O homem foi separado do cordão umbilical!
Quais partículas que se soltam da rocha que as sustinha,
Aderentes e coesas no baile do bem e do mal,
Indiferente ao que surgisse na existência comezinha.

Quando menos se esperava, na quietude do lar,
Foi-se o bem-estar social, o refrigério gozado,
Beneplácito consentido, que permitia aprovar
Todos os atos e intenções de um existir programado

Tudo era um mar de rosas até nas suas disputas,
Nos “ganhos” do dia a dia, complacência dos permeios,
Do que era ser e viver entre acordos e minutas,
Na irreverência de apostas, dos enredos e maneios.

De um instante para outro, foge-nos o chão sob os pés,
Deslize nas profundezas de um caos vestido de luto,
Onde tudo gira à volta, na vertigem dos porquês,
E se cai e esvai no negro de um zero absoluto!

Olham-se por cima das máscaras, esses olhos tão vesgueiros,
Sob as mesmas aquele ricto, que se tem e não está à vista,
Pois há uma vergonha interna em que somos os parceiros,
Nas causas que originaram a tragédia imprevista!

Flores Santos Leite
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