O que é uma cidade?

0
42

Pergunta: O que é uma rua?

Resposta curta: É um espaço público no qual o direito de ir e vir é plenamente realizado

Resposta longa: 

É verdade o que acima se diz e assim está no dicionário. E até se uma Rua tiver determinadas dimensões poderá converter-se mesmo em Avenida. Ou ainda em Alameda ou Boulevard, como os franceses apelidam.

Contudo uma RUA não é somente uma artéria de passagem que une dois pontos duma cidade. Para isso teríamos uma estrada. Uma rua deve ser antes encarada como espaço de permanência e vivência, pois é suposto uma rua ser ladeada por casas ou outro tipo de construções que fazem parte das características dessa mesma rua.
Portanto a Rua em si deve atender e respeitar a utilização de peões e viaturas em total equilíbrio, consagrando a separação de tráfegos com segurança, estética e acima de tudo funcionalidade.

Pompeia, cidade romana do séc. VII A.C. portanto com 2.700 anos, foi devastada por um vulcão 70 anos D.C.. Esta cidade tinha uma proporção equilibrada entre passeios e vias destinadas a veículos. A harmonia das construções opostas entre si existia de facto.
É pois importante que não se perca esta noção de equilíbrio urbano, tão importante para a vivência de uma cidade.

Numa rua residencial importa que se salvaguardem passeios funcionais (com a tal continuidade) e que podem ou não incluir arborização. Esta última que perdure no tempo e não seja somente factor decorativo. E importa que haja alinhamento de muros. Estes não devem ser altos como na Idade Média pois isso significa um retrocesso civilizacional. Porquê? Precisamente para a Rua não se transformar numa espécie de “canal” sem relação de vizinhança física. Caso contrário teremos estradas dentro da cidade e não ruas. O caso da dita Av. de Casaldelo em S. João da Madeira.

Em S. João da Madeira houve um período que deixou marcas na cidade. Construíram-se separadores com postes altíssimos de iluminação e encurtaram-se abruptamente passeios em inúmeras ruas. As ruas estavam lá, com as construções adjacentes e com a dimensão apropriada à escala da cidade. Demoraram gerações a ter uma identidade própria.

Mário Pessegueiro

Os casos mais absurdos são a Rua António Henriques, Rua Dr. Francisco Sá Carneiro e Rua Camilo Castelo Branco. Por estupidez pura e dura, pretendeu-se converter as mesmas em “pseudo-avenidas” que afinal não o são. São mais precisamente, ruas aleijadas. Onde os peões circulam no meio dos carros pois foram- lhes retirados os passeios que até eram funcionais. E os carros estacionam em cima dos ditos passeios de 1.00 m de largura. A Rua António Henriques até “mereceu” tapete betuminoso recentemente.

Já passaram demasiados anos, (três presidentes de Câmara) e nada foi corrigido para devolver estas e outras ruas à cidade.

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here