semana um projeto de resolução na Assembleia da República

Enquanto o Governo se limita a “fazer anúncios consecutivos” em vez de avançar, de uma vez por todas, com a requalificação e a revitalização integral da Linha do Vouga, o Bloco de Esquerda (BE) propõe que, pelo menos, esta ligação ferroviária que atravessa vários concelhos, entre os quais S. João da Madeira, seja já incluída no Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART) ou no passe intermunicipal, como é mais conhecido. Isto, “tendo em conta a importância que tem para a mobilidade da região onde se insere” e também “o padrão de utilização pendular que se faz deste transporte”.

De acordo com os bloquistas, “a Linha do Vouga, não obstante ter sido colocada quase ao abandono por vários Governos, continua a ser uma das mais fundamentais ferramentas de ligação no distrito de Aveiro”, atravessando os concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha, Águeda e Aveiro e servindo, “potencialmente, uma população de mais de 410 mil pessoas”.

Integração no PART traria “consequências positivas para a economia dos agregados familiares e para o ambiente

A ideia do BE – segundo o projeto de resolução que apresentou esta semana na Assembleia da República (AR) e que espera ver discutido “dentro de 15 dias, três semanas”, no mínimo – é “diminuir o custo do transporte público [neste caso do ‘Vouguinha’] para o promover, com consequências positivas para a economia dos agregados familiares e para o ambiente, com a redução das emissões de CO2”. E, precisamente nesse sentido, recomenda ao Governo que sente à mesma mesa a CP – Comboios de Portugal e a Área Metropolitana do Porto (AMP).

Aliás, a própria Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira aprovou, por unanimidade, uma moção que defende exatamente esta articulação, conforme disse Moisés Ferreira aos jornais locais.

O deputado à AR sanjoanense convocou, esta última segunda-feira, uma conferência de imprensa junto à Estação de S. João da Madeira para dar nota desta proposta. No entender do seu partido, “não faz sentido que alguém apanhe o comboio em S. João da Madeira até Espinho e que, depois de Espinho, apanhe [outro] comboio até ao Porto e dali para Vila do Conde tenha que pagar dois preços”. Ou seja, “a partir de Espinho pode utilizar o passe intermunicipal, mas daqui [de S. João da Madeira] até Espinho tem de pagar um outro bilhete”.

No mesmo projeto de resolução, o Bloco sustenta que “o Governo deve introduzir alterações ao regime do Programa de Redução Tarifária dos Transportes, de forma a permitir a integração entre áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais vizinhas e com conexões de transportes públicos e que, assim, a redução tarifária, no caso da Linha do Vouga, possa ser uma realidade para os vários concelhos abrangidos”.

Para Moisés Ferreira, “realmente, o regime é muito estanque neste momento, porque o passe serve para nós, que vivemos na AMP, circularmos dentro da AMP. Mas se apanharmos o comboio daqui para Albergaria-a-Velha, por exemplo, já não dá, apesar de serem concelhos contíguos e onde existe até muita pendularidade, muita circulação de pessoas de um lado para o outro”.

Sendo o PART financiado pelo Fundo Ambiental, esta medida não terá “grande impacto orçamental”, o que, na ótica do BE, não deixa de ser mais um ponto a favor da sua aceitação por parte da tutela.

O parlamentar bloquista mostrou-se, pois, otimista quanto à sua aprovação. E a ser aprovada “creio que essa mudança poderia acontecer de uma semana para a outra: basta a AMP, os seus municípios e o seu poder executivo, com a CP que é tutelada pelo Governo, chegarem a um acordo”.

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