Passados dois anos, Graça Fonseca voltou a participar no Festival Poesia à Mesa, desta vez, não presencialmente, mas à distância, como, aliás, está a decorrer toda a programação desde domingo passado devido à pandemia. Recorde-se que em 2021 – tal como o labor noticiou nas suas duas últimas edições – as várias iniciativas estão a ser transmitidas através das redes sociais da Poesia à Mesa, do Município e ainda da Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo.

Festival representa “reabertura que a cultura e os seus espaços assistirão nos próximos tempos”

E por falar no domingo transato, foi precisamente no dia 14 de março que a ministra da Cultura, juntamente com o presidente da câmara, assinalou o arranque de mais uma campanha poética em S. João da Madeira. Para além de enaltecer o “trabalho cultural de excelência do Município”, a governamental desejou que “a poesia e o seu potencial [nesta 19ª edição] representem a reabertura que a cultura e os seus espaços assistirão nos próximos tempos”. Prosseguiu, manifestando a vontade de que, “em 2022, quando comemoramos 20 anos de Poesia à Mesa, a ‘mesa’ seja nessa altura também uma mesa física, uma mesa em redor da qual nos possamos sentar. Porque, tal como a poesia, a cultura pede esta proximidade e esta partilha”.

Nesta sua mensagem difundida online, Graça Fonseca ainda recordou a sua participação em 2019, altura em que, no Dia Mundial da Poesia e na fábrica Viarco, “li um poema de Andreia C. Faria que, por coincidência, é uma das autoras homenageadas nesta edição”.

Aproveito este feliz acaso para me socorrer de novo do talento desta jovem autora e dizer, como ela escreveu, que ‘o poema é a mão, o gesto mais espesso’”, disse, acrescentando que este festival “tem demonstrado ano após ano muitos dos sentidos que podemos dar a estes versos. Tem demonstrado que a poesia é uma mão que se estende como um gesto amigo que se oferece, que a poesia dita, cantada, exposta, trabalhada e conversada, como aqui acontece, se expande muito para lá dos livros em que normalmente a lemos”.

108 Poetas homenageados até hoje

À semelhança do que já tinha feito aquando da apresentação do evento aos jornalistas, Jorge Sequeira “defendeu a sua dama”, que é como quem diz a cultura, que tanto preza. Não tivesse a seu cargo (também) o pelouro da Cultura.

Segundo o autarca, “a liberdade vale pouco se não viver abraçada com a cultura”, daí renovar o convite endereçado a todos “para seguirem o nosso festival através da internet”. Na ocasião, lembrou ainda que, em 19 anos de Poesia à Mesa, já homenagearam 108 poetas na cidade.

Ainda a propósito de poetas homenageados, os deste ano “são os mesmos do ano passado”, ou seja, Mafalda Veiga, Andreia C. Faria, Fernando Assis Pacheco, Herberto Helder, Mário-Henrique Leiria e Soror Violante do Céu.

Depois das intervenções de Graça Fonseca e de Jorge Sequeira, fez-se silêncio para ouvir Poesia (da Fábrica). Ana Costa, da Viarco, foi a primeira a declamar poemas no âmbito desta iniciativa que pretende interromper o normal dia de trabalho com performances poéticas especiais, interpretadas pelos trabalhadores e não só.

Poetizando

É já hoje, dia 18, pelas 21h30, que tem lugar nas redes sociais Poetizando. Trata-se de uma conversa sobre a vida, a poesia e as palavras de Fernando Assis Pacheco, um dos poetas homenageados nesta edição, com o comissário da Poesia à Mesa José Fanha e o radialista Fernando Alves, editor das manhãs da TSF.

Exposições na Biblioteca

Do programa deste festival consta também a exposição de arte contemporânea e arte bruta “Imagens, Signos e Escrita nas Coleções do Centro de Arte Oliva”, que a Biblioteca Municipal (BM) Dr. Renato Araújo acolhe de 19 de março até 15 de setembro.

Ainda no âmbito da Poesia à Mesa, a BM tem patente ao público até ao fim deste mês uma exposição bibliográfica que destaca diversas obras dos poetas homenageados em 2021.

Vanguardas Poéticas

Na noite de 19 de março, a partir das 21h30, vai haver espaço para a palavra dita, mas também cantada, lugar para a música, a imagem, o ritmo, o improviso e a inovação, com o ícone da cultura vanguardista, Ana Deus, e um dos maiores portentos do jazz, o pianista João Paulo Esteves da Silva. Vanguardas Poéticas é uma iniciativa que promete surpreender.

Peregrinação Poética

Assumindo-se como o maior momento de envolvimento comunitário do Festival Poesia à Mesa, a Peregrinação Poética conta com a participação de seis grupos da cidade, bem como dos comissários Paulo Condessa e José Fanha, na noite de 20 de março, às 21h30.

Matiné Poética

Para terminar em grande o festival, no Dia Mundial da Poesia, 21 de março, em vez de Serão Poético, há Matiné Poética, a partir das 17h00. Mafalda Veiga, uma das mais conceituadas cantautoras portuguesas e também uma das homenageadas desta edição, celebra a poesia no seu mais alto expoente. Tudo isto sob orientação do poeta José Fanha e o performer Paulo Condessa.

Curtas Poéticas, Poesia da Fábrica e Poesia na Corda

Entretanto, prosseguem, desde 15 de março, as Curtas Poéticas, num registo diário recheadas com as performances poéticas de Paulo Condessa e do duo “Dois Líricos”. Além disso, também tem havido Poesia da Fábrica, repleta de momentos de recriação artística com atuações poéticas dos trabalhadores fabris da cidade.

Quanto ao concurso Poesia na Corda, organizado pela Associação de Jovens Ecos Urbanos e pela Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, encontra-se a decorrer online. Os temas deste ano são o ambiente, amor, indústria, comunidade e outros.

Mais informações em www.ecosurbanos.ptehttp://sjmadeira.bibliopolis.info/.

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