Editorial

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O leitor tem na mão mas poderá colocá-lo noutro lado a primeira edição do Borda d’Ul, o verdadeiro e único jornal das bordas desta cidade. Não temos princípios editoriais porque andamos muito à frente e por isso só temos fins editoriais, que passamos a descrever:

O Borda d’Ul é um jornal satírico, independente da treta e regionalista quanto baste;

O Borda d’Ul ataca muita gente, mas os piores de todos são os redatores. É por isso que publicam sobre os outros antes que os outros publiquem sobre eles;

O Borda d’Ul é uma publicação cuidada e de qualidade, ideal para embrulhar peixe ou para servir de cama a gatos;

O Borda d’Ul luta incessante e mente pela verdade e rigor dos factos, mas não neste jornal;

O Borda d’Ul não pretende ofender. Mas não garante que não possa, aqui ou ali, falhar. Mais aqui do que ali;

O Borda d’Ul tem uma grande originalidade: o Director deste satírico não tem intervenção nenhuma no que se publica.

Queremos deixar claro que esta grande iniciativa surge porque não tínhamos nada que fazer por causa do confinamento. Por estarmos fartos das notícias de sempre, recorremos a consultores externos para que, de forma isenta e mais estapafúrdia que a própria realidade, pudessem fazer um Raio-X (ou um Rt?) ao nosso concelho. Foi um trabalho exaustivo e academicamente duvidoso (como convém) e dele resultou uma análise sub-reptícia à cultura política deste recanto à beira do Entre-Douro-e-Vouga plantado, mais precisamente nas bordas do UL. Para este trabalho esperam-se leituras e partilhas atentas, burburinho e reações a quente, algo que não se coadune com aquilo que habitualmente vemos na imprensa escrita local.

O Borda d’Ul não se esgotará numa edição única ainda que, por razões de segurança, os consultores externos associados ao projeto tenham pedido exílio à Coreia do Norte, com medo de represálias.

Aqui fica, pois, a verdade nua e crua, o nonsense e a diversão sobre todos os temas. Foi a pensar em todos vocês, minhas senhoras, meus senhores, e meus nem carne nem peixe, que este investimento foi pensado, concebido, planificado, desenhado, projetado, sujeito a avaliação ambiental e, em muito menos tempo do que o aeroporto de Lisboa, aqui está prontinho e teso como um carapau.

Por último e para fechar queremos deixar clarinho que:

  1. Por uma questão de cordialidade aceitámos que o labor fosse enviado como separata deste jornal. Pode não parecer, mas essa é a verdade que nos convém;

  2. Nas notícias publicadas, qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade;

  3. Pedimos desde desculpa às mães dos visados pelas coisas que pensámos, mas não publicámos;

  4. Pedimos aos leitores que aguentem, pois isto ainda podia ser pior;

  5. Prometemos voltar com estrito respeito pela periodicidade definida, ou seja, quando calhar;

  6. Avisamos desde que temos uma equipa de 124 advogados contratados ao Benfica para nos defender de eventuais processos judiciais.

Até breve, ou não, mas mais cedo do que se possa esperar.

S. João da Madeira, 01 de abril de 2021

Cónego da Mourisca, Conde Ferreira e Visconde da Quintã

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