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Desafios para 2021 – parte II

Depois de uma primeira visão dos desafios para o novo ano, a nível nacional, creio que se justifica também uma visão daquilo que serão os desafios para a nossa cidade.

O primeiro desafio passa, à semelhança do que referi na parte I deste artigo, por travar a pandemia. O ano 2020 foi, também a nível local e em virtude da situação pandémica, um ano duro e difícil, com rotinas alteradas, projetos adiados e sonhos destruídos. Um ano penalizador para o nosso comércio local, para o nosso tecido empresarial e para o nosso movimento associativo.

Há uma ideia que se tem vindo a generalizar de que em “tempos de guerra” não é patriótico discordar-se. A política vive tempos de respeito. Parece que há medo. Perdeu-se o gosto pelo risco de se debaterem ideias e posições. Não posso consentir tal. Nos últimos tempos, tornou-se bastante claro que podíamos ter feito mais e melhor. A nível nacional, mas também a nível local. Aliás, em São João da Madeira, reagimos e não agimos. Se formos comparar a ação no combate à pandemia feita em municípios-modelo, é justo dizer que cumprimos os serviços mínimos ao nível da testagem – nas escolas ou nos lares – e apoiamos muito pouco o comércio e as empresas. Já em novembro passado, muito antes desta terceira vaga e num momento em que era crucial desenvolver e implementar medidas de apoio e de combate à pandemia, a Coligação PSD/CDS-PP apresentou um conjunto de propostas de apoio ao comércio e à indústria – implementadas em municípios-modelo, como Matosinhos (liderado pelo Partido Socialista), Famalicão ou Cascais, que se revelaram cruciais na monitorização e no combate à pandemia e cruciais na atenuação dos efeitos da crise económica gerada pela mesma –, que se juntaram a alertas constantes para a necessidade de testagem em várias instituições da nossa cidade. No entanto, o executivo do Partido Socialista foi sempre adiando o inevitável. E a história tem-nos mostrado, em vários níveis, que adiar o inevitável é sempre um erro. Na minha opinião, que só a mim me vincula e responsabiliza, perdemos uma oportunidade de, como concelho onde fazemos futuro, andarmos mais à frente, liderando e inovando.

É nessa senda que surge o segundo desafio, que é o de garantir que São João da Madeira não continua a andar para trás. Nos últimos anos, temos vindo a perder dinâmica, competitividade, centralidade e eleitores. A nível empresarial, as empresas tendem cada vez mais a trocar o nosso concelho pelas áreas industriais dos municípios vizinhos, onde encontram melhores condições para investir, fruto da incapacidade em se implementarem medidas inovadoras com vista à fixação de empresas no nosso território e da falta de vontade em se encontrarem respostas para o problema da falta de espaço. Perante esta realidade, o nosso espaço industrial – que é o mais caro da região – tende a ficar deserto, sem empresas, sem criação de riqueza e a cidade vai perdendo as suas marcas de cidade dinâmica e competitiva, outrora reconhecidas nacionalmente. De igual forma, São João da Madeira vai perdendo a sua centralidade. O caso mais recente é o da construção de um Campus Universitário, composto por 10 edifícios, no município de Oliveira de Azeméis. Num claro exemplo de falta de visão, o executivo do Partido Socialista, não teve a capacidade de garantir um grande investimento em conhecimento, atração de jovens e dinâmica económica, que constitui uma verdadeira infraestrutura de futuro. Ou, pelo menos, de garantir que este projeto fosse um projeto intermunicipal, complementar entre os dois municípios, até porque Jorge Sequeira preside também à Associação de Municípios das Terras de Santa Maria. Mas mais uma vez, o futuro passou-nos ao lado! A juntar a isto, e pela primeira vez, São João da Madeira baixou dos 20 mil eleitores (19.928 eleitores nas Presidenciais de janeiro passado), facto que tem implicações na cidade e na sua estrutura, nomeadamente na estrutura orgânica da Junta de Freguesia. E tudo isto só foi possível porque Jorge Sequeira não fez aquilo que exatamente disse que ia fazer na tão preconizada Visão de Futuro, que até hoje ainda ninguém entendeu em que é que se consubstancia afinal.

A terminar o ano, o terceiro desafio: as eleições autárquicas. Em finais de setembro ou inícios de outubro – considerando que as eleições autárquicas não serão adiadas – os sanjoanenses são chamados às urnas para escolher o executivo municipal para os próximos 4 anos. Estando o atual mandato a chegar ao fim, a ideia que tenho é a de que há na cidade um sentimento generalizado de desapontamento. Creio que, durante estes 3 anos de mandato do Partido Socialista, faltou a consciência de que a realidade à nossa volta se altera a cada momento, impondo, por isso, novos desafios e novas prioridades, capazes de ajudarem São João da Madeira a renovar o nível de progresso que lhe era reconhecido e a ir ainda mais além na sua afirmação como cidade economicamente competitiva e socialmente solidária, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos e dando uma especial atenção a quem mais precisa.

Como há muito não se via na cidade, a Coligação PSD/CDS-PP teve, enquanto oposição, a capacidade de combater o Partido Socialista de uma forma positiva e construtiva, sem excitações, mas com convicções. Elogiámos o que de bom se fez, advertimos para o que de mal se faz e demos o nosso contributo através de ideias e propostas, nunca nos demitindo da nossa função que é lutar pelos superiores interesses dos Sanjoanenses, num trabalho assente na ideia de gestão rigorosa que tivemos durante os 16 anos em que governámos a cidade e a partir da qual fomos trilhando um caminho que fez com que a nossa cidade fosse sempre uma cidade à frente do seu tempo. Acredito que é por aqui que devemos ir. Com rasgo, com visão estratégica, preservando sempre aquela que é a História da nossa cidade – que tanto nos orgulhamos de ter ajudado a construir – e valorizando o trabalho dos Sanjoanenses, dos poucos que se fizeram tantos, resistindo aos revezes, construindo futuro, a pensar em todos e a olhar em frente.

O nosso maior desafio – enquanto oposição e alternativa à ilusão do Partido Socialista – passa pela construção de uma alternativa capaz de gerar um novo impulso e uma nova força, que afirme a diferença e que nos permita avançar e pensar em novos financiamentos e em novos projetos inovadores, diferenciadores e agregadores. A construção de um projeto forte e ambicioso que volte a colocar a Cidade no caminho do desenvolvimento e da inovação tecnológica, da captação de investimento e da criação de emprego, da criação de riqueza, da diminuição da dívida e dos impostos e que saiba responder aos tempos difíceis que se avizinham. A construção de um projeto motivador, onde caiba toda a gente e onde caiba toda a cidade, construído com todos e para todos, próximo das pessoas e que devolva a confiança àqueles que são a força da cidade – os cidadãos, as associações e as instituições.

São João da Madeira é uma cidade que nos enche a alma, que nos motiva e que nos emociona. Desafia-nos sempre a fazer mais e melhor, a ir mais além, a andar à frente, sem deixar ninguém para trás. Creio, por isso, que é ponto assente que o caminho deve ser por aqui: fazer de São João da Madeira uma terra de oportunidades, de empresas, competitiva, atrativa e com indústrias da nova geração. Uma terra que seja sinónimo de desenvolvimento e inovação, de qualidade de vida e de futuro!

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