Assim foi a última Assembleia Municipal durante a discussão do tema causa animal. A deputada Bruna Soares começou por dizer, em nome da coligação PSD/CDS-PP, que já sabem que a câmara municipal adotou dois gatos (o Sanjo e a Oliva), que o Parque de Matilhas está quase pronto, que o primeiro abrigo para uma das dezenas de colónias de gatos existentes na cidade foi comprado e colocado na Avenida do Brasil e que há um Programa de Apoio à Esterilização dos animais das famílias carenciadas. “Sabemos isso porque o senhor presidente (da câmara Jorge Sequeira) não se cansa de repetir. Aliás, são os únicos argumentos que tem quando trazem este assunto à assembleia e provavelmente a outros sítios. No entanto, os argumentos muito bem espremidos não dão para matar a sede a ninguém”, considerou Bruna Soares. A deputada da coligação quis saber se o presidente da câmara verificou se medidas como o Parque de Matilhas, o abrigo para a colónia de gatos e o programa de esterilização têm correspondido às necessidades dos animais da cidade. “Eu sei que não. Tivemos esse cuidado e fomos verificar”, disse Bruna Soares, levantando várias questões relacionadas com estas temáticas. No que diz respeito ao Parque de Matilhas, demonstrou preocupação em relação ao plano de gestão do espaço onde vão ser colocados estes animais frágeis que se juntam em grupos. Em relação ao abrigo já que é um projeto piloto não entende como é que a câmara não autorizou o uso de um equipamento ganho por uma das cuidadoras das colónias por não concordar com o protocolo da associação quando ela própria leu o documento e não encontrou uma justificação para a tomada dessa decisão. “É estranho não aceitarem algo oferecido e implementarem agora a mesma coisa com menos condições em ano de eleições”, criticou Bruna Soares, para quem a câmara gastou “2.400 euros num bibelô porque o artigo não é procurado pelos gatos. O abrigo é frio, chove lá dentro, não serve a sua finalidade e vai ficar só lá a existir”. “Não teria sido melhor ouvir as pessoas que estão no terreno todos os dias e sabem as soluções para essas falhas? A ideia era comprar um mau abrigo e como os animais não o usam não vale a pena replicar?”, questionou. Já o programa de esterilização é “interessante”, mas “não está a ser bem explorado”. Aliás, “só será quando for aplicado o CED (Capturar, Esterilizar, Devolver). Só assim as colónias vão diminuir e ficar controladas”. Para além disso, se é certo que “as pessoas querem ajuda, os critérios são os mais adequados?”, perguntou Bruna Soares, recordando que apenas três pessoas recorreram ao Programa de Apoio à Esterilização.

“Diz que é pouco, propaganda e política, mas o que diria há três anos?”

O presidente da câmara “discordou profundamente” das intervenções da deputada da coligação PSD/CDS-PP sobre a ação do executivo socialista pela causa animal. “Diz que é pouco, propaganda e política, mas o que diria há três anos? Se fizemos o que fizemos e nada estava feito antes, o que diria numa Assembleia Municipal antes de outubro de 2017 sobre o trabalho do seu partido nesta matéria? Não queria estar na pele do seu partido nessa altura e tê-la como defensora da causa animal”, incitou Jorge Sequeira, esclarecendo que “a sua lista de medidas é incompleta” por não ter mencionado a criação da Provedora dos Animais, o subsídio atribuído à Ani S. João nem a ampliação do Albergue. O Parque de Matilhas não é “um parque de propaganda”, tem “vocação e orientação técnica adequada” e foi “construído sob a égide de seis veterinários municipais. Não foi algo que passou pela cabeça dos presidentes de câmara. O canil é gerido com o contributo dos veterinários municipais e acho que essas pessoas sabem o que estão a fazer”. Para o primeiro abrigo de uma das colónias de gatos de rua, “não fizemos parceria porque não nos pareceu que fosse satisfatória. Quisemos que o primeiro projeto fosse de qualidade e criasse confiança”, declarou Jorge Sequeira, assumindo, por isso, que se o equipamento tiver algum problema, a câmara vai “exigir ao fornecedor a devida reparação”. Por responder ficou a questão da fraca adesão ao Programa de Apoio à Esterilização. “Parabéns ao PSD e a si (deputada Bruna Soares) por ao fim destes anos pôr a sua voz em torno da causa animal. Deixe-me dizer que a sua intervenção é que cheira a campanha eleitoral. No fim do dia o que conta é ver as medidas que foram feitas e comparar com o passado para fazer o julgamento da nossa ação” e “no que respeita à causa animal estamos de consciência muito tranquila e queremos fazer muito mais”, concluiu o presidente da câmara.

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