O presidente cumpre assim com a sua intenção de preservar todo o espólio construído ao longo de 13 anos e de criar um legado para as gerações futuras 

Um, dois, três e “Reino/Ação!”. A atriz Suzana Borges entrou em cena com a performance que criou a convite da Câmara Municipal de S. João da Madeira para o lançamento do livro sobre o Festival de Teatro que se realizou a 27 de março, Dia Mundial do Teatro, na Casa da Criatividade.

Um dia marcado pelo teatro com a atuação da reconhecida atriz em honra ao festival de que já foi madrinha e pela escrita com o contar da história de um projeto gerado pelas professoras Maria Rosa Mortágua, Maria Margarida Negrais, Maria Amélia Almeida e Maria Assunção Sousa através da fundação do Espaço Aberto na Escola Dr. Serafim Leite no ano letivo de 2004/2005. Desde a sua primeira edição em 2007, o Festival de Teatro, um projeto que contou com a imediata colaboração da edilidade, “pôs toda a comunidade a bulir”, recordou Elza Paiva que atualmente, juntamente com as professoras Cristina Reis e Manuela Balseiro, é responsável pelo Espaço Aberto. “O livro que goza hoje da sua aparição tão desejada” é “um palco onde cabe toda uma entrega da comunidade proporcionada pelo teatro, a representação autêntica e plena sem preconceitos cujo foco é o ser humano e onde sobressai a liberdade do pensar, do agir e do sentir em prol de uma sociedade ativa, interventiva e saudável”, considerou Elza Paiva.

“Acreditamos que a educação é responsabilidade não só das escolas, mas também da comunidade”. Por isso, o Festival de Teatro, projeto que demonstra o quão a cultura e a arte são indissociáveis da educação, pode ter sido cancelado devido a uma pandemia em 2020, mas não voltará a ser calado em 2021. O lançamento do livro sobre a sua história e quiçá uma edição alternativa a ser planeada para este ano comprovam isso mesmo. “Não podemos deixar que a pandemia nos limite. O Espaço Aberto da Serafim Leite e a câmara municipal vão continuar a trabalhar para que o Festival de Teatro aconteça e através dele se faça educação”, assegurou Anabela Brandão, diretora do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, durante a sessão.

De seguida, o presidente da câmara, Jorge Sequeira, considerou que “a educação é fundamental para que nos mantenhamos como uma sociedade equilibrada” e que o festival que tem como missão “educar através do teatro e das artes performativas” é “uma arma ao nosso dispor para travar esta importante e decisiva batalha” contra o ódio, o radicalismo, a intolerância, a xenofobia, o racismo, o discurso da mentira, as teorias da conspiração e as notícias falsas que “recrudescem um pouco por todo lado e tentam ganhar força a cada dia que passa”. Tendo a educação como a sua grande paixão, o presidente da câmara, que também tem a seu cargo o pelouro da Cultura, cumpre assim com a sua intenção de lançar um livro sobre o Festival de Teatro, manifestada publicamente aquando da apresentação da edição de 2019, com o intuito de preservar todo o espólio construído ao longo de 13 anos e de criar um legado para as gerações futuras. “O livro é ele próprio uma obra de arte. Quero que o festival se torne uma referência indiscutível da vida cultural da nossa cidade e do nosso país”, revelou Jorge Sequeira, salientando que o livro conta com uma nota introdutória da ministra da Cultura.

A dada altura e a propósito do Dia Mundial do Teatro, Graça Fonseca refere que “o palco é um lugar fora das jurisdições do tempo e do espaço, onde os sonhos podem ser verdadeiramente vividos. Talvez não exista no universo um lugar mais autêntico e real que o teatro”. Para a ministra da Cultura, “S. João da Madeira é um lugar do teatro” e “um exemplo a seguir de responsabilidade cultural por parte do Município”.

À margem do lançamento do livro, o labor foi ao encontro de pessoas ligadas ao passado, ao presente e ao futuro do Espaço Aberto e do Festival de Teatro. A professora Cristina Reis vê no livro “um convívio entre as diversas partes. Um conviver. Um viver junto a possibilidade de realizar mais uma edição”. “O livro tem ele próprio uma vida. Ao olhar para ele apetece fazer sempre mais”, confessou. O livro é o reflexo de “um trabalho conjunto” e o premir do gatilho de “uma memória do trajeto que foi feito com muito orgulho”, disse Manuela Balseiro.

“As Marias” 

O Espaço Aberto começou com três pessoas: Maria Rosa Mortágua, Maria Margarida Negrais e Maria Amélia Almeida. A estas três “Marias”, como eram conhecidas na escola, juntou-se uma quarta de seu nome Maria Assunção Sousa.
“Fomos extremamente felizes no Espaço Aberto que deu origem ao Festival de Teatro”, afirmou Maria Rosa Mortágua, a mentora do espaço que deu origem ao sonho. Mas não sonhou sozinha. “Juntamente com o sonho era preciso ter, e tivemos, uma dose enorme de coragem e de atrevimento”. Bem como uma dose enorme de apoio do conselho diretivo da escola – presidido por Pedro Gual, seguido de Irene Guimarães e posteriormente e atualmente Anabela Brandão – e da edilidade – liderada por Manuel Castro Almeida, depois Ricardo Figueiredo e agora Jorge Sequeira. “Tantos anos depois o Festival de Teatro continua com pujança, o que só é possível por as colegas que estão à frente do Espaço Aberto terem a mesma garra e uma certa audácia”, observou Maria Rosa Mortágua ao labor.

