Vemos à volta o vazio de uma pandemia em curso,

Voltejam o pó, estrépitos, de obras de reconstrução,

As pessoas, entre passos, usam máscaras de recurso,

P´ra se evitarem contágios de riscos que tantos são…

 

Os movimentos são outros, acelerados nas ruas;

Nos largos ouvem-se apenas, das máquinas, os sons “ferozes”,

O cascalho, encarcerado, desde o alto das gruas,

E os ouvintes forçados, em agonias atrozes…

 

Parcas são as saudações, apenas um olhar de esguelha,

Atirado à sorte enquanto se pensa no “Quem será”?

Atrasam-se os nossos passos num buraco onde se espelha

Alguma água das obras, empoçada que estará!

 

Este nosso dia a dia! Tão caótico! Trovejante,

Já se tornou rotineiro, ocupando este outro inverno

De um descontentamento, a acompanhar incessante

O pobre “Peão das Nicas”, e a mantê-lo no inferno…

 

Olhamo-nos na tristeza de um comércio, con(m)finados

Pelas leis da natureza e do Homo criador,

Aguarda-se por aquele dia em que homens libertados,

Serão de novo os senhores de um outro mundo melhor.

 

Esta mudança tardia de um inferno turbulento,

Onde se cruzam peões com monstros vindos do além,

É e será uma prova ao paciente quezilento

Do pobre do cidadão que deixou de ser alguém…

DR
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