A pandemia antecipou a silly season e a semana foi prolífica

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Estou Tonto

Estou tonto,

Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,

Ou de ambas as coisas.

O que sei é que estou tonto

E não sei bem se me devo levantar da cadeira

Ou como me levantar dela.

Fiquemos nisto: estou tonto

Álvaro de Campos, in “Poemas”

Hoje em dia virou moda falar de cultura em São João da Madeira, mesmo que não se tenha nada de interessante para dizer ou, pior ainda, aquilo que se diz e escreve não faça nenhum sentido. Por mais que se escreva e afirme que a cultura em São João da Madeira era já uma referência nacional e, em alguns casos, até internacional, bem antes do atual executivo camarário tomar posse, uns quantos insistem em não querer ver o que todos já sabem há muito tempo. É inegável a importância dos executivos PSD (não confundir com o anterior PSD/CDS) presididos por Castro Almeida na afirmação cultural da nossa cidade. Por isso, se eu fosse dirigente do PS pediria aos militantes e simpatizantes que quando falassem de cultura fossem rigorosos, sob pena de, ao não serem, estarem a dar um “tiro no pé” pois a reposição da verdade dos factos resulta no elogio ao PSD.

A talho de foice, também convém esclarecer que embora meritória a medida de utilizar a internet para promover atividade cultural em São João da Madeira, nomeadamente visitas guiadas aos museus, conferências e espetáculos online, esta decisão não resulta de nenhum plano estratégico, mas sim das circunstâncias criadas pela pandemia. Aliás, este é um procedimento adotado pela maioria dos municípios nacionais.

Outro assunto com uma certa graça prende-se com o que li, por estes dias, neste jornal, sobre algo que considero ser uma boa lista de desejos para o futuro da nossa cidade. E a lista é tão curiosa que eu até me atreveria a acrescentar um aeroporto internacional, uma linha de TGV com ligação direta às principais capitais europeias e uma linha de metro com uma estação desenhada pelo arquiteto Souto Moura com uma instalação artística da Joana Vasconcelos… Vamos lá… Um político que tenha ambições eleitorais, principalmente a nível autárquico, tem que ser credível e tem que ganhar o respeito dos eleitores. Tem de conhecer profundamente aquilo que são as suas competências e limitações em termos de governação municipal. Só assim poderá escrever e falar com propriedade para ser levado a sério. De resto, e sem me deter nessa tão fantástica lista, diria que, entre outras coisas, São João da Madeira já tem ligação direta por autoestrada a aeroportos e portos marítimos.

Caminhando adiante, a semana trouxe-nos o centro de memória industrial. Mesmo desconhecendo o conceito do projeto (já agora, não haverá no município ninguém com criatividade suficiente para encontrar outra designação? Não chega de “centros” na cidade?) há quem se apresse a fazer sugestões de conteúdo, ignorando, por exemplo, que já existem locais próprios para as memórias da indústria da chapelaria, do calçado e da Oliva, não podendo, ainda, ser ignorada a intenção da Viarco de se constituir em fábrica-museu para preservar a sua memória. Bem sei que através daquilo que hoje se sabe, não fica claro se este centro de memória industrial é, afinal, um posto de turismo ou uma instituição cultural que por via disso será um recurso de interesse turístico, mas em todo o caso, a pressa com que alguns escrevem na tentativa de garantir protagonismo é grande.

A cereja no topo do bolo desta semana é a possível indicação por parte da coligação PSD/CDS (ou será melhor dizer CDS/PSD?) de João Almeida para encabeçar a lista às próximas eleições autárquicas.

Confessando o meu espanto, pergunto se será esta a confissão que faltava ao PSD local de que não consegue encontrar um candidato? Será esta a confissão da sua certeza de que, quem quer que seja o candidato, está destinado a perder?

Como se pode compreender que o partido maioritário da coligação entregue, em bandeja de prata, ao minoritário, a liderança deste projeto político? E como compreender o facto de estarmos perante uma figura (simpática) da política que nos últimos anos tem averbado derrotas em todas as eleições a que se propôs? E se a isto acrescentarmos a verdadeira expressão que o CDS local tem neste momento (o presidente da concelhia foi eleito com menos votos que o administrador do meu condomínio), não estamos perante a desistência do PSD de tentar ser alternativa credível ao PS?

Para mim resulta claríssimo que sim. O PSD abdicou de todo o seu património político local.

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