Pergunta : Porque se procura sempre modificar o “Centro” de uma cidade ?

Resposta curta : Porque é fácil.

Resposta longa :

Imagine o leitor que tem um amplo jardim à frente de sua casa e só se preocupa com o relvado central. Isto é, não quer saber dos cantos do jardim. Ou seja, das chamadas “bordas” cheias de silvas e mato a crescer, junto dos vizinhos.

Deste modo nunca irá ter um jardim minimamente preservado. E a tendência será os infestantes invadirem pouco a pouco o centro do seu jardim.

Mas ao invés disso, se o leitor começar por cuidar, em primeiro lugar, as periferias junto aos muros, e até colocar lá uma sebe ou flores ou outra coisa qualquer. Isto é, controlar as fronteiras junto dos seus vizinhos. Que lhe parece?

Obviamente que eles agradecem e será meio caminho andado para ter o seu quintal preservado.

Uma cidade é com um jardim; tem o “centro” e as periferias. Será mais benéfico para as populações de qualquer cidade começar por tratar as periferias. Para ter boas ligações com os concelhos vizinhos. Para que as ruas se fundam sem atropelos urbanos. E ter assim zonas residenciais saudáveis e arranjadas.

Até porque muitas das vezes são freguesias vizinhas, de outros concelhos, que alimentam a vivência da própria cidade. Vêem de fora para dentro.

A noção de que o chamado “centro” de uma cidade é o coração da mesma não é a mais correta. Existem muitos mais corações a serem reanimados. Pequenos bairros e aglomerados de casas bem longe do centro.

Existe uma tentação repetitiva de intervir periodicamente no centro histórico duma cidade. Este não é necessariamente o centro económico da cidade, mas será o centro ligado somente à memória de uma parte da população. Infelizmente cada vez mais residual.

DR

Com esse modo de pensar e agir, gastam-se milhões de euros sem haver resultados satisfatórios para os cidadãos. Porque não são com acções de cosmética urbana que a vida de um centro renasce. Nem com eventos.

Por outro lado, são esquecidas as tais zonas com “silvas” sem passeios, sem intervenção urbana e descaracterizadas que envolvem toda a periferia da cidade. Zonas essas que muitas das vezes precisam de entendimento e com os vizinhos. E isso é caminhar na direcção certa em termos urbanos.

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