A história do Festival de Teatro plasmada num livro permitiu ver algo que os seus olhos não enxergaram até então. “Não sabia que tínhamos feito tanta coisa. Nunca trabalhamos para a fotografia (e de facto foi difícil encontrar uma das quatro Marias juntas para o livro). Sempre trabalhamos para os alunos com base no lema de que pelo teatro acontece a educação”.

“Parece-me muito inteligente” terem aproveitado esta pausa forçada para prepararem “a memória deste acontecimento que é um dos grandes momentos culturais da cidade”, revelou Maria Margarida Negrais, para quem “a memória em livro serve para vários fins: não deixa cair no esquecimento, concorre para que as gerações que nos sucederem tenham o exemplo do que foi feito e se decidam a deixar a sua marca na poeira do tempo”. À medida que o grupo inicial de professoras foi saindo de cena, o que o substituiu tem-no feito de “uma maneira brilhante”, enalteceu Maria Margarida Negrais. “A nossa iniciativa foi determinante, mas a continuidade que lhe foi dada tem feito jus e ultrapassado o que nós começámos”, reconheceu a professora, demonstrando sentir “muito orgulho” por ter terminado a carreira ligada a um projeto que tem recebido sempre o apoio da escola, da edilidade e da comunidade.

“O livro como objeto tangível leva a uma viagem pelo que experienciámos ao longo dos anos. Cada página representa uma paragem na memória e cada palavra está carregada de sentido e de sentimentos”, descreveu Maria Amélia Almeida ao labor.
“Nunca pensámos que o Espaço Aberto fosse evoluir desta maneira”, admitiu a professora, constatando que a passagem da utopia à realidade contou com “uma triangulação importante” entre “uma abertura total da escola e da edilidade” e “uma loucura total da nossa parte”. “Quando íamos falar com eles já tínhamos tudo estruturado, era impossível dizerem que não”, contou Maria Amélia Almeida.

Este livro é “uma importante memória futura” sobre um projeto que começou com “um grupo de professoras que tinha experiência letiva, afinidades e uma visão da docência que devia ser mais abrangente e prolongar-se além da sala de aula”, constatou Maria Assunção Sousa. A continuidade dada ao Festival de Teatro é encarada com “muito agrado. Penso que dificilmente deixará de ser parte integrante da cidade”, anteviu a professora ao labor.

“Um projeto que é um exemplo de envolvimento” 

O consentimento do professor Pedro Gual, presidente do Conselho Executivo da Escola Dr. Serafim Leite, designação dada na altura, foi decisivo para o Espaço Aberto procurar uma parceria junto da edilidade para unir todas as escolas do concelho em torno de um Festival de Teatro.

“Reconhecendo que o teatro é uma mais valia na formação integral dos nosso jovens, apenas me restou apoiar a cem porcento a iniciativa, acolhida, incondicionalmente, pelo Dr. Castro Almeida. Foram então dadas condições a este grupo de professoras que deu, energicamente, início a esta iniciativa cultural, artística e educativa, que permitiu abrir as portas do teatro a todos os sanjoanenses”, recordou Pedro Gual.

Pese embora o facto de ter assumido diferentes cargos ligados ao projeto, primeiro como diretora da escola número um, e nos últimos três anos como vereadora do executivo, Irene Guimarães “sempre se sentiu parte integrante” e manteve “sempre o mesmo sentimento de orgulho pelas pessoas que com muito pouco fazem muito”.

“Um projeto que é um exemplo de envolvimento”, assim descreveu Rui Costa o Festival de Teatro. O ex-vice-presidente e vereador da Cultura em S. João da Madeira, recordou que a câmara e o presidente Manuel Castro Almeida puseram em prática uma estratégia de desenvolvimento cultural não só através de edifícios, mas também da programação que procurava trazer o que de melhor havia no país e o que se fazia e podia fazer a partir da cidade. “O desafio do Espaço Aberto foi imediatamente acolhido. Ano após ano era muito gratificante ver a evolução do Festival de Teatro” que se tornou em “algo incontornável na vida cultural e associativa da cidade”, admitiu Rui Costa, considerando ser “da mais absoluta justiça uma referência ao grupo de pessoas que desenvolveu o Espaço Aberto e o Festival de Teatro e às que lhes sucederam”. Como contra factos não há argumentos, “a verdade é que toda a comunidade associou como seu este evento”, concluiu Rui
Costa ao labor.

“Enquanto autarca, o Festival de Teatro de foi sempre um evento feliz que testemunhei e em que tive enorme gosto de participar, interagindo com um conjunto de pessoas por quem tenho grande admiração, respeito e estima”, revelou Ricardo Figueiredo, deixando “os melhores votos ao Projeto Espaço Aberto e às escolas e associações para que continuem o seu formidável trabalho de valorização das pessoas e da nossa cidade”.

Livro já está à venda 

DF

 

O livro sobre o Festival de Teatro de S. João da Madeira já está à venda pelo preço de 12,50 euros. O exemplar pode ser comprado na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, no Posto de Turismo na Torre da Oliva e nas livrarias locais.

 

Agradecimentos

Tanto no lançamento do livro, como na reunião de câmara, Jorge Sequeira agradeceu publicamente a alguns dos muitos envolvidos no processo de criação do livro. A Patrícia Correia pela recolha, coordenação e escrita do livro, à equipa do Espaço Aberto, ao designer António Loureiro e a Patrice Almeida pela autoria dos cartazes e de muitas fotografias. A título de curiosidade, o labor foi um dos jornais que colaborou na compilação de todos os artigos de imprensa escrita sobre o Festival de Teatro de S. João da Madeira.

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